08/04/2014

Discos da minha vida

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais.

Achei que este post ia ser fácil, mas fiquei matutando aqui em o que colocar no post. Vamos lá:


Xou da Xuxa
Acho que foi com esse disco que eu foi apresentado à vida. De 1989, dois anos após meu nascimento, minha mãe, quando comprou uma vitrola, trouxe junto o 4º Xou da Xuxa? Resultado: minha família conta que eu dancei tanto, pulei tanto, gritei tanto com só dois aninhos de idade que eu simplesmente desmaiei no final do dia, na casa da minha avó. Tindolelê, gente.



As quatro estações
Sandy e Júnior sempre foram amados por minha irmã e eu. A gente amava e cantava sem parar. Até hoje, me arrependo de não ter insistido para ir em um show da dupla, quando ainda juntos, quando pequeno. Depois de crescido, fui, pela primeira vez em 2012, em um show da Sandy. Eu chorei. As quatro estações marca um amadurecimento da dupla pra mim - e, como consequência, o meu amadurecimento.



Titanic Soundtrack
Acredite se quiser, mas eu ouvi esse CD até dizer chega em 1997, quando Titanic foi lançado. Eu gostava tanto do filme que eu ficava ouvindo os instrumentais sem parar, me emocionando e pensando que eu era a Celine Dion. As músicas são ótimas, vai.



Let Go
Rs. O divisor de águas da minha vida. Existe o Caio antes da Avril Lavigne e o Caio depois da Avril. Saiba que eu gostei de Avril pela primeira vez quando Complicated passou pela primeira vez no Disk MTV. Lembro que a Sarah, apresentadora da época, anunciou a pequena como "Eivril", eu e minha irmã estávamos brincando no sofá e ambos paramos para assistir. Naquele mesmo ano, eu me formei no colégio e minha avó me deu o Let Go de presente. Ouvi sem cansar. Anos depois, minha avó me deu o Under My Skin. Foi nesta época que eu realmente me viciei e me tornei fã.

E cá estamos.

01/04/2014

só dê um tempo

por mais clichê que possa parecer, só dê tempo ao tempo. o tempo tem poder de cura, de esquecimento, de desapego, de descoberta, de bravura. o tempo nos transforma de crianças em adolescentes e, depois, de adolescentes em adultos. o tempo é tímido e passa sem a gente perceber. ele está no ar, no toque, na voz, no olho, no pulso. o tempo ecoa nas paredes de casa, nas paredes da casa dele, nos nossos lençóis amassados, na cama já não mais presente. o tempo atua na dor, transfigura, faz embravecer até se tornar apenas uma lembrança. o tempo transmuta, tem um propósito, é sagaz e rápido, é burro e sábio. o tempo dá agonia, angústia, tortura, pesa quando demora a passar – mas resulta em euforia, nirvana, placebo, prazer e sorte. o tempo escorre pelo rosto, nos concebe sinais de experiência, nos dá força, mas depois arranca. ele sopra agora, antes e depois. vai e não volta. é valioso. dura pouco. o tempo é a única forma de se viver. dê um tempo ao tempo, aprenda a sobreviver. pisque para sentir um segundo partir. durma para ver a hora sumir. beije, pule, grite, chore, sofra, corra, coma, transe, ame. só assim somos capazes de roubar um tempo. 

05/03/2014

Uma carta aberta ao meu antigo eu

Este post faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Tag original do Hypeness.

E aí, Caio. Cara, senta aí: vai ser dolorido, empolgante e enlouquecedor. 16 anos de idade, né? Vou te contar que tua vida vai começar logo, logo. Aos 17, para ser mais preciso. Você vai descobrir um pouco mais o que é diversão e vai deixar de lado o computador, o ICQ e suas crises de pânico atrás da porta. Aos 17, você vai namorar uma loira linda, que vai te mostrar um pouco de o que é a vida. Ela vai te ajudar a não ser mais tão tímido, mas sem mudar sua essência. Ah: ela vai ser uma das primeiras pessoas que irá fazer você acreditar em você.

Vou te dizer mais: você vai se descobrir um cara namorador, brother. Quão bizarro é isso, né? E aí vem a faculdade, que vai ser o Jornalismo, e os shows da Avril Lavigne - e eu de cá, do futuro, já com 26, vou te dizer: você vai continuar curtindo. Você, logo em seguida, vai começar a trabalhar em um portal de internet, vai ser contratado super-rápido e vai desenrolar a vida de vez. É ali que você vai conseguir se entender, a se relacionar, comunicar e, acima de tudo, crescer.

Agora vou te dizer uma coisa supercomplexa: em breve, você vai se descobrir gay. Sim, vai ser um choque (e até este post, você nunca havia dito isso publicamente). E você vai viver o amor da sua vida em seguida. Uma pessoa de olhos claros, jeitão de intelectual e cabelos raspados vai roubar o seu coração e, pela primeira vez, você vai viver a paixão e o amor em plenitude. Isso vai te deixar maluco, mas vai te fazer se sentir vivo. Essa relação vai durar anos, talvez os melhores da sua vida, e vai te render viagens, dores, marcas, loucuras, experiências, baladas e uma enorme tristeza, que parece nunca se curar. Só de falar, arrepia.

Você vai se tatuar. Já são 25 espalhadas pelo corpo, cada uma feita com uma injeção de sentimento. Você vai conhecer suas cidades dos sonhos em muito pouco tempo e até vai ser, olha lá, pedido em casamento. Você vai mudar de emprego e descobrir uma área nova, com gente mais incrível, com possibilidades maravilhosas e, logo em seguida, vai ter os primeiros cabelos brancos.

Cara, vou te avisar: tira essa franja da cara. Você vai olhar suas fotos e se matar de rir com tanta bizarrice. Sem você entender, a internet, quase que sua segunda casa, vai criar um personagem dentro de você, seguido por mais de 10 mil pessoas em uma rede social, o Twitter, que você vai conhecer em breve. Isso não estava nos planos e você não vai saber lidar com as pessoas falando sobre você sem nem saber o quê. Você, que odeia festas, vai tocar em algumas e descobrir a delícia que é gritar Avril Lavigne a plenos pulmões (ela até vai escrever uma música sobre isso).

Agora, um problema: você vai ter uma vontade lascinante de ir embora e não vai poder porque não se organizou financeiramente para isso. Se existe uma dica que posso te dar agora, com toda a certeza, é: NÃO SE ENDIVIDE. GUARDE DINHEIRO.

De resto, tudo corre bem. A Sandy já não está mais em casa (e você vai chorar escondido por isso). Os pais continuam dando suporte, sempre que necessário. A Patrícia vai casar (e você tá louco pra ver o vestido). Você vai continuar errando nos amores, vai continuar se machucando, vai desacreditar do mundo e vai sentir o coração ser estraçalhado, como alguém prometeu nunca fazer com você.

Tudo bem. Todo mundo se machuca um dia. E tá OK.

17/02/2014

o amor que bate à porta

não amoleci na primeira vez que o vi. já conhecia o tipo, de sorriso de canto e olhos brilhantes. conversa foi e veio e, junto à ela, o nosso primeiro beijo. fiz-me de pudico, mas não engano nem um tolo. o segundo beijo foi melhor que o primeiro, pois ele trouxe consigo alguns devaneios. já o terceiro – sim, foi no terceiro – revelou-me um desejo. ah! como a vida fica mais atraente com desejos. 

o amor bateu à porta meses depois, amuado e encharcado. deixo entrar? não precisei nem pestanejar. foi num piscar de olhos que o vi se espalhar entre nossas mãos. de lá pra cá, aprendemos a brincar. eu e ele, ele e os outros. 

disseram-me que o amor era sacana e muito ia machucar. meio verdade, meio balela. o amor simplesmente está, é você quem o faz lacrimejar. o amor é maluco, sim. louco de dar nó. mas é tão lúcido que até enlouquece. ele pode doer – ah, como briga com o coração, mas pode te dar prazer. o amor é uma aventura, ventura, júbilo e nirvana, mas são lágrimas e músicas tristes na cabeceira da cama. 

‘amor de quem pra quem?’, indaguei. ‘dele pra ti’, ouvi dizer. e desde então, sempre que saio para vê-lo, perco 10 anos de vida e maturidade, escolho minuciosamente a roupa, o perfume e o cheiro, arrumo meus cabelos e dou uma bronca em meu corpo, que insiste a tremer-se inteiro no caminho do beijo. quando o vejo, os olhos entregam a saudade e a boca parece perder a razão. os músculos se contraem, o calor aumenta e o coração, que, olhe só, machucado pelo bom amor, acelera, dando espaço à paixão. na hora do tchau, ainda quero tê-lo, mas o mundo precisa dos seus anseios. antes de dormir, é um dos três pensamentos.

de tudo isso, ei te dizer: se, um dia, o amor bater em sua porta, não tenha medo. ele só vai te fazer viver – e não sobreviver.

08/02/2014

tô com vontade de roubar você

às vezes acordo assim, querendo furtar algumas pessoas do mundo. amigos, namorados, casos, passados. queria poder pegar, segurar pela mão e levar para um lugar onde seremos só nós, eu e você.

com os amigos a intenção é viver aqueles momentos cheios de vida, com alegria e exaltação, sem cobrança, sem ciúme, sem invejas e sem maldades. curtir a vida adoidado (salve, Ferris!) sem se importar com mais ninguém, além de nós dois. pode ser um campo, uma praia, uma esquina ou até uma calçada. só quero poder ser pleno com quem, além da minha família, mais me conhece.

falando em família, eu também queria poder roubar meus familiares. pegar os mais de 20 que nos compõe e levar para uma casa no interior – coisa que fazemos anualmente. são os melhores momentos, as melhores risadas, as melhores conversas e as melhores brincadeiras. a intenção é viver momentos raros de vida em que tenho a plena certeza de que, ali, só existe amor (e uma ou outra briga, mas, sabe, né? amor espelha-se em confusão). 

e quando eu fico com vontade de roubar você, não há outro porquê. eu quero me isolar do planeta e respirar só o teu ar, viver em um lugar com seu cheiro pra poder ver o seu sorriso a cada besteira que falamos juntos. quero roubar você pra ninguém mais te ter. roubar você pra me completar. roubar pra te amar, sem ninguém mais saber, além de eu e você. 

31/01/2014

sala de estar

devaneios a parte, foi-se o tempo da infelicidade. sentado aqui, às escuras, ouvindo o som do respiro, percebo que não há melhor companhia. vejo o vulto do amor, a loucura da paixão, o som do tesão, mas não tenho porque abraçar. coração bom é o coração que bate sem jeito, mesmo estraçalhado por caminhos errados. lembre-se de mim pelos momentos, não pelos erros.

levanto para contar uma história, mas já é tarde da noite para alguém escutar. resolvi dormir, mas fiquei pela sala de estar. a música chega na ponte em sincronia com meu olhar, que, deveras cansado, mira seu rosto. 'que rosto', balbucio. você não é de agradecer elogios. pego em sua mão, que meu corpo reconhece instantaneamente ao toque. sinto arrepiar. passamos mais de hora em silêncio só nos sentindo. quanto tempo! de soslaio, percebo você me encarar. no chuveiro, percebo que não sei quem é você. você foi, mas não é mais. conheço o toque, o som, o olhar, mas não as palavras, hábitos. estivemos de férias da vida. com a água caindo, saio.

é hora de dizer adeus. tento esquecer, mas tudo o que faço é lembrar. você não existe. nunca existiu. não consigo me despedir. você vai.

acordei angustiado. você sumiu.

This is the true and impossible story of my very great love. In the hope that she will not read this and reproach me, I have withheld many telling details: her name, the particulars of her birth and upbringing, and any identifying scars or birth marks. All the same, I cannot help but write this for her, to tell her "I'm sorry for every word I wrote to change you, I'm sorry for so many things. I couldn't see you when you were here and, now that you're gone, I see you everywhere." One may read this and think it's magic, but falling in love is an act of magic, so is writing. It was once said of Catcher In The Rye, "That rare miracle of fiction has again come to pass: a human being has been created out of ink, paper and the imagination." I am no J.D. Salinger, but I have witnessed a rare miracle. Any writer can attest: in the luckiest, happiest state, the words are not coming from you, but through you. She came to me wholly herself, I was just lucky enough to be there to catch her.
Ruby Sparks

14/01/2014

ordem

Recentemente, adquiri uma nova mania estranha: antes de sair da cama, checo o meu horóscopo em três sites distintos. Não que eu acredite que os astros estão me prometendo algo. Só comecei a fazê-lo para, no fim da noite, anotar em um caderninho se a previsão se concretizou. É uma forma simples que eu encontrei de checar a eficiência do destino premeditado.

O saldo, no entanto, anda negativo.

Em um determinado dia – não me lembro com exatidão qual – os três horóscopos, escritos por pessoas que, em minha cabeça, não se conversam, diziam a mesma coisa (que, novamente, não me lembro com exatidão). Resumidamente, era: "faça". Neste dia eu quase entrei em colapso mental, listando tudo o que eu queria fazer e estava postergando. Foi na madrugada que me peguei com as mãos trêmulas, ensopa, desejando algo. Foi o primeiro acerto dos horóscopos desde que comecei a seguí-los. Coincidência ou não, no mesmo dia, ouvi no rádio uma música que mandava "ter um novo começo, voar, deixar o medo pra trás e reaprender a vida". Ouço esta música no repeat desde então, a cada dia que acordo, lendo meu horóscopo.

(Alguém aqui já reaprendeu a vida? Não a viver, mas a vida, substantivo, não verbo? Uma vez que você compreende o ciclo – e, portanto, que ela é cíclica nas ações e histórias –, percebe que é hora de parar de perder tempo.)

Não nego que sou cheio de medos, que possuo um coração em frangalhos, que me atropelo nas próprias palavras e que erro. Ainda sinto cheiros, toques e engulo a seco algumas lágrimas – que insistem em aparecer no meio da tarde, quando a cabeça parece se esvaziar. Como um impulso, resolvi finalmente dar um passo. Insisti em algo até sentir sangrar. Já era hora de curar as feridas.

Não é um novo capítulo, mas um novo parágrafo. Demorei a entender que existem coisas que começam e coisas que terminam. E assim devemos viver, respeitando os pontos finais e dando espaço para novas palavras. Se você as deixa na mesma linha, elas se atropelam, confundem-se e, na real, você acaba mascarando uma história, que não se finalizou. Por isso é preciso parágrafos: para começar novas ideias. Insisto: não são capítulos. Capítulo é parte de uma obra, que abraça parágrafos e pontos. Não gosto de definí-los.

Ando pensando onde vou parar. Por ora, só sei que é preciso emergir sozinho.

30/12/2013

2014

- estudar
- estudar outra língua
- ir a mais musicais
- guardar algum dinheiro
- morar fora da casa dos pais
- focar mais
- viajar, viajar, viajar
- passar mais tempo com os amigos
- dormir mais
- ler 2 livros por mês
- passar mais tempo com a família
- namorar menos
- se importar menos
- planejar o resto da vida.

19/12/2013

sobre pessoas

existem milhares de frases para classificar as pessoas e suas importâncias em nossa vida. “descobri que é possível viver só, mas em um mundo sem verdades”. é, basicamente, um resumo da realidade: ninguém vive plenamente sozinho. as pessoas incrementam histórias, criam vontades, geram entusiasmo. pessoas vêm e vão e somente as de suma importância permanecem. conhecemos, em geral, uma pessoa por dia, o que resultaria em mais de 23 mil seres passando por nós. cerca de 211 mil pessoas nascem por dia no mundo. 147 morrem por dia. ou seja: tem gente pra todos, para todos os dias. a questão que eu me pergunto todos os dias é: quem sobra?

os laços de amizade se criam em poucos minutos de conversa. é inegável que, quando conhecemos alguém, percebemos se aquela pessoa fará parte de nossa história em muito pouco tempo. levam-se dias para conhecer alguém, mas meses, anos para entender alguém. quando você acha que conheceu alguém em sua plenitude, surpresa. a vida é mesmo uma caixa delas. 

amigos dão a mão sem cobrar. estão presentes sem ninguém pedir. aparecem para chorar e rir. reclamam, brigam, se afastam, voltam. são necessários 6 meses de convivência intensa para alguém se tornar inesquecível. mas amigos, assim como chegam, precisam partir. são raras amizades que duram longa vida – mais raras do que amores. 

em seu mais profundo estágio de conhecimento, o ser humano é egocêntrico. o mundo gira em torno de si e, em movimentos de rotação contínua, perdemos a visão do todo. estamos cada vez mais  cegos, mais impiedosos, mais narcisistas. não reconhecemos erros, só julgamos. não aceitamos desculpas, só culpamos. não abaixamos a cabeça, só nos orgulhamos. o erro das pessoas é saber que não se vive só, mas pensar que ninguém vive sem elas. 

substituível. todos somos. por mais doloroso que seja o caminho, conhecer-se e aprender a ser leve ainda é uma trilha de pedras. entender-se é como largar as roupas pelo chão, deixar-se nu, tornar-se transparente para si e, depois, para o mundo. em tempos de #selfies, de likes, de compartilhamentos, perdemos um bem maior: o saber quem somos. tudo é julgado pelo olhar alheio e, a auto-confiança que nasce conosco, perde-se no primeiro unfollow. 

é difícil achar um amigo de verdade – aquele que dá-se sem pedir algo em troca.
é difícil achar um amor sincero – aquele que não compete.
é difícil achar alguém que seja de verdade, sem filtros, sem juízo de valor, sem maldade, sem intenções subliminares.

nessa jornada, às vezes, descobrimos que o sozinho não é de todo o mal. contanto que você, de fato, esteja sozinho, e não dependendo dos olhares alheios.

seres bem resolvidos. seres pensantes. seres reais. é raridade.

(Para Michele, por tudo o que passamos nestes tempos e por saber que era destino nos conhecermos um dia. Você é a única certeza na vida que tenho do que é a amizade verdadeira, na sua forma mais pura e sincera. Obrigado por estar sempre aqui pra mim. Obrigado por fazer parte do resto da minha vida)

*ligue os pontos do texto.

01/12/2013

saímos por ali, a rever estrelas



Era tarde. Tarde da noite. Tarde pra você e eu. Passamos anos em crise. Anos nos conhecendo e, tempos depois, percebemos que não sabíamos quem éramos. Seu rosto ainda aparece nas memórias, mas seu cheiro já é um mistério. Seus olhos – apaixonantes – já estão turvos. É tarde da noite. Foi preciso o abismo para encararmos o tão esperado final. Passamos da hora. Perdemos a mão. 

Sentados em qualquer esquina, boêmios, choramos a despedida. “Adeus”. E foi-se, como quem já não me conhecia, meio trêmulo pela recente descoberta: era o último adeus. Andamos agarrados em um ideal de vida ilusório. Deixar-te para trás é desprender mãos que já não andavam tão dadas, mas ainda eram apegadas. Seu toque. Tudo, tudo virou história.

Ouço seu passo sumir. Silêncio. O coração acalma. É hora de seguir. É tarde, tarde da noite, e eu já não tenho mais o que sentir. Falar. Grito. Ninguém quer ouvir. E, num segundo súbito, o mundo parece voltar. Carros. Cigarros. Músicas. Pessoas. O cabelo voa na frente dos olhos e, com um toque, afasto, deixando a visão do futuro nítida. Cabeça cheia. Olho para o céu.


Eu já não me lembro daquela dor. A dor do amor foi para algum lugar - e eu finalmente saí de lá. Existe um mundo, um mundo maduro e seguro pra desbravar. E na luta pela libertação, na crise, no choro e loucura, saímos por ali, a rever estrelas.