21 de set de 2016

some life goals



Eu não tenho como negar que, a cada dia que passa, me surge uma vontade nova. Há dias em que vou dormir pensando em concretizar uma viagem que parecia distante. Ao acordar, eu repenso e percebo que é melhor eu visitar aquele lugar que eu já me sinto de casa. Também tem dias que acordo e decido mudar a minha forma de se posicionar perante a vida. E tem dias que eu penso ‘tanto faz’. E, devo dizer, eu estou longe de ser alguém do tipo ‘tanto faz’.

Desde pequeno eu premeditava mudanças. Me lembro até hoje quando me forcei, na sexta ou sétima série, a mudar a caligrafia, simplesmente porque achava que era melhor a disposição no caderno. Algumas horas depois, eu já me encontrava em dúvida se aquela decisão foi a mais assertiva. Então eu começava os testes: durante alguma aula não muito interessante, eu escrevia frases distintas, do tipo ‘Meu nome é Caio Henrique Caprioli e eu quero mudar de letra’ de todas as formas que eu podia imaginar. Até me decidir com qual seguir. Alguns falavam que era DDA, outros que é resultado de algum transtorno de bipolaridade e, recentemente, a psiquiatra falou que pode ser um pouco de depressão. Não sei, até hoje, ao certo o motivo, mas eu sempre fui um entusiasta das mudanças, por mais cabreiras e obscuras que elas poderiam ser. Eu defendo a teoria dos 21 dias – que você precisa fazer algo por esse tempo para que isso vire rotina, algo normal. Talvez a maioria das minhas mudanças tenham durado menos, no entanto, dado que a minha letra continua a mesma. 

Uma antiga colega de trabalho minha, com muito mais experiência de vida do que eu, um dia, quando eu tinha lá os meus 19 anos, me disse ‘faça tudo o que você puder fazer de errado até os 30, porque, depois disso, você precisa arrumar a sua vida’. São aquelas frases que deveriam entrar e sair com o ar da respiração, mas que por algum motivo se prenderam nas entranhas da vida e reservaram um espaço na memória falha. Faz quase 10 anos que eu ouvi essa frase e, à época, eu acabei registrando alguns ‘life goals’ na minha história (como por exemplo viajar ao máximo, quantas mais vezes fosse possível, até os 30, porque aí chegaria a hora de morar sozinho). Ameacei uma mudança de vida aos 26 e logo brequei; não era hora. Hoje eu posso falar que não tenho dinheiro algum guardado, mas que viajei à beça. Puxa vida. E essas viagens renderam memórias inenarráveis. 

Mas ano passado, no dia 25/11, eu fiz 28. E, pela primeira vez, lembrei que os 30 se aproxima, mais do que nunca. E com o passar desse tão forte inimigo de todos – o tempo – a gente adquiri tanta experiência que a gente começa a enxergar a vida por outros cantos. É estranho como 1 ano parece agora 1 mês, e como a gente ganha pressa em fazer as coisas acontecerem. É estranho, também, perceber que alguns amigos ficaram pra trás porque você parou de concordar com tudo o que eles queriam. E por mais que a vida seja sacana e que o tempo nos tire os cabelos, a gente vai se sentindo cada vez mais completo por dentro – apesar da facilidade de perder o rumo do trajeto. 

Eu adoro os textos de “Larguei tudo para viver a vida que sempre sonhei”. Acho que eles dão um empurrão em quem se sente infeliz por alguma não realização. Mas muito preocupa, em um mundo com tanta informação mal interpretada, o que isso tudo pode causar. A minha geração, não podemos negar, é uma das que mais se discutem até hoje. “Comportamento da geração Y”, “Geração Y infeliz”, é muito do que a gente lê. E a gente se identifica, sem nem entender o porquê. É arriscado largar tudo pela utopia de um texto, mas é gostoso acreditar que vai dar certo. Também adoro os textos do Gregório Duvivier. E do Mário Prata. E também já adorei a Marilena Chauí, até ela dizer que o Moro foi treinado pelo FBI. São textos, que servem pra gente refletir, não viver ao pé da letra. 


Talvez seja o nosso problema, o viver ao pé da letra. “Tem que se amar mais, Caio”, me disse um amigo no sábado. Taí um conselho valeu a pena. 

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