21 de jul de 2010

um personagem

João era puro sentimento. Tinha a pele lisa de carinho e os olhos brilhantes de paixão. João era torto, feio e tímido. Escrevia poemas que nunca eram lidos. Amava uma garota que nunca era vista. Falava com as paredes por serem suas amigas. João era um êxtase da juventude. Ele rasgava suas camisetas.

João gostava da sensação típica de vários pré-adolescentes - e que eu aposto que vocês, que estão lendo tudo isso, também ainda adoram: andar na rua e sentir o vento bater no cabelo, fazendo os fios voarem e baterem no rosto, como se fossem livres. Livres do corpo. Livres do personagem. Livres da pessoa. João adorava pegar o metrô porque o vento chegava com força. João adorava dias de chuva porque o cabelo machucava. João adorava cantar no chuveiro porque o cabelo era rock star.

Além de gostar dos ventos e das camisetas rasgadas, João também gostava de ver. Ver a mulher passar. Ver o padre rezar. Ver o cara cair. Ver a vida andar. Ver o cachorro comer. Ver a luz apagar. Ver a mão cozinhar. Ver a irmã chorar. Ver o amigo gritar. Ver a amante trair. Amante? Amante dos sonhos.

João era puro sentimento, mas não sabia o que era amar. Sabia que doía, sabia que fazia chorar. João sabia que tinha aquela brincadeira de encantar, de olhar, de sonhar, mas não sabia - e acho que nem queria - saber o que era amar.

Todo carinho, toda paixão que nunca fora usada. Ninguém nunca quis João. Eis que aparece Maria. Clichê. Maria e João. Os dois eram um casal. Maria apareceu feliz, encantada, amante, amada. Maria jogou com João. Maria brincou. Maria traiu. Maria chorou. Maria iludiu. Maria brigou. Maria inverteu. Maria gritou. Maria bateu. Maria correu.

João conhecera Maria.

Talvez fosse melhor não.

6 comentários:

@joao_pessoni disse...

prazer Joao

saiidee disse...

gostei da história me indentifiqei com o joão-
:DDD

Felipe Gladiador disse...

Vou criar a tag #porracaio, pq né, fazer os coleguinhas se emocionarem sempre num vale HahAHAHA
Excelente texto =D

andre disse...

A historia meio distorcida de João e Maria. Sempre me identifico com o seus textos. SEMPRE!!
abraços

Pedro Ricelly disse...

Talvez fosse melhor assim

Marcelo disse...

Cara... sério! Tive que ler seu texto três vezes! Não que ele não esteja claro, pelo contrário! É que me fez pensar em tanta coisa. Engraçado isso. No primeiro parágrafo em meu vi no João. Acho que todo mundo é meio João em alguma fase da vida. Ou não. Eu sei que eu, aos 30, ainda sou assim, tipo o cara.

Doido isso. Chega uma hora que todo mundo encontra sua Maria. É o velho papo da vovó que pra todo pé cansado tem um chinelo velho. Só que nem sempre, tudo são flores. Quem já foi casal (nossa, soou estranho isso... tá certo?) sabe o quão deliciosamente complicado é. Pois é. Nem tudo são flores...

Ainda não sei o que pensar desse final. Seria o quê? Antes só que mal acompanhado?!

Eu que ando só, depois de um relacionamento de muiiiiito tempo, vou pensar nisso antes de cruzar com a próxima Maria por aí.

Adoro o seu blog!

Abração!