7 de out de 2014

texto sem fim

É normal demorar um tempo para a gente se entender. Tem gente que parte desta vida sem ao menos tentar – outros simplesmente não conseguem. A mente, o ser humano, é tudo muito complexo pra alguém conseguir explicar. Eu, de uns tempos para cá, venho pensando mais em quem sou, o que me faz ser assim e o que preciso mudar. Identifico, sozinho, alguns pontos críticos, como a insegurança com a aparência e uma necessidade boba de competitividade para a vida ter mais graça. Lembro-me que aos 20, eu reclamava da complexidade que um amigo insistia em fazer a vida ter. Falava: “relaxa, cara, você complica as coisas demais”. Talvez hoje eu também complique. Talvez seja um processo natural. 

Eu sempre fui chato e um bocado analítico. Também sempre fui o “ele só tá querendo aparecer” sempre que algum coleguinha ou pessoa nova chegava na minha área de conforto. Era um mecanismo de defesa: se apareço e chamo atenção, garantia meu espaço. Meio que sempre quis marcar um território que se quer foi meu um dia. As coisas não mudaram muito, não. Ainda insisto em querer aparecer em algumas situações – hoje, porém, com consciência. Continuo chato pra muitas coisas: não gosto de ser acordado e nem de que as pessoas encostem demais em mim (ao menos que eu dê permissão). Também continuo não comendo molhos e eu odeio discutir relacionamentos. Aprendi a enterrar o ciúme, o orgulho e a conversar para entender melhor a situação, antes de explodir sem motivos. Me fez bem. Continuo analisando tudo e todos; mas peco em confiar demais logo de cara. Isso ainda machuca. 

Permaneço inseguro, mas acho que isso é natural de todos. A pessoa mais bem resolvida e segura do mundo é, na verdade, a que mais se cobra e tem dúvidas. Por isso sinto estar OK sendo assim. Às vezes fico me perguntando se eu sou louco ou as pessoas que não se importam com elas mesmas. Cheguei ao meio quarto de século e decidi ser seleto para algumas situações. Eu já tenho autonomia para escolher viver o que eu gosto e evitar o que não gosto. Vale também para pessoas. 

Ando prolixo e sem foco. Perdi o fio da meada. O ponto é: conheço gente com mais de 40 anos que visivelmente não se conhece. São, como eu costumo falar, as pessoas “tanto faz”. Tanto faz sair de casa ou não. Tanto faz comer isso ou aquilo. Tanto faz você ou eu. Esse é o tipo de gente que menos me encanta. Eu não sei se essa pessoa é feliz ou se está feliz. Se tem uma boa história pra contar ou se vive uma imaginação. 


Eu odeio não saber se a vida de alguém valeu a pena. 

4 comentários:

Matheus Siqueira disse...

Olá, Caio! Bom, você não me conhece e acho que nunca chegará a me conhecer. Mas não faz mal. Eu te acompanho há um tempo. Não de perto! Mas pelo Facebook. Fico feliz ao ver pessoas como vc; feliz por constatar que não estou sozinho e que o mundo é muito maior do que eu sempre supus. Só queria dizer que gostei muito deste texto. É o primeiro seu que leio. Não sei se lerei outros, confesso. Ando mto absorto em meus próprios pensamentos. Mas, de certa forma, to me sentindo bem de estar escrevendo aqui e de saber que vc, talvez leia.

Um abraço e continue assim

Matheus =]

Anônimo disse...

<3 LINDO

Almofadinhas disse...

Acho que por mais que a gente pense que se entenda, acaba descobrindo aos pouquinhos que ainda tem muito mais pra entender sobre nós mesmos do que imaginava que ainda teria. E isso não acaba. É assustador, mas também é um conforto saber que você mesmo pode se surpreender com o que você é em determinado momento. Vai ver, como eu costumo pensar, mais ou ao menos tão importante do que saber o que a gente é, é saber o que a gente não quer se tornar.
Cara, amo seus textos.

Marcos Campos disse...

Conhecendo por aqui !
Legal o texto, e não pude deixar de pensar em mim mesmo, ainda hoje pensei que sou meio chato para algumas coisas. Mas afinal, quem não é ? Talvez esse ultimo tipo de pessoa que vc descreveu. Acho que somos "meio" normais. rs !