1 de fev de 2008

Dos grandes nomes da literatura

As videntes queriam tanto ler as minhas linhas. Pegaram, sem eu deixar, as minhas mãos e começaram a vomitar a minha vida, os meus atos e até arriscaram o meu amor e morte. A cartomante do grande escritor errou tudo, acertou com a dor da traição o peito de uma mulher que ficou estirada em uma sala. A minha premeditou palavras arrogantes sobre a minha personalidade. Sucesso, dinheiro, casamento, filhos, mulher bonita e muito futebol para honrar a minha ‘brasileiradade’.

As cartas, depois, me disseram que eu seria alguém feliz, só para concretizar o que as minhas próprias mãos já haviam lido. Quiromancia, música triste e uma bola de cristal, por ela a gente pode ver o mundo através dos espelhos que refletem imagens falsas, que enganam os nossos olhos e nos fazem acreditar num reflexo absurdo. Talvez não tanto.

A borra de café julgou-me alguém prepotente. Acredito, eu, que essa acertou em cheio. Bem do café, bebida que odeio, surgiu a mais honesta das previsões loucas que cinqüenta reais puderam pagar. Sou prepotente, mesmo.

De resto, saí acreditando que tudo daria mesmo certo. Aquela ali soube fazer a minha cabeça easy going que acredita em qualquer palavra de felicidade que alguém me escreve. Ela me disse, ela me disse. Os astros iriam me abençoar. Mas acabou ali, mesmo, como o tiro da moça de antes, a minha vida. Quando saí, dei de cara com o meu grande amor andando de mãos dadas com outro homem, o meu carro havia sido furtado e toda a minha casa, do outro lado da rua, estava em ruínas. Baboseira, não disse? A morte era inevitável, meio que estilo Macabéa: vi meu carro amarelo, minha pessoa rica e tudo não se passou de cimento no rosto, espatifado no chão, junto com todo o meu corpo. Que final trágico para alguém tão surrealista, não?

Pois bem, é aí que tudo começa. A minha história surge daí, quando me levantei, com a ajuda das mãos de um anjo, vi os dois olhos castanhos mais iluminados e diferentes de todos que já vira na vida. Aquelas mãos sedosas, com um toque aveludado de carinho, me fizeram acreditar que a união extrema de corpos existia. Saí arrastado, assim, como um zé ninguém, no carro de uma desconhecida. Parti para uma vida nova, se a cartomante errou todo o meu futuro, então ninguém poderia conhecê-lo. Melhor arriscar e mudar.

Era, realmente, o amor da minha vida.

Pronto, acabou o meu conto de amor. Tudo foi uma mentira, acreditem...

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