15/11/2011
Perdi meu jeito, fiquei meio sem fôlego, acabei sem rumo. Perdi os dedos, a boca, o tato, o cheiro. Perdi o apelido, o táxi, o ônibus, o presente. Perdi o carinho, o elogio, o querido, o pequeno. Perdi o sorrisoe o beijo. Perdi a alegria, a briga, a luta, o anseio. Perdi o pedido, o elo, o sexo e o receio. Perdi tudo. Perdi o mundo. O elemento.
Surpresa.
Não perdi a noção.
Não perdi a essência.
Não perdi a inocência.
Não perdi a razão.
Seguimos de mãos desgrudadas, caminhos opostos, palavras cruzadas. Olhos de soslaio para acompanhar cada passo. Não nos perdemos, mas não nos temos. Não queremos. Não percebemos. Não vivemos.
Silêncio.
O amor é uma grande confusão. Assim, perfeito, ninguém aprendeu sobre ele. Anotei, num rascunho de 2009, num guardanapo durante um jantar a dois, o que já tinha vivido, aprendido e usado:
- dói, de uma forma que não sinto na pele;
- sufoca, de uma forma que não me tira o ar;
- chora, mas uma lágrima que não posso mostrar;
- enlouquece, mas eu não posso gritar;
- mata, mas eu quero viver.
Então, sem querer, sem todo o meu jeito e todas as minhas perdas, percebi. Dói, sufoca, faz chorar, enlouquece, mata. Mas ah, ao te ver voltar, entendi de uma vez por todas: é preciso só viver pra amar. Se matar, tudo bem. Nada no mundo vai pagar o meu sorriso ao saber que nada me fiz, além de te amar.

2 Comentários:
Wow, intenso.
'' Não nos perdemos, mas não nos temos.'' Essa é a parte que mais doí!
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Início