28 de fev de 2008

Depois do anúncio, a venda

Transa assim, sem censura, alugada em um quarto de motel barato da cidade vizinha. Eram quatro da tarde e já não havia impedimentos. De porta aberta, a menina, sentada na cama, não pensava em nada, somente na transa. Caiu do cavalo, ninguém compareceu. De queixo no chão, saiu, de cabeça no alto. Passou pela porta, de madeira, deu adeus ao local, foi atrás de uma outra aventura.


Despretensioso, egocêntrico, deu vontade, ligou e marcou. Passou. Não queria mais, não era coisa de sentimento, era só satisfação. Quase ao meio, bateu o pé e ficou sentado, na porta de casa, vendo a menina passar. Desconhecido, olhou de soslaio o corpo mulato e fingiu não se impressionar. Voltou, de sorriso no rosto, pra dentro do quarto, onde tudo fora mais engraçado.


Mas que otário. No ponto do ônibus, flanando fora dos prantos, o sentimento incólume, o coração aos berros, a cabeça de canto. Menina bonita, de olhos atentos, sentiu o mundo, mas não percebeu o vento. Ares novos que trouxeram razão, aromas diferentes com um pouco de aflição.


Ele, já em sua cama, tirando o par de meias dos pés cansados, obscuro em seu grande quarto, lembrou-se da moça. Seria assim, uma transa, sem censura, alugada em um quarto de motel barato da sua cidade. Seria, porque não foi. Junto com o tempo, perdeu o momento, o momento do vigor, do êxtase, o momento do amor.

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