11 de dez de 2014

2014.

Que ano, jovens. Que ano. 2014 começou com uma viagem superagradável, rodeado de gente bonita e um flerte sem fim. Um flerte que começou com uma amizade e acabou num namoro, num deslumbre, em dias quentes e gostosos, em colônia para dormir, em abraço. Um flerte que ainda existe, mas prevalece a amizade. A maior e melhor amizade. A amizade do ‘queria te ver’. Amizade.

Ainda no primeiro semestre, fui surpreendido por um convite mais que inesperado, em um domingo de noite, para curtir uma viagem com gente desconhecida para Los Angeles. Eu, que me entendi um belo viajante, fui de braços abertos. Foi uma das viagens mais loucas, gostosas e incríveis da minha vida. Fui rumo à LA sem conhecer ninguém, posei e fiquei num rooftop de um hotel incrível, sai pra curtir Hollywood e, depois, 3 dias em Palm Springs, vislumbrado pelo Coachella – e até que curti conhecer um festival desse tipo. Pessoas loucas, pessoas legais, pessoas bonitas. Não aprontei umazinha na Califórnia, mas conheci a Katy Perry e falei com o Joe Jonas. Além de dançar pra todo mundo em uma pool party e ser chamado de ‘cute brazilian guy’. É o tipo de experiência que vou levar pra vida.

Tal viagem me encorajou a fazer uma outra, também sozinho. Resolvi voltar para NY em agosto, a cidade que eu mais amo nesse planeta, sozinho. Comprei a passagem, escolhi o hotel que quis e fui. E foram um dos dias mais felizes da minha vida. A liberdade, a sensação de independência, o caminhar sem compromisso algum, o pensar de roupas sem imaginar ser julgado, as compras, a dor no pé, a chuva na Times Square e os milhares de hamburgueres maravilhosos. Os cupcakes e o café de manhã. Foi uma puta, deliciosa e libertadora viagem.

Além das viagens, esse ano eu também resolvi acalmar um pouco. Saí menos, gastei mais. Passei noites em claro decidindo quem eu era e para onde queria ir. No trabalho, as coisas ficaram de pernas para o ar e todo mundo bloqueeou qualquer informação que eu pudesse transmitir. Eles são os caçadores, a gente, as raposas. Aprendi a entender isso e abaixar a cabeça e realizar a minha função, mesmo que robótica. Um tiro no pé – mas ninguém quer mais saber.

2014 me apresentou a Maria, um ser de uma doçura tão estonteante que eu não consigo entender como uma alma pode ser tão boa. Também trouxe a Pipoca para ocupar o lugarzinho vazio que a Sandy deixou ao partir em 2013. Eu discuti um pouco de política e até abri uma poupança. Eu me aproximei um pouco mais dos meus amigos e família e decidi que eles são prioridade. 2014, aliás, eu consegui levar a minha família toda para a balada – e eles gostaram tanto que, às 23h de toda bendita festa, estão na porta, sendo os primeiros da fila. A vibe é tão boa, tão feliz, que às vezes eu me desligo do mundo ali mesmo, fico com cara de panaca e desejo que os minutos da festa durem o dobro do que deveriam. Fiz uma festa de aniversário, apesar de não gostar de comemorações, e, claro, fui impactado pelo meu já conhecido inferno astral. Esse ano foi barra.

2014 trouxe de volta a Natasha, que agora senta coladinha a mim. Trouxe de volta ao Brasil e ao trabalho. Eu não consigo explicar o meu amor por essa pessoa loura, que tem um jeito único e especial de ter amigos e viver a sua vida. 2014 tirou a Josi, eterna chefa, da sua mesa. Mas, pra ela, sei que o caminho da felicidade e realização acabou de começar. =)

Me aproximei mais do Alcides, que se tornou minha paixão platônica, briguei com a Michele, que tem um gene forte, mas coração mole, fui até o chão com o Matheus, que eu ainda não consegui decifrar e dei um monte de risadas com o Vini, um cara foda. Tem mais um monte de gente que passou pelo ano e, claro, marcou de alguma forma – mas são esses que eu penso sempre quando quero desabafar ou ser feliz.

Existe um capítulo à parte, ainda em formação, sendo escrito minuciosamente, de um amor antigo, paixão platônica de balada, que cada vez que entra em minha vida me desnorteia. Eu tinha certeza do final, mas alguém fez o favor de borrar as letras. Agora, está sendo reconstituído. E essa história, olha só, me aproximou de gente que nem fazia parte dela: Vini e Pati, Yuri e Bruna e, claro, Caio. Criou-se uma amizade nesse círculo que é gostoso de ver, sentir e poder compartilhar (e meio que saber que sou o responsável por elas). É nítido e até dá orgulho o desenvolvimento, amadurecimento e, principalmente, bom coração dos meus primos. Tem um caminho bonito pela frente cada uma dessas pessoas. Porque elas são boas. Puramente boas.

Em resumo, foi um ano de aprendizado. Talvez de amadurecimento – apesar de não perceber se amadureci, de fato. Ganhei experiência em várias coisas e fui o mais sincero e honesto que pude com todo mundo que cruzou o meu caminho. Decidi, depois de sofrer muito em novembro passado, que eu não ia mais fazer coisas erradas simplesmente porque eu odiava o sentimento de culpa. A culpa me deixa angustiado, triste, depressivo. E quem a causa sou eu. Logo… Depois que adotei esse mantra pra vida, a relação entre as pessoas se tornaram mais fluídas, verdadeiras, gostosas.

2014 eu conheci a Avril Lavigne e virei um meme mundial por isso. Não me importo. Pagaria de novo quantos reais fossem para tirar uma foto com aquela mulher. Curti 3 shows incríveis dela, chorei em todos e fiz uma viagem louca para o Rio de Janeiro, onde saí com desconhecidos para uma balada X e tive uma das noites mais divertidas do ano. Cara, eu sou o tipo de pessoa que raramente sai com desconhecidos ou colegas. Que não faz amizade fácil porque, sim, sou um bocado tímido. Que sofre de vergonha alheia. 2014 foi um passo grande nesse ponto.

Eu me perdi, não nego, por muito tempo. Demorei pra me encontrar de novo. Mas tenho a sensação de que, quando entendi o que queria, me foquei para ser o que eu sempre deveria ter sido. “É só quando a gente se perde que a gente sabe o que a gente é”. Eu sou um cara chato, mimado, que não come comida molhada e não dorme em lençóis floridos. E tá tudo bem. Tô quase nos 30, então posso ter as pessoas que me suportam com as minhas manhas do lado, posso pagar pela comida seca e escolher os hotéis que amo. Aliás, conheci muitos, muitos, muitos hotéis em 2014.

E é isso.
2015 nem começou, mas já existe uma carta na manga. =)

27 de nov de 2014

27, bem-vindo

Eu acho que não tinha percebido que criei esse costume: a cada aniversário, ao que parece, eu escrevo um texto sobre a nova e a velha idade. Reli todos, para perceber a evolução. É. Enfim. 27, bem-vindo. De todas as formas possíveis, bem-vindo. Eu acredito que os meus 26 anos foram uma fase de amadurecimento, de crescimento, de entendimento. Eu me questionei muito esse ano, me perguntei sobre tudo, sobre cada passo que dava na vida. Trabalho, amor, dinheiro, família, futuro. Apesar de nada ainda ter uma definição, me fez entender pequenos detalhes que vão fazer da vida, daqui pra frente, diferente, mais leve, mais gostosa.

Costumo dizer que sou um ser livre. Eu gosto da liberdade, eu gosto do silêncio, eu gosto da solidão. Claro, não sempre. Sou de sair, sou de pular, sou de rir com os amigos e ir atrás deles para onde for, seja pra esquina de cima ou outro país. Mas não há nada mais valioso, pra mim, do que os meus momentos deitado na cama, no silêncio ou só com uma música gostosa ligada, e assistir a vida passar. São minutos únicos, que parecem me colocar no eixo.

Acabei de ler que, aos 27, começa a velhice. Então que ela comece, porque velhice é sinal de experiência. Eu usei os meus 26 anos, basicamente, pra descansar a alma e definir a essência. Eu sei que ainda não estou velho e, Deus queira, ainda tenho muito tempo de vida, mas eu acredito que eu já cheguei naquela idade onde posso definir o que gosto, o que não gosto, o que quero e o que não quero. Antes, eu fazia coisas por vergonha de dizer não. Hoje, eu tenho certeza de que não faço mais algo que não quero. Isso vale para tudo, desde pequenos programas, como ir a um restaurante, até relacionamentos e aplicações financeiras (ainda não as faço).

Aos 26 eu viajei um bocado, também. E, duas vezes, sozinho. Fui para Los Angeles (de classe executiva, o que foi um sonho realizado) a trabalho. Nem eu sabia que era capaz de fazer tudo o que fiz por lá. Fui pra NY, à lazer, sozinho. Totalmente sozinho. Foi uma decisão pessoal: preciso ir, sozinho. Escolhi o hotel que quis, comprei o que queria comprar, guardei o dinheiro que deu e fui, sem medo de ser feliz. E fui feliz. Até ganhei uma tendinite no pé, de tantos KMs andados. Fiz amigos enquanto, na pequena rotina, esperava o café matinal. Fiz amigas enquanto esperava o cupcake da Magnolia, logo depois do café matinal. Fiz amigos no hotel, que se desdobraram inteiros para encontrar um pacote tão esperado e, de madrugada, acionaram o alarme de incêndio sem querer. Voltei mudado, com fôlego, com esperança. Ainda vou morar naquele lugar.

Quando voltei, o caos instalou-se e, em 10 dias, tudo mudou no trabalho. Mas isso não vem ao caso.

Eu não sei como vou estar aos 28. Espero que igual hoje, só que melhor. Com mais conquistas, com mais definições. Espero que feliz. Espero que ouvindo Blank Space. Espero que gostando de Avril Lavigne. Espero que não comendo comidas molhadas. E viajando.

Os meus 21. Os meus 22. Os meus 23. Os meus 25. Os meus 26.

24 de nov de 2014

precisamos falar sobre o amor

Convenhamos, a gente adora falar de amor. Adoramos citá-lo, exemplificá-lo, contarmos nossas histórias, nossas frustrações. Adoramos sofrer pelo amor dos outros, adoramos os filmes de amor e as canções que trazem o sentimento à tona. Sentimos o amor em cada pelo do nosso corpo, em cada olhar, cado passo dado, cada sonho vivido, cada toque compartilhado. Mas, infelizmente, a gente ainda não sabe o que é o amor. Balizamos em excesso o sentimento – tão bonito, único e singular. Cada um acha que am, e tem todo o direito de amar.

Amor é muito mais do que compartilhar a vida, trocar carinhos, fazer planos. Amor engloba pequenices. Amor é dividir a pipoca, dormir de conchinha, acordar cedinho para acompanhar o outro em um momento especial, dar um beijinho leve de tchau. Amor é sofrer cada minuto que o outro não pode estar junto, é compartilhar os papos mais loucos e insanos só para rir mais um pouco, é ficar com o carro parado do lado de casa depois de uma discussão, esperando ele voltar. Amor também é loucura, tristeza e um pouco de dor, recompensados pelos momentos apoteóticos que, depois e antes, são compartilhados. Amor é pegar um coração quebrado e resolver colá-lo. É montar o quebra-cabeças no sábado à noite. É deixar ir, pra poder deixar vir.

Nas vésperas dos meus 27, estou bem longe de saber amar. Sei que “existe uma diferença entre querer estar com alguém e fazer de tudo para estar com alguém. Sei que é, resumidamente, isso:


7 de nov de 2014

à loucura, obrigado.

de doido, todo mundo tem um pouco. frase clichê, que a gente usa sem entender os porquês. é a mais pura verdade: somos loucos, loucos de doer. loucos por amor, loucos por sofrer. loucos por arriscar, loucos por viver. não é fácil, não. a gente precisa acordar todos os dias e encarar este mundão – e, conforme o tempo passa, descobrimos que, talvez, não sejamos tão loucos.

eu não nego que sou. o mundo me fez, na verdade. quando pequeno, sentava com as pernas tortas e batia os dedos de ansiedade para me aventurar logo com algum brinquedo. cresci passando batom vermelho na cara e levando pontos no queixo. me jogava da mesa de cabeça – tinha certeza: eu era o super-homem. descia lareiras de bicicleta, brigava de pé com a irmã, bebia perfumes por rebeldia, chorava litros a cada ferida. na escola, era só nota 10. 10 em história, 10 em ciência, 10 em português. 7,5 na educação física. era louco de pedra e tinha só 4 amigos, o Dennys, o Luiz, o Fernando e o Renato. ninguém fazia meus trabalhos. até os em grupo, eu quem conduzia. fiz-me líder do grupo para me formar com maestria.

comecei a me entender um pouco louco no colegial, quando sentava atrás da porta, no chão gelado, pra acalmar. ou quando dormia tão pesado na aula que todo mundo ia embora e eu ficava, até alguém me acordar. fiz novos amigos, arrisquei roupas, mudei o cabelo. “você vai se arrepender quando tiver 25”, disse Jéssica. dito e feito.

corri pela chuva, roubei revistas na banca e alguns sapatos de Barbie no supermercado. nadei pelado, fiquei apaixonado. fiz loucuras de amor e deixei meu orgulho de lado. melhor escolha da vida: deixar ser conquistado, me deixar um pouco de lado. a loucura me fez entender o outro, estudar seus anseios, seus medos, seu jogo. aprendi a errar, a arriscar, a desejar, a se entregar. tive que me acertar: o mundo é um faz de conta de seriado. por ser louco, sonhador e romântico, tive que me re-encontrar. é só estando perdido que a gente pode se achar.

à loucura, obrigado.

7 de out de 2014

texto sem fim

É normal demorar um tempo para a gente se entender. Tem gente que parte desta vida sem ao menos tentar – outros simplesmente não conseguem. A mente, o ser humano, é tudo muito complexo pra alguém conseguir explicar. Eu, de uns tempos para cá, venho pensando mais em quem sou, o que me faz ser assim e o que preciso mudar. Identifico, sozinho, alguns pontos críticos, como a insegurança com a aparência e uma necessidade boba de competitividade para a vida ter mais graça. Lembro-me que aos 20, eu reclamava da complexidade que um amigo insistia em fazer a vida ter. Falava: “relaxa, cara, você complica as coisas demais”. Talvez hoje eu também complique. Talvez seja um processo natural. 

Eu sempre fui chato e um bocado analítico. Também sempre fui o “ele só tá querendo aparecer” sempre que algum coleguinha ou pessoa nova chegava na minha área de conforto. Era um mecanismo de defesa: se apareço e chamo atenção, garantia meu espaço. Meio que sempre quis marcar um território que se quer foi meu um dia. As coisas não mudaram muito, não. Ainda insisto em querer aparecer em algumas situações – hoje, porém, com consciência. Continuo chato pra muitas coisas: não gosto de ser acordado e nem de que as pessoas encostem demais em mim (ao menos que eu dê permissão). Também continuo não comendo molhos e eu odeio discutir relacionamentos. Aprendi a enterrar o ciúme, o orgulho e a conversar para entender melhor a situação, antes de explodir sem motivos. Me fez bem. Continuo analisando tudo e todos; mas peco em confiar demais logo de cara. Isso ainda machuca. 

Permaneço inseguro, mas acho que isso é natural de todos. A pessoa mais bem resolvida e segura do mundo é, na verdade, a que mais se cobra e tem dúvidas. Por isso sinto estar OK sendo assim. Às vezes fico me perguntando se eu sou louco ou as pessoas que não se importam com elas mesmas. Cheguei ao meio quarto de século e decidi ser seleto para algumas situações. Eu já tenho autonomia para escolher viver o que eu gosto e evitar o que não gosto. Vale também para pessoas. 

Ando prolixo e sem foco. Perdi o fio da meada. O ponto é: conheço gente com mais de 40 anos que visivelmente não se conhece. São, como eu costumo falar, as pessoas “tanto faz”. Tanto faz sair de casa ou não. Tanto faz comer isso ou aquilo. Tanto faz você ou eu. Esse é o tipo de gente que menos me encanta. Eu não sei se essa pessoa é feliz ou se está feliz. Se tem uma boa história pra contar ou se vive uma imaginação. 


Eu odeio não saber se a vida de alguém valeu a pena. 

12 de set de 2014

Sabe…

Não imploro pela felicidade, não. Acredito que ela mora, sim, nas pequenas coisas. Eu, por exemplo, começo o dia bem feliz quando sento em uma padaria, de moletom, e peço o meu café preto sem açúcar e um bom pão com manteiga na chapa. Ali, geralmente dou meu primeiro sorriso do dia. Depois, geralmente, sigo para o trabalho, onde encontro as pessoas mais geniais, engraçadas e legais do mundo. Aos finais de semana, gosto de passar um tempo com a família – me centraliza, me bota no foco, me faz um bem danado.

Esta semana, bati um papo com uma das pessoas que mais me inspirou na vida. Minha chefe, Josi, que nos abandonou depois de uma manobra inesperada do lugar em que trabalhamos. No meio do papo, concordamos que não almejamos uma conta milionária. E tá tudo bem. Tanto eu quanto ela gostamos de gastar com supérfluos, mas é isso. A gente gosta de trabalhar e fazer bem feito, de ter o dinheiro na conta todo dia 5, o dinheiro que mantém um padrão de vida que gostamos. E eu sei que todo ser humano quer mais, quer ir mais alto, mas talvez seja uma opção. Não quero nadar em rios de dinheiro se eu tiver que deixar qualquer coisinha que gosto de lado. Se tiver que trabalhar com o que não gosto, se tiver que ser desonesto, se tiver que abandonar o meu café da manhã na padaria. 

Existe um erro muito comum na nossa geração: todo mundo reclama que trabalha demais. Que o mercado não está bom. Todo mundo reclama. É só observar poucas pessoas para perceber que, na verdade, o erro é a gente. A gente acredita que somos melhores que aquilo e que é a empresa que precisa da gente, quando, na verdade, ainda é o contrário. Vejo pessoas saindo tarde da firma só para dizer que trabalhou até tarde (enquanto passou o dia todo postergando). Vejo gente trabalhando com algo que não tem afinidade alguma – por imposição da empresa ou por falta de opção. 

Em um outro papo nesta mesma semana, com uma fonte para uma reportagem, ela disse uma frase que me fez pensar (e a conversa, que deveria durar 10 minutos, acabou durando 50. A fonte virou quase que uma consulta piscológica via telefone). Enfim, a frase foi: todo ser humano tem opção. Claro, infelizmente, a vida é dura e injusta com muita gente. Mas ela me fez perceber que, sim, existem opções. Que ninguém precisa trabalhar onde não gosta. Que ninguém precisa estar 100% com o celular nas mãos para ver a vida alheia, para checar o e-mail, para responder uma mensagem. Se você escolhe desapegar disso tudo, viver sem essa neura, você consegue ser mais feliz, mais tranquilo. 

Desde os meus 18 anos, quando entrei para o mercado de trabalho, eu lembro de ter feito uma opção: vou trabalhar para viver, e não viver pelo trabalho. A partir de então, poucas vezes fico além do horário na empresa ou sofrendo por problemas que acontecem lá dentro. Entendi que os cabelos brancos que iam nascer não valiam à pena. Nas 8 horas que estou no ambiente de trabalho, dou o meu melhor, aprendo, ensino, faço. A partir da hora que saio de lá, a vida permanece e, então, eu uso o que aprendi e ganhei naquelas 8 horas para recompensar. E esse é o fluxo. 

No fim de tudo, os momentos que mais me fazem felizes são: sentir orgulho por uma conquista de alguém que amo, ver a família toda, reunida, rindo à toa, se divertir com os meus amigos (são eles que estão sempre juntos, curtindo a vida, sem cobranças do mundo exterior), presentear (cara, eu AMO dar presentes e ver a reação feliz das pessoas) e ter um ombro pra deitar e descançar no final do dia. De todas as coisas, a única que me custa algo é o presente. O resto todo, é grátis.

Segunda-feira terminam as minhas férias e eu volto para uma empresa onde ninguém sabe o que vai ser o amanhã. Em um prédio com muita gente desesperada, eu entro tranquilo, feliz por saber que, ali, estão boa parte dos meus amigos. Onde (ainda) tenho um trabalho e sou levemente reconhecido por isso.

Se o coração e a cabeça estão tranquilos, o resto também vai estar. =)

12 de ago de 2014

cuide dela

pra ler ouvindo:


a vida é uma música composta de histórias vividas, amores passados e marcas na pele, que podem ser cicatrizes ou tatuagens. juntas, dão a harmonia completa – que arrepia, encanta e vicia. todo mundo tem uma história para contar, seja ela de um amor que transbordou ou de um amor que se afogou. digo mais: toda história é bonita, se você ouvir com atenção e cautela. é nas histórias dos outros que a gente aprende a pessoa. a gente descobre seus medos, frustrações e anseios. entende a rebeldia, a loucura e calmaria. profissão difícil essa, a de aprender pessoas. 

minha mão é composta por linhas que, dizem, simbolizam o destino. essas linhas se cruzam – coração, sucesso e cabeça, todas em paralelo à vida. apesar de uma idade ainda pouco avançada, posso dizer que já andei pra lá e pra cá um pouco. até os 20 anos, queria viver um amor daqueles de seriado. apesar dos vários episódios, o último seria o do casamento. meu primeiro amor não acabou em casamento. pelo contrário. ele acabou antes mesmo de eu assumir e, por isso, arrastei. me sentei para jantar com alguns, mas não via graça no paladar alheio. saí pra dançar com outros e até acreditei que era melhor assim (e foi, mesmo). testei, testei e testei. saquei que a vida era uma música, mas eu estava com medo de cantar sozinho.

olha só, expurguei em 2 parágrafos uma epifania que, até agora, não tinha decifrado. 

o título do post é sobre a vida. eu não posso negar que vivi os últimos anos bagunçado. metáfora à frente: todas as roupas do meu guarda-roupas estavam empilhadas e amassadas ao fundo, sem um corpo para vestir. a vida seguiu mais ou menos assim. mas é preciso cuidar. cuidar dos gostos, da saúde, do dinheiro e da alma. encontrei um caminho quando comecei a aprender as pessoas. me aprendi, para poder aprender os outros. silêncio e leveza, foi o que descobri. 


depois de uma série de acontecimentos provocados por, veja bem, eu, que depois me causaram sensação de mal estar, resolvi deixar para trás as histórias que já não me fazem parte, os livros que não acredito e as músicas que não me convém. 

10 de jul de 2014

“sim”

percebi que faz mais de mês. não que me faltem palavras ou acontecimentos, muito menos vontade. até rascunhei algumas coisas, mas que não fizeram sentido no final. a vida anda se encaixando harmoniosamente. 

Antes de tudo, devo deixar claro: sou um homem. Um homem que sonha em se casar. Não me venha com o papo de que uma menina sempre sonhou com o seu momento de véu e grinalda. Eu também sonho, há tempos, como o meu. Claro, com um smoking. A priori, acreditava naquele instante clássico de entrar na igreja, mesmo não sendo lá muito católico, e esperar o meu amor no altar. Sou um cara fã de cerimoniais. Tentaram, de todas as formas, me convencer de que o casamento é uma instituição falida. Uma ova. Cresci um pouco e entendi que não preciso desfilar por um tapete para chegar ao altar. Mas, sim, continuo querendo casar. Quero dizer “sim”, juntar as trouxas e dividir a vida plenamente, esperando que “dure para sempre”. Cara, eu amo os contos de fadas. 

Vamos ao Bauman: a modernidade (de uns 10 anos atrás) é líquida. Os laços sociais não duram mais muito tempo: são efêmeros. Nada permanece. Uma relação virou um produto. As pessoas namoram para dizer que estão namorando e para atualizar seu status perante ao mundo. Namoros duram meses. Casamento duram poucos anos. Quantidade x qualidade. 

No Brasil, segundo o IBGE, um casamento dura, em média, 15 anos. Em 2007, 17. Em 2012, foram 314 mil divórcios. 1,4 milhões de casamentos rolaram. Acho incrível pessoas que se casam e, um ano depois, se separam. Pra mim, isso se chama individualismo. Narcisismo. Se não tá legal pra mim, tchau. E é aí que eu entro…

Não, não estou pronto para casar. Ainda deve levar uns anos. Preciso ter carro, casa e saber lavar a minha própria roupa. A questão maior, perante a isso tudo, foi me entender. Depois de algumas quebradas de cara nessa vida de “relacionamentos”, precisei de uns dois anos vivendo alucinadamente para sacar um pouco mais sobre eles. Para entender minha carência, minha síndrome do “eu te amo”. Para entender o “eu te amo”. Sou péssimo para falar de amor (e para acreditar nele). Pelos machucados, hoje sou desconfiado. Acontece que, sem perceber, eu bloqueei qualquer acesso ao coração. Ninguém é confiável, ninguém é bom o bastante, ninguém vai me completar. Minha cabeça girava assim. 

Depois de passar por algumas pessoas e ver diferentes tipos de amores, eu ainda não entendi muitas coisas. Mas consegui definir o que eu quero pra minha vida, de hoje em diante. Não são festas e pegação. Não é quantidade. Não é qualquer um. 

“As vezes fico pensando em o que é amor de verdade. Penso em tudo o que já vivi e o que vou viver ainda. Penso no antes e no hoje. Existe um diálogo em ‘Closer’ que resume o que estou falando aqui, quando a Alice pergunta sobre o amor, diz que ouve sobre ele, mas não o sente, não o vive. É assim que me sinto, vez ou outra.

Resolvi deixar minhas experiências passadas de lado para me dar a chance de viver algo novo, algo por completo. Resolvi me esforçar para acreditar em alguém e, antes de tudo, acreditar em mim. Resolvi acreditar em relacionamentos novamente e deixar o individualismo de lado. Em uma daquelas relações que vão e volta, soltei um ‘é porque eu não gostava de você naquela época’. É incrível como quando você aceita a sinceridade, a vida flui. 

Falei, outro dia, algo brincando, mas que me fez pensar. Foi sobre o espaço para fotos em uma carteira. Já vivi grandes amores, fortes e doloridos, cheios de emoção. Hoje, busco paz e tranquilidade, vivência, companhia, bom sexo, compartilhamento, união. E, acima de tudo, gestos pequenos que me tiram e dão sorrisos. Como dormir de conchinha (eu, dormir de conchinha. rs), escrever ‘eu te amo’ com os dedos a cada ‘oi’, deixar mensagens soltas, nas entrelinhas, com pequenas declarações. Ah, quando você lembra o quão gostoso é se apaixonar e se permitir essas pequenas fofuras, você se lembra como a vida pode ser mais gostosa. Sou um cara que dá alianças, porque gosto delas. Nem precisam ser usadas. Só gosto do que elas representam. Gosto de acordar com ‘bom dia’ e ir dormir com ‘boa noite’, de ficar esperando ser o primeiro pedaço do bolo no aniversário, a primeira pessoa que ouve alguma novidade, que recebe comentários e demonstrações de afeto em público.”

Pequenas coisas do mundo moderno, não tão líquido, mas que tiram sorrisinhos. E quando duas pessoas se dão, literalmente, à relação, cria-se algo único. 

Depois disso, é esperar pelo sim.

4 de jun de 2014

de erros do passado

blindagem.
eu sou uma pessoa simples: se você errou, arrume. não deixe situações mal-resolvidas. elas são os fantasmas de qualquer relação pessoal. quando erro, conserto. demoro para entender o erro, perceber as falhas, tento aprender. defendo a tese de que errar não é o certo – mas acho difícil alguém premeditar o erro (se assim o faz, deixa de ser erro para ser maldade). existem borrachas metafóricas na vida. nosso cérebro é uma delas. você já deve ter ouvido falar que ele, nosso centro de comando, apaga memórias ruins. seja pela supressão voluntária da memória (Freud), ou por sua reação natural. pense comigo: você se lembra exatamente de alguma dor que sentiu fisicamente na vida? você se lembra de momentos tristes, ruins, mas você não consegue lembrar, com certeza, o que sentiu naqueles momentos. o cérebro é nosso borracha, nossa defesa, nossa força de seguir em frente. 

aí partimos para o perdão. perdoar faz bem à saúde (e já foi comprovado cientificamente que, sim, faz). Jesus, lá atrás, dizem, pediu para que perdoássemos 70 vezes 7 vezes, o que significaria infinitas vezes (significa atitude, não numeral). eu não guardo rancor (eu não quero ter câncer por isso). sou daqueles que perdôo na hora. converso, entendo o problema, os motivos e evito deixar uma situação não agradável se propagar. me faz bem. mas tenho uma coisa fixa em minha cabeça: se eu disse que perdoei, é porque perdoei. nunca mais vou jogar a situação em voga. nunca mais irei culpar alguém por isso. nunca. é a base do perdão.

qual o motivo disso tudo? por eu simplesmente não entender pessoas que dizem perdoar, mas que seguem culpando. por pessoas que erraram no passado mas não ganham segundas chances. “errar é humano, perdoar é divino”, disse um Papa. a vida é cíclica, deve ser leve e, antes de tudo, é curta. 

forget e forgive. tenho tatuado nos braços. é matemática: onde a ordem dos fatores não altera o produto, mas gera um resultado.

evoluir. 

21 de mai de 2014

o meu enrolar do cabelo



eu acho que nasci assim. uma das primeiras memórias que tenho como ser humano é, com uns 4 anos de idade, ter os cabelos raspados. todos, de uma vez só. eu odiava ir ao salão e não ficava quieto por nada. o cabelo é meu, porque é que tem que cortar? um dia, sem mais e nem menos, minha mãe resolveu raspar. e eu me lembro exatamente da sensação triste que me consumiu: eu pensei sozinho “como vou dormir sem enrolar a minha franja?”. indaguei minha avó, que deu uma bela bronca em minha mãe. “você sabe que ele só dorme enrolando a franja”, disse. tive que acostumar. 

anos se passaram e o costume parece não me largar. na adolescência, com cabelos mais curtos, não tinha muito o que enrolar. eis que na fase adulta, decidi deixar a franja voltar. passo horas. acordo enrolando os cabelos, vou trabalhar enrolando os cabelos, trabalho enrolando os cabelos e só consigo descansar se os dedos sentirem os fios. é isso mesmo: eu gosto da sensação dos cabelos batendo nos dedos. o movimento tem que ser perfeito. é um vício, eu não nego. existe alguma espécie de AA?

mas resolvi parar e pensar: quando as coisas não andam pelo caminho que queria, o vício se torna mais agressivo. me dá dores no pulso de tanto repetí-lo. quisera eu conseguir parar. do nada, percebo que meu cabelo está lá, entre as mãos, minha cabeça está torta e o corpo tá doendo, mas a sensação é de calma. 

lembrei que não enrolo os cabelos quando acompanhado.
lembrei que não enrolo os cabelos quando realizado.
lembrei que não enrolo os cabelos quando muito ocupado.

deixa eu te contar: o dia foi caótico. começou muito bem, com seu cheiro, seu jeito, meigo e peculiar. com seu olhar. seu aperto. quisera eu que todos os dias começassem assim. caminhei feliz, leve, com o coração a palpitar. a tarde não foi lá essas coisas, porque eu fiquei com saudade de te abraçar. eu enrolei meu cabelo, andei pra lá e pra cá. 


me abraça, por favor, pra eu poder acalmar.