8 de out de 2008

Irreversão

Quando ouço os pássaros cantarem a tristeza, vôo para a escuridão, com a impressão de que, escondido da luz, eles, cegos como pedras, nunca irão me ver. Deixando de lado tal aliteração e qualquer que seja a rima, que dôo para os outros, percebo que dos pássaros não vem a tristeza, somente o prelúdio do sentimento que de abstrato não tem nada. Mais forte é quem agüenta o não tocável e não suporta o concreto, que mais forte é aquilo que a gente não vê e não rela do que aquilo que a gente tromba. Voltando ao vôo dos pássaros, que vão para não sei onde carregando a nuvem escura de não-felicidade, eles a derrubam sobre os fracos que não têm voz e vez. Deita-se então o infectado em um chão gélido e trepido que se anima com o bater do coração e a falta de força alheia. O relógio que não pára manda embora o tempo sagrado e acaba-se a graça das horas. Tic Tac. Acabou também a minha graça e felicidade.

Um comentário:

Gabriela disse...

Você é... pura poesia.