12 de ago de 2007

Personal friend

Depois de um modesto, direto e perturbador tapa na cara na sexta-feira à noite, aproveitei o meu domingo frio para ler um jornal. Quando terminei, achei o que pode ser a minha maneira fácil, rápida e eficiente de ficar rico sem esforço: quero ser um “personal friend”.

É um trabalho para poucos: você vende o seu corpo e tempo para se dedicar, por no máximo uma hora, a uma pessoa totalmente desconhecida que precisa de alguém para desabafar e, depois, receber conselhos. No geral, são executivos ou donos de empresas, que têm dinheiro demais, porém amigos de menos. Daí você vira o seu “personal friend”, igual a um “personal stylist” ou “personal trainer”, mas, ao invés de dar conselhos de moda ou exercitar o corpo, você satisfaz a alma da pessoa, fazendo-a acreditar que o dinheiro paga tudo e você pode ser feliz com um amigo – uma versão trial, que expira após certo tempo . O produto tem um preço invejoso, o cara pioneiro do Brasil (não lembro o nome o jornal virou privada de animal), cobra R$ 300,00 por 50 minutos (e uma qualidade exemplar).

É quase uma prostituta. Daquelas que o Paulo Coelho conta que existe, no livro 11 Minutos. Elas sentam ao lado do cliente e, ao invés de fazerem sexo, escutam as suas lamúrias e dão conselhos bobos e básicos do tipo “ela vai voltar”.

Decidido! Vou ser um “personal bitch” quando crescer. Ou “friend”. Você paga o meu dinheiro e coloca qual substantivo desejar!

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