14 de jan de 2014

ordem

Recentemente, adquiri uma nova mania estranha: antes de sair da cama, checo o meu horóscopo em três sites distintos. Não que eu acredite que os astros estão me prometendo algo. Só comecei a fazê-lo para, no fim da noite, anotar em um caderninho se a previsão se concretizou. É uma forma simples que eu encontrei de checar a eficiência do destino premeditado.

O saldo, no entanto, anda negativo.

Em um determinado dia – não me lembro com exatidão qual – os três horóscopos, escritos por pessoas que, em minha cabeça, não se conversam, diziam a mesma coisa (que, novamente, não me lembro com exatidão). Resumidamente, era: "faça". Neste dia eu quase entrei em colapso mental, listando tudo o que eu queria fazer e estava postergando. Foi na madrugada que me peguei com as mãos trêmulas, ensopa, desejando algo. Foi o primeiro acerto dos horóscopos desde que comecei a seguí-los. Coincidência ou não, no mesmo dia, ouvi no rádio uma música que mandava "ter um novo começo, voar, deixar o medo pra trás e reaprender a vida". Ouço esta música no repeat desde então, a cada dia que acordo, lendo meu horóscopo.

(Alguém aqui já reaprendeu a vida? Não a viver, mas a vida, substantivo, não verbo? Uma vez que você compreende o ciclo – e, portanto, que ela é cíclica nas ações e histórias –, percebe que é hora de parar de perder tempo.)

Não nego que sou cheio de medos, que possuo um coração em frangalhos, que me atropelo nas próprias palavras e que erro. Ainda sinto cheiros, toques e engulo a seco algumas lágrimas – que insistem em aparecer no meio da tarde, quando a cabeça parece se esvaziar. Como um impulso, resolvi finalmente dar um passo. Insisti em algo até sentir sangrar. Já era hora de curar as feridas.

Não é um novo capítulo, mas um novo parágrafo. Demorei a entender que existem coisas que começam e coisas que terminam. E assim devemos viver, respeitando os pontos finais e dando espaço para novas palavras. Se você as deixa na mesma linha, elas se atropelam, confundem-se e, na real, você acaba mascarando uma história, que não se finalizou. Por isso é preciso parágrafos: para começar novas ideias. Insisto: não são capítulos. Capítulo é parte de uma obra, que abraça parágrafos e pontos. Não gosto de definí-los.

Ando pensando onde vou parar. Por ora, só sei que é preciso emergir sozinho.

3 comentários:

Dexter disse...

Me identifiquei com isso, por que já fiz parecido... mas era diferente e quase por acaso. Por algum tempo no fim do dia eu lia meu horóscopo em dois sites diferentes e me arrepiava ao ver como as coisas tinham batido.
Mas mesmo assim nem dei tanta importância, é o meu problema, ignorar coisas que as vezes podem significar muito. Nem sei se você vai ler isso, mas se ler... sabe, eu sigo suas coisas faz o que, uns cinco anos. Fotolog (astonish) Twitter, face e até já dei uma olhada nos seus blogs antigos. Várias e várias vezes. Sinto uma ligação estranha com você. Juro que isso não é uma cantada nem nada do tipo. Só senti vontade de dizer pela primeira vez. Espero que não pense que sou algum tipo de Psicopata. Isso me impediu de já ter tentado contato antes.( O medo de você pensar isso)Enfim... se você ler, me dá um oi qualquer dia desses. É só que... eu super admiro você. Fique bem.

Naara Celestino disse...

Já vivi esse momento do horóscopo, de pensar que se as coisas se alinharem direitinho tudo vai dar certo. Daí um belo dia veio um estalo, foi um livro que eu li mas que não lembro qual, talvez eu mesma tenha que alinhar as coisas, talvez a esteira da minha vida esteja parada e minha sensação de movimento venha do assistir a vida dos outros.
Recebi o memorando do "Faça" nesse dia, mas acho que a vida me pegou de novo no seu ciclo, tô em fase de confusão onde ainda não sei de verdade o que eu quero e me apavora muito que eu não vá saber e que continue fazendo as coisas de forma atropelada. Li outro livro, desse eu lembro porque é recente, "A garota que eu quero" e lê foi quase como ser operada ou virada do avesso. Acho que tá vindo outro "Faça" por aí, espero que tenhamos êxito.

Dexter disse...
Este comentário foi removido pelo autor.