12 de set de 2014

Sabe…

Não imploro pela felicidade, não. Acredito que ela mora, sim, nas pequenas coisas. Eu, por exemplo, começo o dia bem feliz quando sento em uma padaria, de moletom, e peço o meu café preto sem açúcar e um bom pão com manteiga na chapa. Ali, geralmente dou meu primeiro sorriso do dia. Depois, geralmente, sigo para o trabalho, onde encontro as pessoas mais geniais, engraçadas e legais do mundo. Aos finais de semana, gosto de passar um tempo com a família – me centraliza, me bota no foco, me faz um bem danado.

Esta semana, bati um papo com uma das pessoas que mais me inspirou na vida. Minha chefe, Josi, que nos abandonou depois de uma manobra inesperada do lugar em que trabalhamos. No meio do papo, concordamos que não almejamos uma conta milionária. E tá tudo bem. Tanto eu quanto ela gostamos de gastar com supérfluos, mas é isso. A gente gosta de trabalhar e fazer bem feito, de ter o dinheiro na conta todo dia 5, o dinheiro que mantém um padrão de vida que gostamos. E eu sei que todo ser humano quer mais, quer ir mais alto, mas talvez seja uma opção. Não quero nadar em rios de dinheiro se eu tiver que deixar qualquer coisinha que gosto de lado. Se tiver que trabalhar com o que não gosto, se tiver que ser desonesto, se tiver que abandonar o meu café da manhã na padaria. 

Existe um erro muito comum na nossa geração: todo mundo reclama que trabalha demais. Que o mercado não está bom. Todo mundo reclama. É só observar poucas pessoas para perceber que, na verdade, o erro é a gente. A gente acredita que somos melhores que aquilo e que é a empresa que precisa da gente, quando, na verdade, ainda é o contrário. Vejo pessoas saindo tarde da firma só para dizer que trabalhou até tarde (enquanto passou o dia todo postergando). Vejo gente trabalhando com algo que não tem afinidade alguma – por imposição da empresa ou por falta de opção. 

Em um outro papo nesta mesma semana, com uma fonte para uma reportagem, ela disse uma frase que me fez pensar (e a conversa, que deveria durar 10 minutos, acabou durando 50. A fonte virou quase que uma consulta piscológica via telefone). Enfim, a frase foi: todo ser humano tem opção. Claro, infelizmente, a vida é dura e injusta com muita gente. Mas ela me fez perceber que, sim, existem opções. Que ninguém precisa trabalhar onde não gosta. Que ninguém precisa estar 100% com o celular nas mãos para ver a vida alheia, para checar o e-mail, para responder uma mensagem. Se você escolhe desapegar disso tudo, viver sem essa neura, você consegue ser mais feliz, mais tranquilo. 

Desde os meus 18 anos, quando entrei para o mercado de trabalho, eu lembro de ter feito uma opção: vou trabalhar para viver, e não viver pelo trabalho. A partir de então, poucas vezes fico além do horário na empresa ou sofrendo por problemas que acontecem lá dentro. Entendi que os cabelos brancos que iam nascer não valiam à pena. Nas 8 horas que estou no ambiente de trabalho, dou o meu melhor, aprendo, ensino, faço. A partir da hora que saio de lá, a vida permanece e, então, eu uso o que aprendi e ganhei naquelas 8 horas para recompensar. E esse é o fluxo. 

No fim de tudo, os momentos que mais me fazem felizes são: sentir orgulho por uma conquista de alguém que amo, ver a família toda, reunida, rindo à toa, se divertir com os meus amigos (são eles que estão sempre juntos, curtindo a vida, sem cobranças do mundo exterior), presentear (cara, eu AMO dar presentes e ver a reação feliz das pessoas) e ter um ombro pra deitar e descançar no final do dia. De todas as coisas, a única que me custa algo é o presente. O resto todo, é grátis.

Segunda-feira terminam as minhas férias e eu volto para uma empresa onde ninguém sabe o que vai ser o amanhã. Em um prédio com muita gente desesperada, eu entro tranquilo, feliz por saber que, ali, estão boa parte dos meus amigos. Onde (ainda) tenho um trabalho e sou levemente reconhecido por isso.

Se o coração e a cabeça estão tranquilos, o resto também vai estar. =)

5 comentários:

RODRIGO ALBUQUERQUE disse...

Oi Caio, adoro esse seu espaço, releva um Caio diferente daquele que conhecemos do Face, Twitter e do Sem Paletó. Aproveita o restinho das férias e boa sorte em sua volta ao trabalho!! :-)

RODRIGO ALBUQUERQUE disse...

Oi Caio, adoro esse seu espaço, releva um Caio diferente daquele que conhecemos do Face, Twitter e do Sem Paletó. Aproveita o restinho das férias e boa sorte em sua volta ao trabalho!! :-)

Cainã disse...

Caio, leia "Como encontrar o trabalho da sua vida" de Roman krznaric. Por mais que voce esteja feliz onde esta e fazendo o que gosta, a leitura e valida e prega uma filosofia semelhante a do teu post. abs

Eloi Junior disse...

:)

Fernando Baruch disse...

Bom dia Caio,

Estava zapiando os blogs encontrei o seu. Não te conheço, mas o que li sobre seu trabalho e relacionamento com a família, seu pensamento sobre a vida e está descoberta aos 18 anos demais, te poupou muitos cabelos brancos, coisa que só descobri depois dos 40. Saber viver... todos deveriam experimentar!!!

Abraços.

Baruch