20/05/2013

segredo

Hoje eu acordei com vontade de te ver
Já faz tanto tempo que até assusta
Me assusta não saber nada de você
E não ter com quem falar de mim
Eu mudei o meu cabelo
Me tatuei, troquei de carro e de amor
Tenho alguns bons amigos
e ainda me sinto tão só

Conta um segredo
como aqueles que nós
vivemos juntos
Esquece o enredo

Diz que ainda tem lugar pra nós
Hoje eu acordei com vontade de te ver
Já faz tanto tempo e eu ainda me lembro
Me lembro do teu corpo e cada canto teu

Há mais do que eu sei, tão vivo em mim
Me mudei, troquei de emprego
Conheci outros lugares e dores
Já não sou mais tão menina
E ainda me sinto tão só

Conta um segredo
Como aqueles que nós vivemos juntos
Esquece o enredo
Diz que ainda tem lugar pra nós

Conta um segredo
Como aqueles que nós vivemos juntos
Esquece o enredo
Diz que ainda tem lugar pra nós
Diz que ainda tem lugar pra nós

06/05/2013

das dores.


é mais fácil começar um texto ouvindo uma música que te lembra aquilo que você viveu. então simplesmente solto a canção e, por um momento, meus dedos travam. sinto a pele arrepiar. o coração acelera e a cabeça, por instantes, viaja. viaja para um passado recente de carinho, olhares, sorrisos e ruídos. na memória, mãos que permanecem juntas, histórias compartilhadas, um pouco de medo e dor. e os dedos continuam ali, travados.

redigir a vida é mais complicado do que parece. é aquela sensação de que é preciso colocar algo pra fora, compartilhar com o mundo uma dor que parece que não tem cura. é só quando precisamos que rezamos. é só quando amamos que morremos. estraçalhar o coração é a coisa mais terrível do mundo – e só quando você o faz, entende. a vingança parece saborosa até que você a completa. depois, vem a imbatível e desesperadora pergunta: e aí?

tem dias que a vida não parece fazer sentido e, com dor, a gente caminha, meio cabisbaixo, sem entender. por mais que você queira ser bom, alguém sempre vai te fazer mal. por mais que você queira...

é difícil sonhar. é um mundo que não existe. é difícil de acreditar. olho devagar para os lados. sinto o ar. mas cadê? cadê o que falta? eu nunca fui de me preocupar muito com as pessoas, e só quando você se desespera pela falta de alguém que você percebe onde moram os problemas: ninguém se preocupa com ninguém. falta carinho, falta amor, falta dor.

falta coesão, harmonia, entre essas palavras. falta coerência em tudo. eu nunca vou entender porque é que os outros precisam fazer alguém sofrer.


23/04/2013

será que você vai...


amar alguém loucamente?
cantar até perder o ar?
pular até sentir as costas pegarem?
correr até tropeçar?
gastar até cansar?
girar até vomitar?
viver até desmaiar?
chorar até sufocar?
viajar até conhecer?
ler até dormir?
amar até odiar?
enlouquecer por amar?
arrepiar só de olhar?
desesperar por ficar?
perder alguém?
achar alguém?
sentir alguém?
viver alguém?
olhar alguém?
alguém?

em suma, passamos a vida com medo de nunca encontrar o alguém. o alguém já passou. vai passar novamente. vai ficar ou ir. quando você desiste de encontrar alguém e se encontra, percebe que a vida é curta demais para estar sempre em busca. a busca cansa o corpo, enoja a mente, desacredita o coração.

fique. pare. respire. deixe ser encontrado. viva você para poder viver o outro. a solidão é dolorida só quando vista com dó. a solidão liberta a alma e aprende o corpo, aprende o sentimento, compreende a essência. conheça, descubre, desperte.

16/04/2013

I love you

I like your smile
I like your vibe
I like your style
I like the way
You're such a star
But that's not why
I love you
You're so beautiful
But that's not why I love you
I'm not sure you know
That the reason I love you
Is you, being you, just you
Yeah, the reason I love you
Is all that we've been through
And that's why I love you
I like the way
You misbehave
When we get wasted
But that's not why
I love you
And how you keep your cool
When I'm complicated
But that's not why I love you
Hey, do you feel
Do you feel me?
Do you feel what I feel
Do, do you need me?
Do you need me?

Da série: respostas que a Avril dá.

12/04/2013

guarde

Aos 18, a vontade é comprar o mundo.
Aos 20, você quer trocar sua aparência.
Aos 21, você quer sair mais, se jogar mais, se divertir mais.
Aos 23, você precisa mudar de aparência novamente e, então, dá tudo o que é velho.
Aos 24, você quer começar a viajar mais, conhecer mais, descobrir mais.
Aos 25, você se arrepende de ter gastado tudo e não ter nada para se mudar, voltar a estudar, morar em outro lugar, começar a planejar uma vida só sua.
A partir daí, eu já não sei o que acontece.

18/03/2013

sobre o mundo, sobre todos e sobre poucos


a adolescência tardia tem sequelas terríveis. eu, da tal geração XYZ - conectada, perdida e desinteressada - acabei percebendo, duramente, alguns reflexos das nossas ações não pensadas. entre um gap e outro, culminam pessoas que poderiam mudar o mundo. minha geração, tão pouco sábia, viveu um momento de revolução no mundo, mas sem a revolução real. um momento de tecnologia, de acesso fácil à informação. sem querer, isso deu direito a todos de comentar, espalhar, criticar e ser donos da verdade. cada um da sua, sem hesitar. há exceções, claro, como em toda regra. 

as tais redes sociais – que, convenhamos, são nada sociais – permitiram isso. por sorte, algumas pessoas ganharam voz, outras perderam sua total personalidade e essência e preferiam vangloriar outréns, que, com o ego inflado, de novo, acharam sua verdade e imposição. tudo errado. o papa é homofóbico. o papa é argentino. preceitos, preconceitos sobre preconceitos.

reparem, por favor, que falo que é minha geração. eu, com já meus 25, sei pouco sobre o mundo, descobri a vida com atraso e, socialmente falando, sou um perdedor. vivi, por anos e anos, o que a internet pôde mascarar: gracinhas, humor acéfalo, egoshots por todo o canto, ultra-exposição do corpo, da cabeça, do outro, da vida. dupla personalidade, é como hoje consigo definir. sou altamente ativo nas redes sociais, mas um jacú no sociável. quão paradoxo é isso? 

é quando você percebe que deu voz, motivos e vazões para os outros comentarem sobre você, que começa a entender um pouco sobre o mundo, sobre todos e sobre poucos. o mundo é mau e sempre vai ser. todos são máscaras, perfis criados para sustentar insatisfações, inseguranças e medos reais. poucos são de verdade, poucos abraçam, poucos oferecem o ombro para você chorar. 

hoje, ao entender que poucos me conhecem – como, de fato, sou – percebi que preciso mudar. mudar as ações, apesar de fazer parte (e ter orgulho de) desta geração XYZ. há tanto para aprender com os outros – há um alfabeto todo. há tanto para ensinar. mas tanto, tanto, TANTO, pra viver.

escolhas. ações. os resultados a gente colhe. 

12/03/2013

liberdade


da reclusão à noites enlouquecidas que terminam quando já é dia, senti o poder da liberdade. troquei uma tela com sentimentos falsos e contos hipotéticos para uma realidade intensa, vibrante, destrutiva. machucado pelo mundo, fui tentar a vida com outras pessoas, outras vibrações e outros desejos. descobri a liberdade, saturada e almejada, escondida num canto escuro da casa.

liberdade é pular até os pés arregarem.
é não dever satisfações, só para você mesmo.
é não se cobrar, é se jogar. 
liberdade é sair de casa sem rumo, só pensando na música que vai trilhar o caminho. 
é não ter uma mão pra segurar, mas ser segurado por si só.
liberdade é voltar da balada, tirar a roupa e mergulhar de cabeça na piscina.
é dançar sem vergonha dos outros.
é cair.
liberdade é dormir no metrô e acordar 3 horas depois, bem longe do seu destino original, e rir até doer.
liberdade – ou já seria a tal libertinagem – é sentir a vida ser intensa.

já disse este autor: há duas opções de viver, com intensidade ou com comodidade. o cômodo não me encanta mais. liberdade é conhecer, é ver, é descobrir, é se emocionar, é chorar, é gritar, é cantar, é amar, é destroçar, é invejar, é casar, é racionar, é economizar, é gastar, é planejar, é pirar.

é tudo, desde que seja intenso.

25/02/2013

se amarrar no amor


não existe coisa mais bonito do que ver dois corpos ligados. ligados em alma, em sentimento, em vontades. corpos que se entregam e que não encanam com o mundo. é tudo deles, tudo deles. o amor causa isso: quando amamos, não há freios, não há impeditivos, não há argumentos. há razão, há explicação, há vontade. o amor é transparente: dá para ver quando se está amando. é notório, a vida muda, os olhos brilham, o sorriso aumenta. 

de fora, percebemos os amores. é visível quando uma pessoa não está tão afim dele. muitas vezes, acreditamos que é amor. nos envolvemos, nos tocamos, vivemos. confundimos amor com carência. quando os olhos abrem, percebemos que a vida não está do jeito que deveria. algo nos incomoda. aí o mundo desmonora. a vontade de estar junto desaparece. o carinho se perde. o respeito desaparece. 

é comum, mais do que você imagina, pessoas que se envolvem por carência e não conseguem mais se largar. motivos? planos, grandes planos. arrastamos a vida por acreditarmos que o caminho está certo. a idade chega. as definições mudam. as vontades gritam. e aí?

na minha concepção (tardia), não há planos que interrompam a felicidade. o egocentrismo é a solução, infelizmente, em alguns momentos. daí há opçõs: ter uma vida plena e intensa ou ter uma vida. 

não há dinheiro, carência, sexo, amor ou ilusão no mundo que paguem a primeira.

*textos sem edição. não há correções para sentimentos.

22/01/2013

não consigo dizer adeus a meus amores


não consigo dizer adeus a meus amores. quando acho que o fiz, um sentimento frágil assola meu corpo. quando acho que os enterrei, minha mente mergulha em uma longa noite de sonhos. algumas recordações. meu corpo amanhece estremecido, com os olhos marejados, o coração disparado. "se foram", diz a consciência. "ainda há esperança", diz algo lá dentro.

são mulheres distintas, de olhos, não de cabelos, de corpo e de origem. são encantos que se apegam. uma lhe deu vida, outra lhe surpreendeu na chegada do aeroporto. uma lhe quebrou, outra te estraçalhou. ainda assim, não consigo dizer adeus a meus amores. 

são histórias tristes para um homem de corpo e alma fracos, de pouca vivência, repleto de inseguranças. são tristezas profundas, são feridas abertas e sangrentas. insisto em atiçar. ambas ignoram. ambas arrancam lágrimas. ambas apagaram. não consigo dizer adeus a meus amores.

meus amores me disseram adeus. de que adianta? devo ser um frouxo, um louco apaixonado, um qualquer sem valor. meus amores me disseram adeus, mas meu coração não aceitou.