25 de jun de 2011

adoidado

Shorts rasgado, camiseta de banda, tênis sem meia e um boné na cabeça. Era um menino que, como eu, amava os Beatles e Rolling Stones. Aos 18 colocou, sem querer, um pé em um caminho diferente da vida. Foi seguindo pra tentar achar o que julgava ser a felicidade. Aos 19, se agarrou ao outro para viver aquilo que nunca pertencera à ele. Foi enganado. De muitas fofuras, acabou ganhando um coração congelado.

20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27... A vida seguiu e os anos pareciam ensinar atitudes. O boné já não era tão engraçado, o cabelo já não era tão cuidado e, pelo corpo, desenhos bem marcados. São 7, número perfeito, mas que vai aumentar. A perfeição é impossível.

Jogado na cama, com suas cuecas cinzas favoritas, relendo seu livro predileto, vendo o mesmo seriado da adolescência, pensando na vida. Apesar de tudo passar, nada parece mudar. Ninguém parece ganhar e o jogo nunca quer acabar.

De mãos leves, cabelos no rosto, carinho nas costas. Tudo são lembranças, pequenos fragmentos de uma memória gostosa que machuca o coração. Adoidado. Talvez tudo seja uma loucura, um mergulho em um mundo de vontades, uma cabeça arejada pedindo aceitação, uma crise que vai durar pra sempre.

É só querer viver e deixar de interromper aquilo que, claro, vai acontecer.

2 comentários:

Gui Amorim disse...

Gostaria de ser o garoto de cabelo na testa, de maos leves,de participar do carinho nas costas..sem ferir ou ter o coração ferido.

Pedro Ricelly disse...

"uma crise que vai durar pra sempre"

u.u