9 de set de 2013

faltam 47.



Em meses, pulo para os 26. Acabei de dar um Google e descobrir que, no Brasil, a expectativa de vida é de 73 anos. Isso quer dizer que tenho muito pouco tempo. Menos do que eu imaginava. A morte – minha e dos entes próximos –  é dolorida e amedronta. Mas não é dela que quero falar. Quero pensar no que me falta de vida.

Desde que nasci até cerca dos 20, eu, com toda a certeza, não fiz nada além de dormir, comer e estudar. Introvertido, invejava quem tinha a vida agitada, que viajava o tempo inteiro, que se mudava, que não se definia. Fui educado de forma calma, com um estilo de vida meio oitentista, cômodo e confortável, onde todo o tempo podia passar correndo, tudo bem, não era preciso ter grandes resoluções para se sentir realizado. Percebi que era um ponto fora da curva na família aos 23. Eu queria – quero – ir além.

Foi muito pouco tempo, não nego, e talvez a minha cabeça não acompanhou muito bem a quantidade de mudanças que aconteceram comigo em, sei lá, 5 anos. sempre usei este espaço, o blog, para vomitar pensamentos. me descobri, tive que me aceitar sozinho, me resolver, conquistar, manter uma sanidade, levantar a cabeça, estudar, ler, viajar, gastar e guardar dinheiro, fazer empréstimos e apanhar, andar, cantar, quase enlouquecer e colocar os pés no chão. sim, eles se perderam por um tempo e é notável. o maior desespero e a maior conquista que uma pessoa pode ter para si é se perder e não saber mais quem é. só assim é que consegui me ver, refletir e começar a construir quem eu realmente queria ser.

Você sabe, até os 20 a gente não pensa em nada além de realizar o que temos que realizar. são poucas as pessoas que têm vontades reais neste tempo, que tem sede de vida, que querem se descobrir sozinhas. depois, é de você que nasce a mudança. você pode ser o que foi programado pra ser ou se dar um bug e começar a ser quem você quer ser. aí você junta tudo o que viveu pra criar algo que nenhum dinheiro paga: personalidade.

a essência, como eu sempre digo, não vai embora nunca. continuo aqui, gostando de Avril Lavigne (mesmo com quase 26), chorando com seriados e imaginando situações que não vão, com certeza, acontecer nesta vida. mas dá para sentir um novo eu (lírico), que já se machucou e machucou muita gente, que já chorou sozinho, acompanhado, escondido. que já viveu momentos únicos, que quase fizeram o coração parar. que apanhou, mas aprendeu. que descobriu pessoas e que revelou pessoas – e, ah, as pessoas são tão, tão malvadas.

enfim. cá estou, vomitando um bando de pensamentos numa segunda-feira de manhã, ouvindo uma música jovial (17), mas dando um sorriso de canto de boca por simplesmente entender que isso é a vida, mas preciso agradecer por ter percebido sutilezas, erros, por ter me perdido e estar tentando me encontrar pra ser alguém melhor. e com muito dó de quem, infelizmente, se acha tão foda e não vê motivos para passar por isso. estes viverão de uma mentira e, no final, vão perceber que não foram ninguém pra ninguém.

faltam 47, e ainda tenho o retorno de saturno pela frente.


ps. odeio pollock, mas "number one" descreve exatamente a minha cabeça.

2 comentários:

Mariana Godoy disse...

Não faço ideia de como vim parar em seu blog. Eu me perdia entre tantos links quando encontrei esse texto. Para um garoto da sua idade, até que você escreve bem. Calma, eu só estou brincando. Vai, dê um sorriso.
Nós temos idades diferentes, mas talvez seja isso que tenha feito com que eu me identificasse tanto com seu texto - ou devo dizer crônica?
Por Deus, como estou sendo mal educada. Meu nome é Mariana, mas gosto quando me chamam de Mari. Também tenho um blog na internet (www.diariociumento.com) e uso ele, assim como você, para vomitar palavras. Às vezes, gosto de chutá-las.
Dormir, comer e estudar é o meu forte. Ninguém me ganha! Estou em uma fase confusa, sente-se, eu gosto de falar.
Tenho lá os meus 16 anos, beirando os 17. Caro amigo, não banque o adultinho. Idade não é tudo nessa vida.
Meu sonho é ser jornalista (algumas pessoas gostam de ser pobres). Eu escrevo em uma revista do litoral paulista e integro o clube teen da Astral Love. Meu maior problema é me preocupar tanto com o futuro e esquecer que o futuro é agora. Algumas coisas nunca mudam... e talvez seja por isso que eu quero mudar tanto. Você tem algum remédio para mim?
Já comentei que odeio aniversários? É tudo tão mesquinho. Bolo, velinhas e o famoso "Parabéns". Porra, você está envelhecendo e as pessoas estão comemorando isso.
Gosto de desabafar com pessoas que eu não conheço. Você não me conhece, conhece?
Estou vivendo a fase dos vestibulares. Como você passou por ela? Na boa, me diga, porque a rotina está me matando.
Baisers et des caresses,
Mari Godoy

Francis disse...

Caio,
Tem nada errado em errar, voltar atrás, recomeçar, reaprender, errar de novo e continuar tentando.
Errado é quem para - no tempo, no espaço, na vida.
26 é muito melhor que 19, ainda que as ressacas sejam mais intensas e as feridas mais doídas (pois já não é tão fácil dizer "tô nem aí", como gritava a Luka há já tantos anos.
Vem pros 26, vem pro mundo, vem me visitar hahaha
Abraço, Francis