11 de jan de 2008

De três minutos da tarde

Murchou com uma flechada certeira no ponto errado, maldito. Foi-se embora o que mais tinha de bonito. Agora, largado aos ventos, ainda incólume mas sem fôlego, segue despedindo-se do que lhe fez tão mal. Diverge entre um diário e outro - com lembranças mal contadas e escritas às pressas pela esperança de nunca precisar relê-las - e eis que surge a página marcada com o gotejo dos seus olhos fotográficos. A mesma imagem, a mesma palavra. Um dia derretido, despejado, depremido, desajeitado e tantas outras palavras criadas por aliteração, não importa. Chora agora a alma pela boca, o corpo não responde os movimentos e o coração já não sabe mais se a vida lhe vale a pena.

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