14 de ago de 2013

sobre crescer

cá estou, em meus 25. o fôlego diminuiu, a ânsia de viver aumentou, a sagacidade apareceu, a inocência fugiu e o mundo se abriu. penso que fui criado pra vida, apesar de viver enclausurado por uma série de problemas que resumo em timidez extrema. deixei de dar alguns passos por ela. hoje, um tanto mais bem resolvido, com uma maior confiança e auto-estima melhorada, consigo ter uma conversa sem desviar o olhar ou abaixar a cabeça. meus caros, isso é uma evolução gigantesca. 

você, que me conhece de cá, este mundo de telas, de 0s e 1s, acha que sou extrovertido e confiante. errado. aqui é uma mentira e, no sentir do toque, a verdade aparece: sou bem quieto até conhecer, até confiar. quebro a cara muitas vezes, mas, bem, cá estou, em meus 25 – ainda há tanto pra aprender e descobrir. 

minha vida tá mudando a cada dia que saio da cama. eu sinto isso. sinto que o mundo tá passando e eu deixei de acompanhá-lo, de algum modo. tanta coisa aconteceu comigo em 5 anos (25 em 5), tantas descobertas, tantos caminhos errados, tantos medos, tantos… amores. cresci. é nítido que cresci. sou um adulto, ainda infantilóide, mas um ser crescido. sei conversar, sei argumentar, sei refletir sobre a vida e sei tomar decisões. sei trabalhar. sei ganhar dinheiro (mas não aprendi a economizar ainda). sei dançar. sei até beber. sei me divertir. sei viver. aqui encaixaria um título de uma música de alguém que carrego da adolescência: here's to never growing up. é onde mora o segredo: cresça, mas saiba manter o espírito infantil de se divertir, de viver.

adultos deixam de viver. é claro, transparece a cada olhar na rua. as pessoas se deixam tomar por problemas e esquecem que – ainda bem – só vivemos uma vez. quero morrer um dia, não agora, mas morrer com a certeza de que vivi pleno. de que errei, aprendi e acertei. de que vivi com intensidade. que fui um ser interessante. que, de alguma forma, deixei minha marquinha pela minha passagem – mesmo que ela tenha atingido só cinco amigos. 

não quero ser um adulto sem vida, sem fogo, sem paixão. quero andar me apaixonando e quebrando a cara. quero me arrepender. quero sorrir. quero ficar pobre de dinheiro, mas rico e feliz de alma. quero pular no escuro em meu quarto ouvindo minha música favorita. quero abraçar todo mundo que sinto que ainda preserva vida. seres vivos, é o que era para sermos, né?

eu tenho sede de vida. e, a cada segundo, isso fica mais claro em mim. tenho vontade de fazer certo, de ser correto, de corrigir erros porque, por Deus, todo mundo erra e precisa ser perdoado, de ser autônomo, livre, leve, feliz. 

me considero um cara de sorte e feliz. tenho tudo: uma boa saúde, uma família invejável (somos 30 unidos, que se divertem com um bingo, que se reúnem aos domingos. mãe, pai, irmã, cachorra, vó, vô, tios, tias, primos, primas. é um amor que não me cabe) que me deu base para ser um cara foda, uma cama para dormir, um trabalho pra quebrar a cabeça, alguns livros pra ler e muito, muito a fazer.


crescer é difícil, dolorido e traumatiza. mas é bom pra caralho. 
e eu quero gritar só porque me faz sentir vivo. 

Um comentário:

Anônimo disse...

Sabe, eu não aprendi a crescer. Talvez por ainda ter uma certa resistência a isso. Quero crescer e aparecer. Quero ser alguém que fez algo por alguém, para muita gente; alguém para o mundo.
Mentira dizer que eu não gozo das coisas adquiridas na vida adulta: a sabedoria, o poder beber, o
poder falar, o poder ser livre. Mas é doído ter que deixar a inocência da criança para trás.
Hoje, aos 24 anos, sei que tenho coisas melhores na vida. Minhas amizades são mais sólidas, minha cabeça mais sensata, minha vida tem mais direção. Ainda assim, sofro por crescer. Por saber que não terei mais tudo que já tive. Mas aí eu aprendi. Aprendi que posso conduzir um eu-criança comigo. Aí tenho lido meus livros infantis, visto meus desenhos animados, dançado até minhas pernas reclamarem e vivido histórias de amor inventadas. Tenho sido feliz. Afinal, porque não viver de ilusões?


Parabéns pelo texto!