8 de jul de 2013

I am small and the world is big

Carla era jovem. Jovem demais. Acreditava em amores, em ilusões e na bondade. Confiava. Pouco se machucava. Em seus olhos pouco vividos, percebia-se bondade, carinho, amizade, insegurança e rara beleza. Carla conheceu seu primeiro grande amor aos 19. Demorou a entender que era amor e, sem saber, lutou para fortificar uma relação desconhecida.

Passaram-se poucos anos para Carla entender sobre a dor. Músicas faziam mais sentido agora, deixando de lado a melodia contagiante para a lamúria das palavras. Carla sabia que amava, mas não sabia que o amor era passível de tanta dor. Com o coração dilacerado, Carla quis compreender o mundo. Aprender a viver. Andar e tropeçar. Cair. Sentir. Gritar. Tantos verbos em tão pouco tempo.

Seu primeiro amor parecia estar no fim. Carla permitiu-se conhecer um alguém. Desconhecido. Beautiful stranger. Esse se foi em três tempos. Trocou-a por um amor maior, mais longo e mais forte. Carla apagou.

Antigo conhecido, Carla quis tentar. Deu de cara num amor bonito e iluminado, rápido, mas enlouquecedor. Nunca quis machucar, mas quis entender. De mãos pouco dadas, errou. Falhou na hora de escrever o que poderia ser uma linda história. Carla gostava de seriados, mas errava ao tentar roteirizar sua própria vida. O season finale nunca era, de fato, fim.

Hoje Carla deita com a cabeça cheia. Com culpa. Com dor. Com tristeza. Não é mais possível acreditar no amor puro – suas esperanças no ser humano foram se acabando. Calada, entende. Errou, foi errada. Dizem que nos próximos passos ela irá entender que todo mundo erra – e tá tudo bem. Que todo mundo machuca – e tá tudo bem. Que todo mundo é apagado – e tá tudo bem.

Não, não está. Não está tudo bem enquanto seu coração sente culpa, enquanto sua cabeça não está calma, enquanto sua alma não está limpa. De mãos atadas, deu vontade de assistir esse jogo. Difícil jogo, onde todo mundo é perdedor.

Segue tentando, segue errando, segue amando, segue chorando. Resumiu em uma palavra: vida.

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