17 de jan de 2008

a melhor review

E eis que, quase um ano depois...

"Ela pôde amaldiçoar, cuspir e se encostar no dono de seu coração, ela pôde insultar suas rivais e roubar seus namorados, e depois dar um pé na bunda do namorado por não entendê-la, uma vez que ele lhe pertence."

Bom, aquela tosca fase gótica não durou muito! Com toda a impaciência de uma adolescente rebelde e também misteriosa, Avril Lavigne atravessou a fase Under My Skin melancólica de estudante do ensino médio e saiu do buraco com o seu terceiro álbum, The Best Damn Thing.

Sinceramente, a mudança em ritmo vem como um reforço. A Avril séria de Under My Skin nunca se sentiu pura – a transição da exuberância de "Sk8er Boi" à cólera de "Don't Tell Me" e "My Happy Ending" pareceu repentina e forçada, uma tentativa desnorteada de provar que Lavigne é uma compositora de verdade – então, logo que The Best Damn Thing estréia com o estrondo do chiclete "Girlfriend" e sua líder de canto, tudo dentro do mundo de Avril pareceu correto novamente. Se, por algum motivo, seu terceiro álbum parece mais adolescente que seu agressivo, atrativo e superficial álbum de estréia, Let Go, talvez é porque esse é um álbum onde Avril pôde soltar-se. Ela pôde amaldiçoar, cuspir e se encostar no dono de seu coração, ela pôde insultar suas rivais e roubar seus namorados, e depois dar um pé na bunda do namorado por não entendê-la, uma vez que ele lhe pertence. Ela se joga impacientemente sobre as poderosas baladas – só há três delas, todas com ritmos impecavelmente melódicos feitos para manter o público mais adulto que Let Go conquistou, todas melhores que às equivalentes de Under My Skin – porque ela não consegue esperar para voltar e subir ao inferno como o pirralho maltratado que ela foi proposta a ser.

Avril jura assim como ela descobriu a profanidade, alegremente cuspindo as palavras de quatro-letras [f***] (e seus derivados) com satisfação, mas tudo o que ela faz aqui ela faz com irrestrita satisfação. Ela acredita verdadeiramente que é a coisa mais f*** que você já viu, ela sabe que tudo é sobre ela – ou, como ela grita em "I Don't Have to Try", 'I wear the pants!' ['Eu comando!'] – e, se você não concorda, ela sabe que você está errado e você pode ir para o inferno (na verdade, provavelmente ela falaria algo muita mais forte). Esse senso de direito com certeza irá atingir qualquer um que tenha um pouco mais dos 22 anos de Avril, que também irá achar que as constantes lamúrias de Avril dizem que: ela não é punk, ela é uma pirralha que qualquer velho punk grisalho tem vontade de bater com um bastão de baseball. (Como você sabe se você é um desses caras velhos? Se você reconhece o refrão de "Girlfriend" como plágio dos Rubinnos "I Wanna Be Your Boyfriend", você é um cara velho, mesmo se você tem 20 anos). Mas o The Best Damn Thing não foi feito para eles, nem foi feito com algum senso (ou até mesmo respeito) pelo passado: a música foi criada para existir totalmente no momento atual, numa época onde um momento passa mais rápido que a luz. E, francamente, isso é o que há de bom no The Best Damn Thing: é tão exuberante, irreverente e animado como qualquer outro pop chiclete, desafiantemente bobo e superficial, mas também delirantemente atrativo.

Se Lavigne não tivesse os ganchos – se nem "Girlfriend" ou o título da faixa fossem dirigidos pela líder do canto, se "Everything Back But You" não rosnasse como o primo Green Day, se "I Can Do Better" não agitasse no seu refrão – sua atitude rebelde seria insuportável, mas essas são ótimas e viciantes músicas pop que são mais fortes e frescas e luminosas que seus grandes hits de Let Go. Verdade, isso está longe de ser profundo, mas Under My Skin provou que uma Avril profunda é uma Avril azucrinante. The Best Damn Thing, em contraste, mostra a todos sua força jovem, através de um pop pegajoso – o tipo de música que proporciona uma lista de músicas para adolescentes e prazeres culposos a todos. [The Best Damn Thing está disponível numa versão deluxe, contendo um CD bônus. A edição normal é uma versão censurada do álbum sem os numerosos palavrões].

Por Stephen Thomas Erlewine


Achei digno, chique e com o melhor quote que eu já li na vida.

Um comentário:

Mariana Guerra disse...

Uma ótima crítica da Avril. Muita gente não gosta por ela ter se contradizido de tudo que ela fez desde o primeiro álbum.
De skatergirl à patricinha, acho que ela arrasa muito mais! Adorei quando Girlfriend lançou, eu adorava dançar essa música com a Ju na biblioteca do colégio.
When're You Go fez sucesso depois, ainda choro vendo o clipe.
Hot a maior paixão atual, não dá pra não deixar ela cantar sozinha.
Agora, porque mesmo tem gente que não gosta mais dela?
(estúpidos)

Beijo