21 de ago de 2013

amor líquido

"Em nosso mundo de furiosa individualização, os relacionamentos são bênçãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo, e não há como determinar quando um se transforma no outro. Na maior parte do tempo, esses dois avatares coabitam - embora em diferentes níveis de consciência. 

No líquido cenário da vida moderna, os relacionamentos talvez sejam os representantes mais comuns, agudos, perturbadores e profundamente sentidos da ambivalência. É por isso, podemos garantir, que se encontram tão firmemente no cerne das atenções dos modernos e líquidos indivíduos-por-decreto, e no topo de sua agenda existencial.

Relacionamento é o assunto mais quente do momento, e aparentemente o único jogo que vale a pena, apesar de seus óbvios riscos. Alguns sociólogos, acostumados a compor teorias a partir de questionários, estatísticas e crenças baseadas no senso comum, apressam-se em concluir que os contemporâneos estão totalmente abertos a amizades, laços, convívio, comunidade. De fato, contudo, hoje em dia as atenções humanas tendem a se concentrar nas satisfações que esperamos obter das relações precisamente porque, de alguma forma, estas não têm sido consideradas plena e verdadeiramente satisfatórias. E, se satisfazem, o preço disso tem sido com freqüência considerado excessivo e inaceitável. 

Em seu famoso experimento, Miller e Dollard viram seus ratos de laboratório atingirem o auge da excitação e da agitação quando a atração se igualou à repulsão - ou seja, quando a ameaça do choque elétrico e a promessa de comida saborosa finalmente atingiram o equilíbrio... "


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“Não se pode aprender a amar, tal como não se pode aprender a morrer (...) chegado o momento, o amor e a morte atacarão – mas não se tem a mínima idéia de quando isso acontecerá. Quando acontecer, vai pegar você desprevenido”.

Zygmund Bauman - Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos.


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Engraçado. Há 5 anos, fui procurar e entender, quase à força, explicações sobre o líquido – a modernidade e o amor – pelos insights de Bauman. Aos 20, não fez nenhum sentido (é como ler "O Pequeno Príncipe" quando criança, adolescente e adulto: a cada momento, ele se explica de uma forma). Preferi ser líquido, mas leve.

Reli por estes dias – em uma mixagem quase que paranóica com o Inferno (de Dante e Dan Brown) – e entendi que é preferível ser sólido, mas com traços de liquidez. É incrível como teu mundo e teu pensar mudam em poucos anos de vida.


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“Tudo o que é sólido se desmancha no ar”, Marshal Bermann.

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