1 de fev de 2016

como viver apaixonado



Todo dia, você acorda, levanta e me olha. E naquele segundo, meu mundo fica mais bonito e gostoso. Seu olho é claro, e isso me deixa apaixonado. Seu corpo é quente, e isso me faz querer viver abraçado na gente. É cedo ainda, mas eu vou te fazer um copo de café. Só pra ver um sorriso, porque eu acho que você é lindo sorrindo, mesmo de rosto ainda amassado. Te tiro da cama porque a vida tem pressa e a gente já não é mais criança. Você vai tomar seu banho enquanto eu assisto seu corpo. Porque eu sou apaixonado pelo seu pelo, cabelo, seu rosto e seu beijo. Você então vai embora e eu fico só, mas minha cabeça não para de pensar em você. Acho que estou apaixonado, porque tudo o que você faz me deixa feliz. Seja quando você grita, seja quando você canta desafinado, seja quando você rebola na rua só pra me deixar irritado. Eu me sinto apaixonado quando você me toca porque minha pele se calma. E eu também sou apaixonado quando vemos uma série de TV juntos, mesmo se dublada, porque é uma forma clara de deixar a minha perna mais tempo entrelaçada. E, durante o dia, eu não quero deixar de te mandar mensagem, só pra saber que você tá me vendo. Mas, êpa, talvez eu já esteja um pouco chato e isso pode te deixar sonolento. Já se foi meio dia e eu ainda não deixei de lembrar de você, que está lindo de barba feita e camiseta branca apertada, a manga dobrada. Porque seus braços são incríveis - e eles se encaixam no meu corpo. Eu não preciso nem falar como eu gosto quando a gente se beija, porque isso você já percebe logo que encosta minha boca. Meus olhos tremem e minha perna fica bamba. Daí, eu me apoioi em você, porque meu ar é falho e razo. Eu gosto quando sinto seu rosto chegar perto do meu, porque foi por ele que me apaixonei quando vi pela primeira vez. Já foi-se o dia todo e é hora te de ver de novo. ´Espera, cinco minutinhos´, te peço dando um sorriso. Não é tão fácil quanto parece, porque toda vez eu finjo não te ver chegar na rua, só pra fazer um charme. E daí você vem sorrindo, porque já sabe que te vi, mas preferi esconder. Sempre vou com alguma coisa de comer, caso o humor não esteja muito bom. Ou se a cabeça está doendo, sempre falo "é falta de você".

E é assim, todos os dias, sem nem arriscar cair na rotina, que eu me sinto apaixonado. Mesmo, às vezes, você não sabendo e nem percendo, eu tô ali, pensando em você, no seu jeito, nos nossos momentos.

15 de jan de 2016

por que escrever?

já faz mais de mês que eu não escrevo nada: nem poesia, nem notícia. mês passado estava tudo bem, obrigado, e a vida seguia infinita. pois eis que criaram um capítulo, de segredo e covardia, pra dar um chega pra cá na vida. a gente às vezes esquece o quanto ela é bonita. eu gosto de escrever porque me faz bem, faz meu cérebro trabalhar e meus dedos acabam colocando em ordem palavras que a minha cabeça não consegue encaixar. é difícil, confesso; não é tão óbvio quanto parece. quando você lê o produto final, não imagina os percalços e cuidados necessários para chegar no resultado. às vezes, escrevo pra contar uma história, sem nem menos dizer qual. outras, deixo claro que aquilo é uma carta de amor, só porque, de amor, o mundo nunca tá cheio. tem dias que é dor, outros só calor. hoje eu ainda não consigo escrever direito o que quero, mas consigo enviesar o que preciso.

sou grande fã das pessoas que sabem contar histórias, mas sou mais fã ainda daquelas que te ensinam a escrevê-las. não no sentido figurado - vá além. a vida é cheia de marcos e de tropeços, às vezes você termina um relacionamento, ou você ganha um bom dinheiro. fica doente sem saber ou espalha alegria com um beijo. sei lá; a graça é toda do elemento surpresa. é cada dia um deus ex machina.  eu já fiz lamúrias de amor, reclamei sem saber o por quê, fiz graça pra conquistar alguém e já chorei em muito filme que não precisava. já deitei no colo de gente que me fez sentir seguro e já deitei em colos que quis correr pro outro lado do mundo. já acalmei gente louca, já enlouqueci gente calma. já dancei até meu pé arder e já curei minha coluna na balada. eu já ri ouvindo música e já cantei com o pulmão latejando. já vi amigos irem embora e já abri os braços para o desconhecido (tenho isso tatuado). já achei que ia morrer e corri para o hospital pedindo amparo, mas já acordei com o corpo cheio de vontade de viver. viver pra poder escrever.

eu não preciso digitar ou caligrafar histórias pra me sentir vivo. eu só preciso saber que tudo aquilo que, quem sabe um dia, transformo em físico, seja bem vivido. escrever faz bem pra isso: pra encarar e entender passados, pra tentar justificar alguns fatos.

4 de dez de 2015

2015


Eu terminei 2014 escrevendo neste blog que eu “tinha uma carta nas mãos para 2015”. A carta, no caso, era uma novidade, um novo emprego, o meu terceiro da vida. Eu passei 5 anos no iG e 5 anos na Abril, onde praticamente criei amizades que quero levar para a vida inteira e onde eu aprendi a trabalhar, onde me encontrei profissionalmente e, por isso, o ano que começava tinha cheiro de desafio: estava decidido a deixar a empresa porque, simplesmente, ela não me realizava mais. Voltei das férias coletivas anunciando a ida para a Condé Nast. E assim fui. E só lá eu percebi o que alguém pode sentir por não fazer o que quer profissionalmente. Eu entendi o desespero, a tristeza, o vazio. Por isso, meu período lá fui curto, 3 meses que valeram anos, quando rapidamente aceitei o desafio de ir para a Caras, trabalhar com amigos e de frente ao meu namorado. Um grande acerto. A Caras, apesar de também curta, me fez conhecer gente profissionalmente boa, me fez entender melhor algumas questões burocráticas e, principalmente, me fez entender o que eu realmente gostava de fazer. E eu esperava ficar por lá um bom tempo, até que em julho, a Giuliana Tatini me convidou para um novo desafio. 

A Giu merece um parágrafo à parte. Eu a conhecia da Abril, por ouvir outras pessoas comentarem sua competência e sua braveza. Eu tinha medo cada vez que eu tinha que falar com ela, apesar de ela sempre ter me tratado muitíssimo bem. Rumores. Trabalhar com a Giu foi uma das coisas mais agradáveis, legais e cativantes desse ano. Ela me ensinava a cada reunião, a cada decisão, a cada postura e a cada sorriso que dava, cada realização, o que era ser um bom profissional. Mesmo sem ela nem imaginar, eu analisava cada passo que ela dava para eu poder, um dia, quem sabe, me espelhar. Giu é foda em tudo o que diz e faz e eu me sinto totalmente feliz, satisfeito e agradecido por ela ter confiado em mim e me levar ao Estúdio Globo, na Editora Globo, onde conheci melhor tantas outras pessoas competentes. Giu foi desbravar novos desafios e deu lugar à Fernanda, que também, em tão pouco tempo, já se mostrou capaz de mover um mundo para entregar algo que a deixe satisfeita. São dois sorrisos por dia: ao acordar e ir trabalhar e ao ir embora e saber que estamos fazendo algo bom.

Profissionalmente, foi um ano turbulento até chegar onde estou agora. Cuidando de um projeto que me realiza a cada produção, que me deixa feliz a cada publicação, que tem um time completo e incrível de profissionais que ensinam, compartilham e vibram junto. Eu realmente quero ter essa carta na manga para 2016 – porque eu espero que esse projeto tenha vida longa e continue me deixando feliz. 

Ufa. Chega de falar de trabalho, é hora de falar de todo o resto. Eu tenho essa mania de escrever a retrospectiva no blog (e, confesso, nem lembrava dela agora, mas o Matheus me deixou feliz ao postar que espera ansiosamente pelo texto. É bom saber que alguém te lê e que gosta do que lê). Eu amadureci muito em 2015. Eu aprendi a criar barreiras e escudos sentimentais pra não me permitir passar por coisas que já passei. Lá pelo meio do ano, eu sofri um baque emocional que quase me fez desmoronar. Mas eu sou cercado por anjos. Michele, a sempre Michele, e Lucas me seguraram muito bem. Todas as horas que eu quase sucumbi, eu sentia uma mão me segurar pelas costas. E não foram poucas. Não tem como esquecer aquele momento em que compartilhávamos uma nova experiência em uma festa e eu, dançante e sorrindo, abri os olhos no meio da minha música predileta do ano, Blank Space, e vi tudo o que não queria ver. Não tenho como esquecer a sutileza, a rapidez e não sentir o calor dos dois abraços que ganhei momentaneamente e que me deixaram, no meio da balada, chorar pra ninguém ver. 

A vida prepara surpresas que não esperamos simplesmente para nos tirarmos do conforto. Eu ainda não entendo muito bem os acontecimentos daquela época e nem sei bem de quem é a culpa de tudo aquilo acontecer. Mas foi ali, o maior aprendizado. Eu consegui deixar gente pra trás com facilidade, consegui seguir a vida e, principalmente, me abri para conhecer gente nova, dar risadas diferentes, segurar mãos mais quentes e me permiti a aventuras que nunca tinha me permitido. Foram loucuras, foram dias divertidos, foram dias doloridos, mas que ajudaram a construir um cara mais esperto. Como me disseram hoje, “você não deve ter um só pé atrás, você deve ter um atrás e o outro pronto pra correr”. 

Dormi em um espaço minúsculo com o Renan e o Mozart, com pernas magistralmente encaixadas e com o Renan se segurando em meu peito para não cair. Dormi em camas brancas, fui infantilóide quando senti meu coração vibrar mais forte por alguém, tive conversas longas e sérias com gente diferente. Fui pela primeira vez meditar e comecei a meditar sozinho em casa, mesmo que 5 minutinhos. Mudei de academia. Sentei em uma mesa de bar com estranhos só porque eles me chamaram e bati um papo sobre política como se fossemos melhores amigos. Dormi na casa de um estranho pela primeira vez – e saí com um estranho pela primeira vez. Chorei escondido ao ver o País afundar politicamente e me senti totalmente pequeno quando percebi que não adianta gritar, mas vamos ter que assistir os jogos vorazes de camarote. Ouvi Adele e cantei até os pulmões explodirem. Viciei a mim e outros em Taylor Swift. Fui em shows. Chorei em um show no ombro do Alcides simplesmente porque aquele momento era pra ser compartilhado de outra forma. Fiz aventuras e mais aventuras com o Lucas – e a gente se divertiu pra valer. Conheci melhor o Renan e fiquei perdidamente apaixonado pelo jeito ingênuo dele. Aumentamos o grupo. Recebi uma declaração da Gabrielle no meio da balada que me fez abrir um sorrisão de felicidade. Vi o Matheus se fantasiar e chorei de rir com ele tocando na Yacht. Conheci o novo namorado do meu ex-namorado no meio da balada. Senti a felicidade deles. Fiquei feliz por ele ter achado alguém que faça o que eu não consegui fazer. 

Vi a Michele ir embora. Acompanhei a Michele longe. Vi a Michele voltar e a gente continua, oh, a mesma coisa. Passamos um final de semana em uma viagem inesquecível presos em um sítio sem sinal de celular e foi uma experiência maravilhosa. Chorei. Me aproximei da Balera e da Teruya. Ah é, bie? Eu sempre disse que a melhor parte da vida é descobrir pessoas. Eu fico quietinho no começo porque tenho vergonha e preciso fazer uma análise rápida do que é cada um. Depois, quando eu me sinto confortável, eu me deixo conhecer. E, não adianta, foi amor. Amor por estar no meio de tanta gente legal, tanta gente bonita, tanta gente de coração bom. 

VIBES. Poucos dias superam ~aquele~ dia.

Vi minha irmã casar. E foi um dos momentos mais lindos e sinceros que já tive na vida. Vê-la ali, linda, subir no altar e pegar nas mãos do homem que ama me fez acreditar no amor, na bondade, nas pessoas, e me fez querer ter alguém pra compartilhar  vida comigo dessa forma. 

Viajei para a Disney. Depois de ameaçar voltar para NY 2 vezes durante o ano, acabei fazendo uma viagem não planejada de última hora para comemorar o meu aniversário de 28 anos. Não sei se fui contagiado pela felicidade do lugar, mas eu passei 8 dias leves, de sorrisos sinceros, de mãos dadas, dormindo de conchinha e de momentos que vão ficar gravados na memória para o resto da vida. Eu quero voltar para aquele lugar todas as vezes que forem possíveis só porque, ali, não há tristeza. Existe amor. Existe fofura. Existe um mundo mágico e é possível senti-lo em todo o canto. 

Pintei meu cabelo de inúmeras cores. Fui criança. Passei por todos os sentimentos que alguém pode passar. Tive acessos de raiva como nunca tive antes. Vi meu corpo reagir ao meu emocional. Levei um susto físico no meio do ano. Preparei surpresas de aniversário para alguém. Corri na chuva e me molhei e deixei o vento secar, sentado em um jardim olhando o céu. Peguei o carro e viajei. Aprendi que não adianta eu me planejar muito. Não adianta eu querer prometer que 2016 vai ser melhor. 2015 foi o que tinha que ser, da melhor forma possível. Se eu tivesse o planejado, ele não seria da forma que foi. Se eu não tivesse me permitido tanto o desconhecido, eu não teria me surpreendido tanto. A vida, infelizmente, não é como uma agenda ou um plano orçamentário. A gente tem que ir dando passos, ora longos, ora curtos, e estar disposto a tropeçar. E se a queda machucar, existem curativos espalhados por aí. São meus amigos, é minha família, é o coração que me mantém vivo.

Por isso, 2016, eu te espero. Espero de braços abertos com o que você quiser me trazer. Espero, só, que me deixe escrever de novo ao final do ano. É uma delícia relembrar tantos momentos assim e, sentado aqui, ao som de Piaf, percebi que o ano não foi terrível como eu imaginava que foi. Ele foi maravilhoso, porque ele foi cheio de amor - mesmo que, por alguns meses, esse tenha sido o meu maior motivo de tristeza. 2015, em resumo, é a foto desse post.

Um grande beijo,
Caio

20 de set de 2015

É hora de voar, Michele.


Eu tenho uma amiga. Melhor dizendo (e parafraseando um texto lido na semana): eu tenho uma melhor amiga da vida adulta. Se em algum momento você leu, viu ou ouviu sobre mim, você também já conhece a Michele.

Ela é uma jóia. Todo mundo que conhece a Michele, se encanta de prontidão. É um ser com espírito evoluído, que transpira energia e felicidade, que sorri bonitinho com os olhos puxadinhos, que só tem coisa boa dentro de si.

Ela me conhece por inteiro. Sabe das minhas manias, do que não gosto, de como dou risada engraçado e de que preciso de um café ao acordar. Ela me dá bronca em alto e bom som. E me faz carinho no metrô. E também me abraça cheia de afago.

Michele e eu nos apaixonamos logo nas primeiras vezes que saímos juntos. Ela me apresentou a cerveja e eu, bem, não sei o que apresentei para ela, mas sei que tenho vontade de protegê-la desse mundão a todo custo. Ela é uma raridade, uma pessoa que não tem comparação, não tem adjetivos pra qualificar.

Eu sei que é confuso e complicado falar de sentimentos. Acho que ninguém consegue descrevê-los com facilidade. Mas eu sinto um amor imenso por Michele. E eu sei disso porque uma das cenas mais bonitas do mundo é vê-la dançar. Ela voa. Ela abre os braços e, feliz, pula e canta e gira sem parar. Isso me faz abrir um sorriso todos os dias e querer gritar pro mundo que aquilo, aquela pessoa, vale um milhão de sentimentos. Porque é só assim que dá pra qualificar.

Mas a Michele vai voar. Vai para longe um pouco e me deixar. Não que eu fique triste por isso, pelo contrário, eu estou irradiando felicidade por essa conquista dela e torço muito para que tudo dê certo. E tento ajudar. Mas eu vou ficar. Como vou, às terças, mandar mensagem e falar: topa comer um Habib’s? E, 10 minutos depois, ela está lá. Porque Michele não nega nada. 

Quando saí do lugar que nos conhecemos, fiquei receoso. "Será que nossa amizade ia acabar?", pensei. Pelo contrário. A gente se apaixonou mais e continuamos a brincar. E quando Michele for, eu vou querer todos os dias ligar. Só pra ouvir aquela voz e saber que tá tudo bem. E ouvir as peripécias da noite anterior ou, desesperado por alguma desilusão amorosa que a vida sempre me dá, chorar. Aliás, que momento aquele, quando você me abraçou com o Lucas na balada e, ao som de Blank Space, me deram o melhor colo do mundo e me deixaram chorar. Exposto, na frente de mais de mil. Meu coração, pedra como estava, amoleceu. 

Mas Michele volta. Volta logo e eu vou estar lá, na porta do aeroporto, tocando uma música no violão, como prometido. Vou ocupar meu tempo de coisas novas e boas pra quando a saudade machucar. Eu só quero compartilhar com o mundo o quanto você é necessária e especial pra todos que te cercam. Como dissemos no final de semana anterior, você é o elo que mantém um grupo reunido. Você é a essência, é o turning point da minha vida. Então vai, se diverte, aprende, desbrava, se redescobre, amadurece, sofre e grita no meio da Times Square. Welcome to New York, Michele. Aquele lugar, tenho certeza, vai te mudar em algo. 

E quando voltar, corra me abraçar. 

Agora me vou, porque a Michele, minha melhor amiga, minha paixão platônica, está aqui na porta, me esperando pra brincar.

9 de set de 2015

o que eu aprendi com você


você tá por aí, andando como se tanto faz. como se fosse um profissional de deixar as coisas pra trás. você simula um sorriso, um gesto de carinho. você some nos dias de chuva e deixa a cama vazia. mas é só a tempestade baixar pra mostrar a fraqueza, pra dizer que não sabe o que quer. 

eu acho que você não é de verdade, que não me vale de nada. que só quer brincar com meus sentimentos e estraçalhar o que resta de mim. você me parece maluco, perdido no seu mundo, sem saber qual passo dar. mas aí você chega, chega trazendo seu cheiro estonteante, seu olho azul pulsante e me abraça como se eu fosse teu. você sabe que é o bastante pra fazer minha perna tremer e meu corpo suar. pro meu coração bater e minha boca secar. pro tempo todo parar.

mas eu resolvi te esquecer. te coloquei na caixinha pra te deixar viver. dancei nossa música de olhos fechados. apaguei todos os seus recados. tirei o seu porta-retrato. loucura e equilíbrio, é o que tenho tatuado. e mais um pouco de amor, bem avoado. hoje eu já não sei o que sinto, mas sei que é mais do que carinho. e também é passado. 

vaivém. 
fica bem. 

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And when we've had our very last kiss
My last request, it is
Say you'll remember me
Standing in a nice dress
Staring at the sunset, babe
Red lips and rosy cheeks
Say you'll see me again
Even if it's just in your wildest dreams


24 de ago de 2015

paixões



ninguém aqui quer cagar regras sobre ela
até porque você vive o sentimento como acha que deve
intenso, fraco, bonito, estranho, louco
mas a gente precisa falar sobre a paixão
sábado eu ouvi alguém me falar que a gente é só amor
nosso corpo, nossa vida, nosso redor
tudo é amor, da forma mais pura que ele existe.
se chama coexiste.
é bem fácil saber quando estou apaixonado
quero ver o outro 24/7
quero fazer surpresa
quero aparecer do nada
quero viver loucura
quero ser intenso
quero ser só carinho
e quero dormir juntinho
mesmo que a cama não tenha lençóis brancos
ou que ele dê uma roncadinha fofa
a paixão transforma coisas bobas em porradas
a risada estranha se torna o som mais incrível do mundo
e o jeito torto de andar vira um passo na passarela
até a antipatia maternal vira fofura
e o café da manhã ganha um significado maior
que o dia só tá começando
e a gente vai viver ele juntos
paixão bota fogo na cama
e ânsia na espera pra ver o outro
são segundinhos que demoram horas
porque a saudade se bota em prática
e na hora do beijo de ´oi´
já era
o mundo estaciona
e a gente não quer mais desgrudar
porque não preciso de mais nada
tem também aquelas paixões malucas
que surgem e vão do nada
que são efêmeras
mas pra sempre lembradas
e tem a paixão mais bonita
a que dura uma vida
que repete tudo isso aí de cima
dia a dia
sem precisar ser cobrada
e, apesar de linda, também pode ser sofrida
é a paixão que vira amor
e, que como disse antes, é o que faz da gente, vivos
viva a sua como um louco
e perceba que a vida tem vários outros sentidos
quando você gosta
ama
vibra
e chora.

16 de jun de 2015

a síndrome do tanto faz


Faz um tempo que sinto algo me incomodar. Não é algo óbvio e certeiro e talvez eu até faça parte disso tudo. É um pouco triste, um pouco desesperador.

É a avalanche de “tanto faz” que ouço por aí.

Às vezes, literalmente. Outras vezes, perceptíveis nas ações. Parece que todo mundo perdeu intensidade, perdeu brilho nos olhos, deixou a alma de lado pra viver uma coisa que tanto faz. 

Um dia, eu conheci alguém que me disse que terminou uma relação por ser considerado muito intenso. Basicamente, era uma pessoa de verdade, com sentimentos, com vontades, com tesão. Eu era um pouco mais jovem e, juntos, rimos da situação. Coincidência ou não, nascemos no mesmo dia.

Foi desde aí, então, que eu comecei a me perceber rodeado de gente “tanto faz”. Percebi que faço parte – e vivo – uma “geração whatever”, onde existe uma hiperindividualização massificada de pessoas: a gente tem um gama de opções para escolher algo novo, para diversificar, para arriscar, mas acabamos escolhendo aquilo que nos conforta e é mais fácil.

Às vezes, a gente nem escolhe. Deixa alguém escolher. 

Meus caros, não é algo fácil perceber que você virou alguém que tanto faz. Quando pequeno, eu aposto que você sempre teve alguma vontade de mudar o mundo de alguma forma. Seja sendo o Super-Homem, seja sendo alguma celebridade que ia encantar a todos. Pois bem: ninguém muda nada sendo um tanto faz. Aliás, ninguém conquista nada assim. 

E isso se expande para vários âmbitos – talvez, graças às pelas redes sociais. A gente reclama do País, da Presidenta, da comida, do trabalho, dos amigos, das relações. Mas quando a gente tenta se entender e perceber o que, além de reclamar, estamos fazendo, a gente percebe que o erro nasce bem dentro da gente.

É sempre tanto faz. Desde a escolha dos nossos votos, da decisão de sair para almoçar, de arrastar uma relação onde o amor já se foi. De ficar estagnado em um trabalho só por estar cômodo ou por ter medo de arriscar. Tanto faz. Tanto faz.

O velho tanto faz acaba resumindo nossa vida à uma vida medíocre e tão passageira que, talvez, no fim, nem faça tanto sentido ter sido vivida. É fácil reclamar, mas é mais fácil ainda ser conivente. Está cada dia mais difícil encontrar gente especial. Gente que faz o coração vibrar. Gente que tem sangue dentro dos olhos e uma cabeça cheia de ideias para se discutir. Gente que quer fazer algo e se move pra isso. Gente que não responde tanto faz quando a gente pergunta o que podemos fazer numa sexta-feira à noite. A resposta, vai, não é tão difícil. Podemos discutir juntos ou sugerir. Podemos encantar e surpreender – o elemento surpresa está morrendo. Por isso até os filmes andam chatos. Imagine a vida. ;)

Eu não tenho como, infelizmente, não citá-lo de novo – talvez por ser um dos poucos filósofos que realmente li. Bauman nos classifica como líquidos, onde “líquido” significa fluir, escorrer entre os dedos, vazar. Em resumo, Bauman explica a nossa sociedade atual – insegura, cheia de incertezas, que tomou o lugar da época anterior, denominada como modernidade sólida (algo exemplificado lá em 1984, por Orwell). Vivemos em uma época onde as relações estão cada vez mais flexíveis. “As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas”. 

Eu não estou fugindo disso tudo ou dizendo que sou diferente. Pelo contrário, eu tento, sempre, encontrar um caminho, por mais individualista que isso seja, para devolver ao mundo as coisas boas que ele me entrega. A vida é uma troca eterna de experiências e sentimentos e, como já disse o filósofo citado acima, temos que entender que “a árdua tarefa de compor uma vida não pode ser reduzida a adicionar episódios agradáveis. A vida é maior que a soma de seus momentos”. 

Dito isso, eu tento não criar somente momentos, mas sim sensações e discussões, talvez mais internas do que para o mundo, de onde estou, onde quero chegar e como ser alguém mais presente, mais verdadeiro e mais marcante para toda a realidade que me envolve. 

Nunca fui de deixar as coisas escorrerem pelos dedos. Eu sou alguém intenso. Calmo, muito calmo. Mas que grita, bate, pula, esperneia. Quero viver com a certeza de que tudo está valendo à pena. 

E talvez você também seja assim. Talvez, aí dentro, exista um fogo querendo virar incêndio. Eu não quis, de verdade, mudar algo em você com esse texto – mas espero ter te provocado de alguma forma. 
“O mundo é uma comédia para os que pensam, e uma tragédia para os que sentem.”
 Walpole

22 de mai de 2015

nossa última dança


Dia desses tava lembrando
De como a gente se aninhava na sua sala
Você com a cabeça no meu peito
Com os pés se trombando
E o corpo quente juntinho
A gente ligava uma música
Sem se preocupar com qual
E o mundo parava todinho
Porque a gente dançava
Lembro como era gostoso dançar com você
Não sei se as pessoas ainda fazem isso
Mas a gente dançava pra gente
Era um ritual de calmaria
Eu, você, a sala e a música
Tocando baixinho
Ela era coadjuvante na história
Porque nós éramos as estrelas
E quando acabavam aqueles três minutos
A gente jogava o colchão no chão
Sem pretensão
E ríamos um para o outro
Porque éramos dois loucos
Dois loucos apaixonados
E era isso que fazia da gente
Especiais
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Hey, these days are long gone
And when I hear this song
It takes me back
 We were on top of the world
Back when I was your girl
We were living so wild and free
Acting stupid for fun
All we needed was love
That's the way it's supposed to be

11 de mai de 2015

cagação de regra no namoro

“namore alguém que te faça rir”
“namore alguém que te dê prazer”
“namore alguém que te deixe 100% feliz”
“namore alguém que te faça perder a cabeça”
“namore alguém que bagunce a cama e a vida”
“namore alguém que…”

Meus caros. Namore. Namore se quiser. Não busque alguém que te faça rir, porque no fundo, essa pessoa pode estar só te deixando louco. Muito menos alguém que só te dê prazer. Namore sem regras, sem esperar nada de ninguém, mas namore sabendo que é o que você quer. Namore quem você quer ao lado, não alguém que complete uma frase.

Cada vez mais eu vejo gente buscando parâmetros e premissas para namorar. Não entendo como essas pessoas podem ser felizes, se compartilham loucamente textos exemplificando o namoro ideal. Se alguém soubesse a fórmula, as músicas não teriam graça, muito menos os livros, poemas e novelas. Os filmes, então, não seriam arte e nem emocionariam.

Pare de buscar alguém que te faça algo. Namore por estar feliz, por sentir prazer, por saber que é, por querer planejar, por gostar das mãos, por dormir pelado, por querer vê-lo sempre sorrir, por carinho inesperado, por surpresas agradáveis ou por loucura, por dor, por raiva, por carência. Não se inspire, só acredite. Dê a cara na porta e não ligue se doer. Difícil os que morrem de amor. 

Namore um combo. Mas, antes, namore-se. Afinal, é o nosso estado de espírito, nosso presente, nossa verdade que diz o que seremos, como seremos. Namore, caralho. Se todos os namoros fossem lindos como a gente vê a galera pedir e compartilhar, o mundo seria um antro de gente sem graça, vivendo uma falsidade sem tamanho.

Namore alguém que não te entenda, mas te descubra, te desafie, te leve à loucura. 

14 de abr de 2015

mais, mais, mais e mais mudanças.

eu estou com uma vontade louca de escrever, apesar de não saber exatamente o quê. pensei em várias coisas, em como minha vida mudou loucamente só neste primeiro trimestre de ano que passou, ou como encaminhei algumas decisões que, no final, ainda são incertas. sempre fui um cara relutante à mudanças. nunca gostei – talvez entenda melhor agora; não era gosto, mas medo. mudar o que está confortável requer um esforço grande que, às vezes, acaba não valendo tanto a pena. por isso vemos pessoas infelizes no trabalho, no amor, na vida. por aceitar o conforto. 

quem me acompanha um pouco, sabe que minha vida pessoal foi um pouco insana nos últimos anos. foram difíceis, mas necessários. agora eu percebo que tudo isso é devido a minha hiperatividade social e pessoal: eu não consigo ficar quando não estou feliz. quando eu perco o tesão nas coisas, eu preciso mudar. mas antes disso, me rebelo. crio uma batalha interna que, obviamente, acaba escapando do corpo e rebatendo nos que me cercam. foi no final dos meus 24 anos que eu percebi que o amor da minha vida já não se importava tanto comigo e, com essa informação concreta em minha cabeça, eu revirei o mundo de cabeça para baixo para tentar reconquistá-lo. o resultado foi uma confusão que nem eu ainda entendo. fiz tudo errado, de todas as maneiras possíveis, e tais erros se arrastaram por longos e doloridos anos, onde a tristeza e a incerteza imperavam minha vida. hoje, ao encontrar uma carta guardada em uma caixinha secreta, sem querer, leio as letras tortinhas e sinceras e duas lágrimas caem dos olhos que, semi-cerrados, ainda lembram daquele rosto, que agora virou história. “não presta separar chateados”, sua avó dizia. o destino (talvez Saturno) fez com que fiquemos exatamente como sempre lutamos para não estar.

eu não desconsidero o passado, dado que ele me formou. todas as minhas histórias são muito vivas em minha cabeça e, aí, talvez more um grande pecado meu: insisto em relembrá-las em momentos não muito agradáveis. é que quando eu sinto uma emoção que já senti um dia, acabo ligando os pontos e trazendo tudo à tona. meu jeito, com um grande déficit de atenção, faz com que eu solte as palavras que deveriam ficar ali, guardadas na caixinha. quem vive de memória é museu, dizem, então eu quero ser formado por elas. 

no final dos meus 26, então, já com a vida um pouco mais ajeitada e desbravando novos caminhos, entendi que o trabalho já não me deixava tão feliz. foi preciso aceitar mudar novamente para enfrentar um novo desafio. os astros, talvez, entenderam o recado e colocaram uma oportunidade à minha frente, que foi muito bem aceita. meu coração, hoje, é aberto ao novo – e minha forma de encarar as pessoas, mundo e sociedade, graças à Deus e para a minha sanidade, evoluíram. fui. mas faltou o tesão. percebi na primeira semana, enganei a cabeça e me forcei a ficar. dois meses e poucos dias depois, acabei aceitando uma nova proposta, que me parecia mais “feliz”. fiz em uma semana o que não fiz em dois meses. não tem dinheiro, status ou lugar no planeta que pague simplesmente o fato de você trabalhar e nem sentir o dia passar, porque você está fazendo aquilo certo, aquilo que gosta. claro, causei um rombo financeiro que está me deixando de cabelos brancos por isso. mas hoje sei: uma hora, o dinheiro vem.

às vezes a gente se força para amadurecer, para destruir desafios com mais facilidade e menos dor. criamos barreiras internas para se defender do mundo, deixamos de lado vontades simplesmente para se encaixar melhor no meio. é incrível e clichê, mas a vida tem o seu tempo para cada um. não sou muito de acreditar em destino, mas parece que alguém já escreveu o seu livro e, por mais que a gente tente apagar algumas letrinhas, elas voltam a aparecer na próxima página. 

antes eu era louco por sair de balada; hoje eu já não vejo mais tanta graça (claro, adoro sair e dançar até o mundo acabar. mas vez ou outra, tá?)
antes eu queria muito, muito dinheiro; hoje eu entendo que nunca vou ser milionário, mas, talvez, vou ser sempre feliz fazendo o que faço.
antes eu queria saber amar. hoje eu sei que já aprendi um bocado e, por isso, abaixo a cabeça tantas vezes do meu dia – porque estou compartilhando tal aprendizado com alguém mais cabeça dura que eu. 

nada é certo, e é isso que torna a vida boa. não quero acordar todos os dias com a rotina escrita; quero me desafiar, quero tropeçar no caminho de casa, quero me apaixonar no metrô e ver o cara descer na próxima estação, quero cair da cadeira pra poder levantar, quero errar pra aprender, quero acertar pra crescer. esse desafio, essa descoberta, o engatinhar que a gente dá, mesmo com 27 anos nas costas, é que liga o foguinho da vida dentro da gente. quando tudo fica igual, todos os dias perdem a graça, aí, talvez, já não vale mais tanto a pena. isso não quer dizer que acabou, mas sim que chegou a hora de, de novo, mudar.