24 de dez de 2007

da última virada

"Ano vem, ano vai, e as mudanças prometidas nunca chegam, certo? A gente só percebe que o tempo "voou" quando fazemos uma espécie de auto-avaliação de nós mesmos. É exatamente assim que me peguei na virada do ano. Dia 31, o litoral inteiro bêbado e eu ali, caído em frente à um vaso sanitário branco, vomitando. Não sei a razão, mas acredito que alguém não quis que eu tivesse uma boa virada de ano. Ano chegou, aqueles fogos intermináveis, o meu olho se colorindo de acordo com o céu e a sensação de que o mundo iria mudar ficou parada na minha cabeça por exatos 21 minutos, quando ouvi a última explosão denunciando o final do show. Junto com o show, meus pensamentos benevolentes para o mundo explodiram de uma só vez. Voltei para casa e senti uma brisa gelada. Estava com febre. Há quem afirma que o que acontece na virada do ano, permanace por ele inteiro. Não, não quero passar 2007com febre não, já estão dizendo que ele será o mais quente da história, imagine só!

E assim veio o ano. Com algumas esperanças surgindo pela minha cabeça e alguns pensamentos aflorando. Senti que tudo iria ser diferente por causa de alguns dias que anteciparam a data, mas quando caí na real, vi que as coisas poderiam ser mais iguais do que já eram. Afinal, quem tem o poder de mudar tais coisas sou eu, somente eu. Então, o primeiro desejo de 2007 para mim mesmo foi ser mais "eu". E ponto final!

Meia-noite e alguns pouquinhos, parado de frente ao mar esperando duas pessoas voltarem de um ritual cabalístico - ao menos para mim - de fim de ano. Na minha frente, três jovens (e não venham me chamar de vovô!) fumando um baseado. Fiquei pasmo, de boca aberta! Nos meus 19 anos de vida, nunca havia visto tal cena ou tal objeto. Mas daí lembrei da situação que estamos vivendo, aquela volta de um movimento "punk" não tão característico quanto os de 70. E daí? O cara olhou e disse: "-Quer?". E na mais óbvia das respostas, eu me perdi. Fiquei parado, pasmo. Virei e saí andando. Ao menos ele foi simpático, certo?

Depois, no dia 1º, tive a sensação de começo mais melancólica da minha vida. Nunca quis tanto acabar com algo e não querer começar de novo. Voltei para a vida real, onde trabalhamos, e deixei de lado a idéia de um mundo ideal - para mim. De volta à capital, as ruas vazias e o vento jogando a chuva para todos os lados, as pessoas que não me empurravam nos metrôs e o silêncio (ensurdecedor, de certa forma) pelas ruas de uma cidade que "nunca pára".

Ao entrar em casa, muitas mudanças. Uma cortina, um colchão e uma saudade. "

Um comentário:

Mariana Guerra disse...

O melhor pedido de ano novo é ser "eu mesma"!
Sério que na virada pra 2007 você passou vomitando? o_o