10 de jul de 2014

“sim”

percebi que faz mais de mês. não que me faltem palavras ou acontecimentos, muito menos vontade. até rascunhei algumas coisas, mas que não fizeram sentido no final. a vida anda se encaixando harmoniosamente. 

Antes de tudo, devo deixar claro: sou um homem. Um homem que sonha em se casar. Não me venha com o papo de que uma menina sempre sonhou com o seu momento de véu e grinalda. Eu também sonho, há tempos, como o meu. Claro, com um smoking. A priori, acreditava naquele instante clássico de entrar na igreja, mesmo não sendo lá muito católico, e esperar o meu amor no altar. Sou um cara fã de cerimoniais. Tentaram, de todas as formas, me convencer de que o casamento é uma instituição falida. Uma ova. Cresci um pouco e entendi que não preciso desfilar por um tapete para chegar ao altar. Mas, sim, continuo querendo casar. Quero dizer “sim”, juntar as trouxas e dividir a vida plenamente, esperando que “dure para sempre”. Cara, eu amo os contos de fadas. 

Vamos ao Bauman: a modernidade (de uns 10 anos atrás) é líquida. Os laços sociais não duram mais muito tempo: são efêmeros. Nada permanece. Uma relação virou um produto. As pessoas namoram para dizer que estão namorando e para atualizar seu status perante ao mundo. Namoros duram meses. Casamento duram poucos anos. Quantidade x qualidade. 

No Brasil, segundo o IBGE, um casamento dura, em média, 15 anos. Em 2007, 17. Em 2012, foram 314 mil divórcios. 1,4 milhões de casamentos rolaram. Acho incrível pessoas que se casam e, um ano depois, se separam. Pra mim, isso se chama individualismo. Narcisismo. Se não tá legal pra mim, tchau. E é aí que eu entro…

Não, não estou pronto para casar. Ainda deve levar uns anos. Preciso ter carro, casa e saber lavar a minha própria roupa. A questão maior, perante a isso tudo, foi me entender. Depois de algumas quebradas de cara nessa vida de “relacionamentos”, precisei de uns dois anos vivendo alucinadamente para sacar um pouco mais sobre eles. Para entender minha carência, minha síndrome do “eu te amo”. Para entender o “eu te amo”. Sou péssimo para falar de amor (e para acreditar nele). Pelos machucados, hoje sou desconfiado. Acontece que, sem perceber, eu bloqueei qualquer acesso ao coração. Ninguém é confiável, ninguém é bom o bastante, ninguém vai me completar. Minha cabeça girava assim. 

Depois de passar por algumas pessoas e ver diferentes tipos de amores, eu ainda não entendi muitas coisas. Mas consegui definir o que eu quero pra minha vida, de hoje em diante. Não são festas e pegação. Não é quantidade. Não é qualquer um. 

“As vezes fico pensando em o que é amor de verdade. Penso em tudo o que já vivi e o que vou viver ainda. Penso no antes e no hoje. Existe um diálogo em ‘Closer’ que resume o que estou falando aqui, quando a Alice pergunta sobre o amor, diz que ouve sobre ele, mas não o sente, não o vive. É assim que me sinto, vez ou outra.

Resolvi deixar minhas experiências passadas de lado para me dar a chance de viver algo novo, algo por completo. Resolvi me esforçar para acreditar em alguém e, antes de tudo, acreditar em mim. Resolvi acreditar em relacionamentos novamente e deixar o individualismo de lado. Em uma daquelas relações que vão e volta, soltei um ‘é porque eu não gostava de você naquela época’. É incrível como quando você aceita a sinceridade, a vida flui. 

Falei, outro dia, algo brincando, mas que me fez pensar. Foi sobre o espaço para fotos em uma carteira. Já vivi grandes amores, fortes e doloridos, cheios de emoção. Hoje, busco paz e tranquilidade, vivência, companhia, bom sexo, compartilhamento, união. E, acima de tudo, gestos pequenos que me tiram e dão sorrisos. Como dormir de conchinha (eu, dormir de conchinha. rs), escrever ‘eu te amo’ com os dedos a cada ‘oi’, deixar mensagens soltas, nas entrelinhas, com pequenas declarações. Ah, quando você lembra o quão gostoso é se apaixonar e se permitir essas pequenas fofuras, você se lembra como a vida pode ser mais gostosa. Sou um cara que dá alianças, porque gosto delas. Nem precisam ser usadas. Só gosto do que elas representam. Gosto de acordar com ‘bom dia’ e ir dormir com ‘boa noite’, de ficar esperando ser o primeiro pedaço do bolo no aniversário, a primeira pessoa que ouve alguma novidade, que recebe comentários e demonstrações de afeto em público.”

Pequenas coisas do mundo moderno, não tão líquido, mas que tiram sorrisinhos. E quando duas pessoas se dão, literalmente, à relação, cria-se algo único. 

Depois disso, é esperar pelo sim.

4 comentários:

Anônimo disse...

Estava lendo essa passagem do Bauman outro dia, por causa de um texto da faculdade... que engraçado!
Mais uma vez, parabéns pelo texto, Caio. Espero que o seu pedido chegue logo. =]

Filippe disse...

Quando eu não sei o que pensar..vem o caio e escreve o que no fundo eu tinha em mente...cada post seu é um auto reflexo que fico bobo.Me lembra muito um pensamento que de vez em quando falo...que como um autor de músicas escreve algo que ele tá sentindo so que encaixa perfeitamente na vida de milhões de pessoas...é isso que acontece com seu texto..no fim somos todos iguais mesmo. Obrigado por sempre escrever suas experiencias e dividir publicamente! :)

Letícia Cardoso disse...

que texto mais bonito, me fez lacrimejar.

Alberto Quadros disse...

E eu vivo em bom casamento Há mais de sessenta e dois anos. Penso que principalmente devido ao respeito um pelo outro e não deixar que os momentos de silêncio nos desviem um dos outro. Quando constatamos que parece nada haver a dizer eu pergunto à Mari qualquer coisa do género "hoje trazer um vestido diferente# ou "encontraste algum sonho durante a noite" ?