17 de fev de 2014

o amor que bate à porta

não amoleci na primeira vez que o vi. já conhecia o tipo, de sorriso de canto e olhos brilhantes. conversa foi e veio e, junto à ela, o nosso primeiro beijo. fiz-me de pudico, mas não engano nem um tolo. o segundo beijo foi melhor que o primeiro, pois ele trouxe consigo alguns devaneios. já o terceiro – sim, foi no terceiro – revelou-me um desejo. ah! como a vida fica mais atraente com desejos. 

o amor bateu à porta meses depois, amuado e encharcado. deixo entrar? não precisei nem pestanejar. foi num piscar de olhos que o vi se espalhar entre nossas mãos. de lá pra cá, aprendemos a brincar. eu e ele, ele e os outros. 

disseram-me que o amor era sacana e muito ia machucar. meio verdade, meio balela. o amor simplesmente está, é você quem o faz lacrimejar. o amor é maluco, sim. louco de dar nó. mas é tão lúcido que até enlouquece. ele pode doer – ah, como briga com o coração, mas pode te dar prazer. o amor é uma aventura, ventura, júbilo e nirvana, mas são lágrimas e músicas tristes na cabeceira da cama. 

‘amor de quem pra quem?’, indaguei. ‘dele pra ti’, ouvi dizer. e desde então, sempre que saio para vê-lo, perco 10 anos de vida e maturidade, escolho minuciosamente a roupa, o perfume e o cheiro, arrumo meus cabelos e dou uma bronca em meu corpo, que insiste a tremer-se inteiro no caminho do beijo. quando o vejo, os olhos entregam a saudade e a boca parece perder a razão. os músculos se contraem, o calor aumenta e o coração, que, olhe só, machucado pelo bom amor, acelera, dando espaço à paixão. na hora do tchau, ainda quero tê-lo, mas o mundo precisa dos seus anseios. antes de dormir, é um dos três pensamentos.

de tudo isso, ei te dizer: se, um dia, o amor bater em sua porta, não tenha medo. ele só vai te fazer viver – e não sobreviver.

2 comentários:

Oda Moura disse...

"Toda vez que o amor disser 'vem comigo', vá sem medo de se arrepender."

Dexter disse...

Nem sempre amigo. Nem sempre. =/