19 de dez de 2013

sobre pessoas

existem milhares de frases para classificar as pessoas e suas importâncias em nossa vida. “descobri que é possível viver só, mas em um mundo sem verdades”. é, basicamente, um resumo da realidade: ninguém vive plenamente sozinho. as pessoas incrementam histórias, criam vontades, geram entusiasmo. pessoas vêm e vão e somente as de suma importância permanecem. conhecemos, em geral, uma pessoa por dia, o que resultaria em mais de 23 mil seres passando por nós. cerca de 211 mil pessoas nascem por dia no mundo. 147 morrem por dia. ou seja: tem gente pra todos, para todos os dias. a questão que eu me pergunto todos os dias é: quem sobra?

os laços de amizade se criam em poucos minutos de conversa. é inegável que, quando conhecemos alguém, percebemos se aquela pessoa fará parte de nossa história em muito pouco tempo. levam-se dias para conhecer alguém, mas meses, anos para entender alguém. quando você acha que conheceu alguém em sua plenitude, surpresa. a vida é mesmo uma caixa delas. 

amigos dão a mão sem cobrar. estão presentes sem ninguém pedir. aparecem para chorar e rir. reclamam, brigam, se afastam, voltam. são necessários 6 meses de convivência intensa para alguém se tornar inesquecível. mas amigos, assim como chegam, precisam partir. são raras amizades que duram longa vida – mais raras do que amores. 

em seu mais profundo estágio de conhecimento, o ser humano é egocêntrico. o mundo gira em torno de si e, em movimentos de rotação contínua, perdemos a visão do todo. estamos cada vez mais  cegos, mais impiedosos, mais narcisistas. não reconhecemos erros, só julgamos. não aceitamos desculpas, só culpamos. não abaixamos a cabeça, só nos orgulhamos. o erro das pessoas é saber que não se vive só, mas pensar que ninguém vive sem elas. 

substituível. todos somos. por mais doloroso que seja o caminho, conhecer-se e aprender a ser leve ainda é uma trilha de pedras. entender-se é como largar as roupas pelo chão, deixar-se nu, tornar-se transparente para si e, depois, para o mundo. em tempos de #selfies, de likes, de compartilhamentos, perdemos um bem maior: o saber quem somos. tudo é julgado pelo olhar alheio e, a auto-confiança que nasce conosco, perde-se no primeiro unfollow. 

é difícil achar um amigo de verdade – aquele que dá-se sem pedir algo em troca.
é difícil achar um amor sincero – aquele que não compete.
é difícil achar alguém que seja de verdade, sem filtros, sem juízo de valor, sem maldade, sem intenções subliminares.

nessa jornada, às vezes, descobrimos que o sozinho não é de todo o mal. contanto que você, de fato, esteja sozinho, e não dependendo dos olhares alheios.

seres bem resolvidos. seres pensantes. seres reais. é raridade.

(Para Michele, por tudo o que passamos nestes tempos e por saber que era destino nos conhecermos um dia. Você é a única certeza na vida que tenho do que é a amizade verdadeira, na sua forma mais pura e sincera. Obrigado por estar sempre aqui pra mim. Obrigado por fazer parte do resto da minha vida)

*ligue os pontos do texto.

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