15 de jan de 2016

por que escrever?

já faz mais de mês que eu não escrevo nada: nem poesia, nem notícia. mês passado estava tudo bem, obrigado, e a vida seguia infinita. pois eis que criaram um capítulo, de segredo e covardia, pra dar um chega pra cá na vida. a gente às vezes esquece o quanto ela é bonita. eu gosto de escrever porque me faz bem, faz meu cérebro trabalhar e meus dedos acabam colocando em ordem palavras que a minha cabeça não consegue encaixar. é difícil, confesso; não é tão óbvio quanto parece. quando você lê o produto final, não imagina os percalços e cuidados necessários para chegar no resultado. às vezes, escrevo pra contar uma história, sem nem menos dizer qual. outras, deixo claro que aquilo é uma carta de amor, só porque, de amor, o mundo nunca tá cheio. tem dias que é dor, outros só calor. hoje eu ainda não consigo escrever direito o que quero, mas consigo enviesar o que preciso.

sou grande fã das pessoas que sabem contar histórias, mas sou mais fã ainda daquelas que te ensinam a escrevê-las. não no sentido figurado - vá além. a vida é cheia de marcos e de tropeços, às vezes você termina um relacionamento, ou você ganha um bom dinheiro. fica doente sem saber ou espalha alegria com um beijo. sei lá; a graça é toda do elemento surpresa. é cada dia um deus ex machina.  eu já fiz lamúrias de amor, reclamei sem saber o por quê, fiz graça pra conquistar alguém e já chorei em muito filme que não precisava. já deitei no colo de gente que me fez sentir seguro e já deitei em colos que quis correr pro outro lado do mundo. já acalmei gente louca, já enlouqueci gente calma. já dancei até meu pé arder e já curei minha coluna na balada. eu já ri ouvindo música e já cantei com o pulmão latejando. já vi amigos irem embora e já abri os braços para o desconhecido (tenho isso tatuado). já achei que ia morrer e corri para o hospital pedindo amparo, mas já acordei com o corpo cheio de vontade de viver. viver pra poder escrever.

eu não preciso digitar ou caligrafar histórias pra me sentir vivo. eu só preciso saber que tudo aquilo que, quem sabe um dia, transformo em físico, seja bem vivido. escrever faz bem pra isso: pra encarar e entender passados, pra tentar justificar alguns fatos.

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