7 de ago de 2008

Um texto que demorou para ser escrito

Faz tempo, né? Não que me leiam muito, acho que nem eu agüento mais minhas lamúrias esquizofrênicas. Mas é sempre bom falar, mesmo que ninguém ouça. Sou ótimo para falar – pela internet, cara a cara a coisa complica – mas me julgo um péssimo ouvinte. Não sei porque, mas me perco nas palavras na hora de ajudar a quem precisa. Sorte de quem me pega num dia desenvolto, aí acabo falando tudo que acho e penso. O iBoy tem ajudado muito, mas de vez em quando – quando eu percebo que formo, de fato, opiniões – fico pensando se sou apto a fazer isso. Medo que alguém tome atitude errada. Aquele lance de faça o que digo mas não faça o que eu faço vale muito pra quem me conhece.

Enfim, to vivo e bem comigo mesmo – tirando a dor nas costas que me agarrou. Parece chiclete, sempre que levanto, lembro que tem algo que me impede de andar com desenvoltura. Ok, foi demais.

Escrevi hoje no Bookmarks uma resenha curta sobre um livro que ganhei, o Carta a D. – história de um amor, do André Gorz. Como todo homem deve plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho e eu ainda não fiz nenhum destes, talvez pela idade (20), posso começar escrevendo blogs. Se adaptada, eu ia bombar na parte do escrever um filho. As árvores, quando crescer, planto alguma no meu sítio que irei ter. O filho... bom, dada as circunstâncias, terá de esperar. Voltando...

Sobre o livro, é bem uma carta de amor, sincera, daquelas que te faz pensar no seu amor e na sua vida. Pensei em adaptá-la, mas vi que não dá certo. Cada um tem um começo de história, um prefácio, uma forma de se declarar. A minha, pra sempre, vai estar em modificação. Nem no dia em que tudo acabe eu poderia concluir uma obra parecida. A cada dia somam-se inúmeras lembranças que eu registro. E elas vão desde palavras até gestos. Cada vírgula é amada, cada suspiro é enlouquecedor.

Minha história de amor começa numa praia, ambiente no qual nunca estivemos juntos. Ali, deitados abaixo do céu, sinto uma respiração que não é minha, mas me completa. Um respira, o outro expira. Tudo em sintonia. No ar, a gente expeli palavras que vão e volta, misturadas por gestos de entrelaçar os dedos, que possuem uma aliança, simbólica.

Você está prestes a fazer os seus 26 anos, perdeu alguns fios de cabelos, ganhou outros brancos, mas continua bela, graciosa e desejável. A gente ainda não vive juntos e eu já amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.

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