2 de jun de 2010

me and you, just us two

Definitivamente, eu não sei levar uma vida à dois. Vamos aos porquês antes de qualquer comentário e reflexão. Sou mimado. Aos 7 anos de idade, ingressando no primário, tinha crises de carência, medo e pânico pela ausência da minha mãe. Saia da escola às 17h e, caso mamãe não estivesse na porta, achava que ela havia morrido ou tinha se enchido de mim e, por isto, iria morar com as freiras do colégio para sempre. O escândalo era gigante: eu chorava, passava mal, gritava. Fazia uma cena incrível na escola, até minha mãe chegar. Dois meses depois, todos os dias às 16h40 via minha mãe pela janela da sala de aula.

Mais crescido, já com uns 13 anos, minha mãe saia às 22h para fazer a unha e conversar com as amigas do meu prédio. Ela subia para uma salinha ou ia para a cara da manicure do prédio. Eu não dormia até ela voltar. Isso sem contar os dias que eu descia e ficava sentado na escada, ouvindo a conversa, só para saber que minha mãe não iria me abandonar. Isso durou uns dois belos anos, até que minha mãe parou de fazer as unhas - e eu dei uma ligeira crescida.

Naquela época não tinha este papo de psicólogo - e eu era muito criança para isto. Tentamos uma vez, mas a moça fez eu colocar uma máscara de palhaço na sessão. Nunca mais voltei. Quando cresci, nunca mais pensei que ia ter este tipo de sofrimento - acredite, é um sofrimento abusivo, louco, que estraga qualquer coisa que você for fazer de legal. É a sensação de abandono. A insegurança. A sensação de achar que, algum dia, vão se encher de você.

Hoje isto se aplica na 'minha vida à dois'. Eu não sei amar, e isso eu já tinha definido pra mim mesmo. Não sei gostar de alguém porque, quando gosto, gosto demais e acabo sufocando. Fui assim com minha mãe. Hoje tenho pena. Sufoquei ela demais. Era amor demais. Talvez aquele papo da fase fálica mal resolvida ou algo assim. O que importa é que isto tudo me fez virar uma pessoa extremamente ciumenta e, como já disse, insegura.

Não consigo pensar em deixar quem eu amo sozinho. Sempre acho que esta pessoa vai achar algo melhor, alguém melhor, vai sair sem me contar, vai fazer tudo de errado para, por fim, me ver dias depois com um sorriso na cara, como se nada tivesse acontecido. Eu gosto de estar sempre por perto, sempre vigiando, para saber o que está de errado. Mas a vida tá me mostrando que não deve ser assim. A vida tá me mostrando que eu preciso me desligar, que eu preciso saber deixar as pessoas viver sem mim.

Eu sei, eu sou o problema de tudo isto. É só uma parte de mim que não consigo resolver. Não consegui antes, não consigo agora. Talvez, na real, o motivo seja o seguinte: eu quero resolver? Talvez eu gosto de ter alguém mostrando que está ali pra mim, sempre, na mesma rotina, com o mesmo horário marcado. Talvez eu goste disto. Talvez eu precise.

14 comentários:

guilherme disse...

profundo. muita gente passa por isso. culpado! eu tb passo. ):

Anônimo disse...

Tenho o mesmo problema, case-se comigo ! aehaioehoehiou

Alexandre Lima disse...

Amar não é fácil. Você deve redescobrir a pessoa a cada dia, mas... e se a pessoa nao quiser ser descoberta? se no início ela (diz que) te ama e alguns meses depois ela cansa do "amor em excesso"?

É complicado... e acho que nenhum psicólogo consegue definir "como fazer certo".

Só nos resta, meros mortais, continuar-mos tentando.

Barbara disse...

Gostei muito, eu tbm tenho problemas pra amar, nunca tinha pensado que poderia ser por amar demais.

Caju disse...

Tirando a parte da mãe... Bem vindo ao meu mundo!

@VenancioAndrade disse...

Se quiser alguém igual a vc, tamos ae! haha

Anônimo disse...

Ah se quiser existe haha

Anônimo disse...

Eu entendo essa sua agonia chamada insegurança... Eu não sofro disso, mas consigo me colocar no seu lugar... :x
O melhor mesmo é você começar a confiar e acreditar no que a outra pessoa te diz, se preocupar mais com seus sentimentos do que com as atitudes dela. E se ela não te entender, é porque não te merece. :p
Sufocar não é bom, uma hora cansa. Mas o bom é que você percebe isso. Talvez esse seja o primeiro passo pra melhorar!

(Okaaaaay, não sou psicóloga nem estou querendo dar uma de, mas é que me deu vontade de falar! =D)

Um beijo! :*

Anônimo disse...

NOSSA! ainda estou ''pasmo'' em ter lido isso! seriooo!
Um amigo distante me mandou , e tudo o que lí parece vc falando ou alguem falando de mim! MeDoOo rs!
um abraço.

andre disse...

Vc acabou de descrever a mim e a minha infância. Não sei amar "de menos", acho q ninguem consegue isso 100%.Tenho cicatrizes que ainda doem por conta disso de vez em quando. Anyway, "Se quiser alguém igual a vc, tamos ae! haha"
HÁ!

Fernanda Zanol. disse...

É, a gente esquece que as pessoas tem suas próprias vidas e não podem de repente parar de viver a vida delas pra viver a nossa. Mas eu também sou assim, espero demais das pessoas e depois sofro por causa disso. =/

beeeijo! Amo vir aqui.

Mell disse...

Ah Caio, eu mesmo passei anos dizendo "o meu cupido usa drogas" por que nada dava certo comigo. Até que um dia eu simplesmente amei, sei lá, é fácil sabe?
É simples qd é com a pessoa certa, quando é reciproco, de forma que os 2 descobrem juntos a melhor forma de ser 2 em 1, 2 pessoas diferentes, porém 1 casal :)
Qualquer dia desses tu vais descobrir isso...

andre disse...

É a terceira vez que eu leio esse post e chego a uma outra conclusão.
Viciei nisso aki!

Guilherme Athayde disse...

"A gente tem um monte de amigos, a gente vai a festas e fala no telefone e se encontra na internet, e isso parece construir uma espécie de proteção contra as coisas, a gente esquece que toda relação tem algo de virtual, porque, no fim das contas, nenhuma solidão é capaz de misturar-se a outra."