19 de dez de 2007

Reprodução exata de um momento não fotografado

O legal de ficar a dois é seguir com os olhos o olhar do outro, analisar friamente a expressão criada e o arquear das sobrancelhas, que se movem juntas, para cima ou para baixo, intensificando o semblante. O legal de deitar a dois é sentir o calor do braço de alguém por cima do seu corpo, algo que, sozinho, não é possível. O melhor de tudo é sentir nas suas costas uma respiração quente, que não sua, e um coração batendo mais forte quando se aproxima de seu corpo. Dormir ouvindo o cantar do eu te amo e acordar sentindo um aroma diferente, que não seu, porém melhor e único, irreconhecível à distância e não comparável com qualquer outro odor. O mais gostoso é olhar profundamente a face de alguém e perceber que, de tão reconhecível, em seus sonhos ela se torna permanente e sua mente exige a presença em qualquer situação.

É uma obsessão. Podia ser querida ou única, mas veio sem permissão, abriu algumas feridas antigas que há muito tinham sido costuradas e esquecidas. Com força, o sangue bombeia novas batidas e veias se enchem daquele líquido saboroso. Novos movimentos, novos ares, novas idéias e outros sonhos.

E então tudo desaparece. Com um piscar de olhos, uma transparência de sentimentos vomitados pela janela de um carro em meio a qualquer lugar do mundo. A companhia é a mesma, que nunca se foi pelo ralo, ficou ali de mão cheia, com uma carta escondida, esperando pela indagação. Esqueceu-se o gostoso. Aproveitou o enfado. Desabrochou. Deitou-se e fechou os olhos como outrem. Transeuntes da rua escura foram testemunhas de um choro enrustido. Ao lado de uma rosa de outra cor, exposto e claro para quem quisesse ler, palavras de amor apagadas de um rascunho de papel. Sólidas e presentes, um lindo texto se perdeu, junto com uma grande história: como uma tijela de água no forno, foi-se quente. Desligaram e tornou-se morna. Nenhum dos dois esbravejou força para reacender o fogo e aquecer a água que, mesmo fria, evaporou-se. Virou ar. Re-sublimou-se. Foi-se.

Brincando de criar metáforas, esqueceram-se de tudo. Mas ainda há a liquefação, a luz no final do túnel, a transparência, o desespero, o grito de dor, o gemido de morte, o abraço, o ‘uta’, o beijo, o amor, o pudor, o pavor...

4 comentários:

Danielzinhu disse...

Ki blog d bixa...


bjus
*Danielzinhu*

Caio Caprioli disse...

mas vindo de você, Dani, eu tomo é como elogio HAHAHHA ;D


saudads mlke

Jujuqui disse...

Não esqueci meu blog... Apenas tô com preguiça de postar... Aliás, tô com preguiça de ler o seu também. Tchau!
XD

jos! disse...

a última vez que senti um braço em cima de mim era o meu mesmo... não sei o q fiz na cama q ele estava dormente e tão torto que passava por baixo de mim e ainda cutucava a orelha... enfim...

a respeito do cheque especial... vi que lançaram um tal de cheque essencial... mas se já me afogo no especial com 10 dias sem juros, imagina o que nao farei com esse outro!!!

precisamos tomar cuidado!

aliás, prazer em te conhecer!