30 de jan de 2015

faz de conta


Faz de conta que ela é Carla.
Carla vive uma vida tranquila, mas apaixonada. Tudo ia bem até ela conhecer aquele cara.
Ela sabe que não tem como; paixão tem que ser vivida, ou pelo menos sentida.
Largou tudo. Deixou casa, trabalho e família para trás. Ela, ele e nada mais.
Claro que toda paixão tem suas descrenças. Aventuras intensas.
Clara já não sabia mais o que era. Foi amor, mas talvez num pretérito mais que perfeito. O futuro preocupava. Clara não se sente querida, desejada, necessária. Eram dois (e sempre foram), mas perderam o anseio de ser um.

Do outro lago, finja que ele se chama Caio (rá!).
Conheceu Carla por acaso, o Caio.
A vida continuou, agora com mais dois braços para se pôr.
Braços quentes, apaixonados, fáceis.
Toda noite, Clara o esperava com um sorriso no rosto e outro no corpo. O coração pulsante de paixão.
Caio não se deixou apaixonar, mas preferiu tentar. Se enganar.
Fez Carla o desejar. A comodidade de uma relação diminuia a vontade de seguir sozinho. Abraços, beijo, companhia e desejo.
No final do dia, Carla valia a pena.

Não vão chegar a nenhum lugar. Só vão assistir a vida passar.
Um, se doando para algo que não existe. Outro, fingindo existir.
Amores, antes de intensos, loucos e para sempre, precisam ser honestos. O amor ocupa o nosso corpo inteiro, não fica preso somente no coração. Ele é maior que tudo e menor que nada. É equilíbrio, é vertigem, é morada. Sem amor, não nos sobra nada.

Um comentário:

Espaciani disse...

Sou fã dos seus textos! 💜