3 de fev de 2010

Eu tenho tanto, pra lhe falar...

... mas com palavras, não sei dizer. Como é grande o meu amor por você. Começo, assim, sem aspas, como se fossem palavras ditas por mim. Não foram, todos sabem. Porém, de vez em quando, o nosso coração copia algum momento, alguma ideia, alguma expressão pra se mostrar vivo, pra se mostrar machucado, pra se mostrar. Então é assim, sem ele saber o que dizer, sem ele entender o motivo, que ele bate, suspirando baixinho, só para aqueles que encostarem o ouvido por perto escutarem: é grande, sim, o amor que ele sente por você.

O coração suspirou por muitas noites. Ali, junto do meu corpo, jogado naquele lençol verde-limão durante um sono profundo, com as mãos seguras ao lado de outro corpo, diferente, mais bonito, mais amado. O coração pulava mais forte quando o carinho chegava, o coração ficava mais calmo depois do sexo, o coração ia a loucura com o beijo. As borboletas do estômago subiam, felizes, coloridas, mas não. Ninguém estava ouvindo os suspiros. Ele se expressou de forma singela por longos anos. Antes, diziam ser bonito. Com o tempo, aprendeu a ser sincero. Deixou de lado o que tinha de ingênuo para aprender que a vida, caro corpo, a vida quem comanda é ele. E se ele se machuca, nada anda.

Coração que bate forte, dói lá dentro, quando você finge ir embora. É isso que esta coisa no peito sempre quis mostrar. É isto que, loucamente, freneticamente, ele tentou gritar. Mas ele não tem forças, tadinho. Ele é menor que você. Ele é menor que sua vontade. Ele é tímido. Enquanto ele queria mostrar o sentimento que ele escondia, os olhos do teu corpo, este corpo louco, estava lendo algum livro de um romance perdido. Teus ouvidos escutavam outra música, com outra melodia, longe da criada com maestria por este pedaço de corpo.

Então, um belo dia, o coração resolveu parar. Assim, do nada. Não parou de funcionar, mas resolveu parar de amar. O corpo sofreu. O corpo enlouqueceu. De tudo um pouco, o coração avisou, claro e doido, que não queria mais dizer nada, que deu seu último suspiro. Estendeu a mão do corpo para o outro, fez os olhos se voltarem para o monstro, cuspiu uma lágrima pelo olho e, como um louco, se enganou, de novo.

Coração de verdade não deixa de amar, só se deixa iludir. O corpo é forte. O resto é homem. O coração entendeu que o amor, que, sabem, ele achou encantador, mas um belo trapaceador, é o que o mantinha quente. Então assim, como quem não quer nada, pegou um ensinamento antigo do perdão, engoliu toda a sua razão, chorou de ingratidão, pediu compaixão, abaixou a mão, vibrou com imensidão e, num sorriso da boca, amiga de longa data do corpo, conseguiu, enfim, exalar o seu suspiro de gratidão: não vai, porque sem você não existe motivação. Nem razão. E, é claro, nem coração.

9 comentários:

@vbrv disse...

tá paixonado, eh?

@vbrv disse...

tá paixonado, eh?

Felipe disse...

Cacete, Caio.

Que lindo. :~

Suellen disse...

Uma das coisas mais bonitas que eu já li na vida. Me deixou animada para arriscar! Parabéns, tu escreve muito :)

Igor disse...

Mais um texto lindo! =)
adoro teus textos! vc escreve muito bem! :)

Gabriela disse...

Gente, que lindo!
Sabe, se eu tivesse um "euquero", o meu seria este: ler os teus textos todos os dias, ou semanalmente num jornal, numa coluna escondida pelos estardalhaços das notícias vagas e cruéis, bem, seria esse o meu euquero.

Gabriela disse...

Gente, que lindo!
Sabe, se eu tivesse um "euquero", o meu seria este: ler os teus textos todos os dias, ou semanalmente num jornal, numa coluna escondida pelos estardalhaços das notícias vagas e cruéis, bem, seria esse o meu euquero.

Gabriela disse...

Aleatoriedade: tá, confesso para você, que mal conheço, o quão me identifico com os seus textos e isso me alivia, porque me sinto extremamente estranha ou complexa... Sinto que levo os sentimentos muito à sério, só que você tbm os carrega com intensidade... Sinto que perco o controle e que os planos vão embora com o meu piscar, só que leio, in.felizmente, as tuas entrelinhas que dizem e descrevem tudo isso.
Obrigada, jornalista Caio Caprioli.

Gabriela disse...

Aleatoriedade: tá, confesso para você, que mal conheço, o quão me identifico com os seus textos e isso me alivia, porque me sinto extremamente estranha ou complexa... Sinto que levo os sentimentos muito à sério, só que você tbm os carrega com intensidade... Sinto que perco o controle e que os planos vão embora com o meu piscar, só que leio, in.felizmente, as tuas entrelinhas que dizem e descrevem tudo isso.
Obrigada, jornalista Caio Caprioli.