23 de nov de 2010

engraçado, eu tô virando tudo aquilo...

... que eu sempre tive medo de ser. Quem lê isso aqui, sabe: aniversário é sinônimo de post com avaliação da vida, avaliação do ano. Final do ano acontece a mesma coisa, aquela retrospectiva básica com espaço para lamuriar todo o ano. Lembramos das coisas ruins, mas as boas nunca se tornam importantes demais. Enfim. 25 de novembro. É tudo sobre mim.

A cada ano que passa eu me sinto mais longe de mim. Digo, daquilo que eu imaginava quando eu tinha lá meus 10 anos de idade e vestia um short de moletom do Mickey. Ou aos 12, quando eu sabia que Hogwarts era a minha escola e nada e nem ninguém poderia tirar isso da minha cabeça. Ou aos 16, quando, bem, quando eu comecei a entender a vida.

Profissionalmente, feliz. Mais do que eu sempre imaginei estar. Mais do que eu nunca estive. Mais do que eu queria estar com essa idade. Eu devo ser bom em alguma coisa, por fim. 2010 foi um ano importante pra mim. Eu decidi mudar de emprego meio às cegas e, mais do que nunca, percebo que dei um tiro certeiro: é aqui que eu quero estar, é pra cá que eu penso vir todos os dias que acordo. Seja pelo local, seja pelas pessoas, seja por qualquer outra coisa. Eu realmente quero estar - e ficar - por aqui.

Mas aí vem aquela análise difícil de vida, felicidade e prosperidade. É difícil crescer e eu percebo isso a cada dia. Ontem, era legal gastar todo o dinheiro que tinha e falar isso pra todo mundo. Hoje, é difícil saber que, devido à ação de ontem, hoje eu não posso ir para a minha casa - minha, que eu sustento e tenho espaço - e ficar de cueca vendo desenho. Por causa de ontem, eu não posso sair com os amigos e voltar pra casa às 2h da manhã porque não quis juntar dinheiro para comprar um carro. Preferi 30 calças. A vida financeira é divertida, mas pesa. Crescer com uma conta no banco não é para os fracos, não. Hoje eu tô me ajeitando, mas poderia estar bem mais tranquilo e realizado em relação à isso - se soubesse me controlar e a pensar.

E a personalidade?
Em 2011 eu entro na terapia e não há quem me tira disso. Existem alguns pontos em mim que eu sinto muita vergonha. Algumas besteiras que falo, penso, faço. Algumas ações desnecessárias. Alguns ataques infantis. Preciso resolver a vida. Vou entrar nos 23. E, sim, isso é estar velho demais pra viver igual aos 18. Não posso mais perder tempo. É agora. Ou é nunca mais. Prefiro avaliar e viver o agora. Preciso viajar sozinho, fazer um mochilão incrível. Preciso reapaixonar. Preciso viver um pouco mais e dormir um pouco mais feliz. Não chorando. Não gritando.

E tenho malhado muito, porque nem o metabolismo tá lá essas coisas. Dei um adeus pras fritas e picanha e tô apostando firme no franguinho e maçã. Vamos que vamos. Um dia fico bonito. Ou não.

Ontem, eu tinha vontade de ficar no computador a madrugada inteira. Hoje, um pouco mais velho, eu quero tomar um bom vinho, pegar na mão de alguém - que seja bem quentinha, por sinal - e sair andando na rua, meio que chuviscando, cantando alguma besteira e dando risada. Depois, comer um doce gordo e dormir de cueca.

Por fim, viajar. All over the world.

É. É isso que eu quero viver a partir de quinta-feira. Depois dos meus 23.

Seja bem vinda, idade.

6 comentários:

Lucas B. disse...

Me sentindo da mesma maneira... Vejo meu aniversário se aproximar e vem com ele todas essas reflexões...

Leonardo Couto disse...

É. Você conseguiu se descrver me descrevendo...

Pedro Ricelly disse...

E que seja muito bem vinda.

wilL disse...

Valorizo toda essa reflexão de aniversário. Belo texto. Parabéns

Anônimo disse...

Muito bom Caio. Parabéns!
Esse texto me fez repensar sobre várias coisas.

parasersincero disse...

Achei o texto genial.

FrancoSG