22 de mai de 2015

nossa última dança


Dia desses tava lembrando
De como a gente se aninhava na sua sala
Você com a cabeça no meu peito
Com os pés se trombando
E o corpo quente juntinho
A gente ligava uma música
Sem se preocupar com qual
E o mundo parava todinho
Porque a gente dançava
Lembro como era gostoso dançar com você
Não sei se as pessoas ainda fazem isso
Mas a gente dançava pra gente
Era um ritual de calmaria
Eu, você, a sala e a música
Tocando baixinho
Ela era coadjuvante na história
Porque nós éramos as estrelas
E quando acabavam aqueles três minutos
A gente jogava o colchão no chão
Sem pretensão
E ríamos um para o outro
Porque éramos dois loucos
Dois loucos apaixonados
E era isso que fazia da gente
Especiais
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Hey, these days are long gone
And when I hear this song
It takes me back
 We were on top of the world
Back when I was your girl
We were living so wild and free
Acting stupid for fun
All we needed was love
That's the way it's supposed to be

11 de mai de 2015

cagação de regra no namoro

“namore alguém que te faça rir”
“namore alguém que te dê prazer”
“namore alguém que te deixe 100% feliz”
“namore alguém que te faça perder a cabeça”
“namore alguém que bagunce a cama e a vida”
“namore alguém que…”

Meus caros. Namore. Namore se quiser. Não busque alguém que te faça rir, porque no fundo, essa pessoa pode estar só te deixando louco. Muito menos alguém que só te dê prazer. Namore sem regras, sem esperar nada de ninguém, mas namore sabendo que é o que você quer. Namore quem você quer ao lado, não alguém que complete uma frase.

Cada vez mais eu vejo gente buscando parâmetros e premissas para namorar. Não entendo como essas pessoas podem ser felizes, se compartilham loucamente textos exemplificando o namoro ideal. Se alguém soubesse a fórmula, as músicas não teriam graça, muito menos os livros, poemas e novelas. Os filmes, então, não seriam arte e nem emocionariam.

Pare de buscar alguém que te faça algo. Namore por estar feliz, por sentir prazer, por saber que é, por querer planejar, por gostar das mãos, por dormir pelado, por querer vê-lo sempre sorrir, por carinho inesperado, por surpresas agradáveis ou por loucura, por dor, por raiva, por carência. Não se inspire, só acredite. Dê a cara na porta e não ligue se doer. Difícil os que morrem de amor. 

Namore um combo. Mas, antes, namore-se. Afinal, é o nosso estado de espírito, nosso presente, nossa verdade que diz o que seremos, como seremos. Namore, caralho. Se todos os namoros fossem lindos como a gente vê a galera pedir e compartilhar, o mundo seria um antro de gente sem graça, vivendo uma falsidade sem tamanho.

Namore alguém que não te entenda, mas te descubra, te desafie, te leve à loucura. 

14 de abr de 2015

mais, mais, mais e mais mudanças.

eu estou com uma vontade louca de escrever, apesar de não saber exatamente o quê. pensei em várias coisas, em como minha vida mudou loucamente só neste primeiro trimestre de ano que passou, ou como encaminhei algumas decisões que, no final, ainda são incertas. sempre fui um cara relutante à mudanças. nunca gostei – talvez entenda melhor agora; não era gosto, mas medo. mudar o que está confortável requer um esforço grande que, às vezes, acaba não valendo tanto a pena. por isso vemos pessoas infelizes no trabalho, no amor, na vida. por aceitar o conforto. 

quem me acompanha um pouco, sabe que minha vida pessoal foi um pouco insana nos últimos anos. foram difíceis, mas necessários. agora eu percebo que tudo isso é devido a minha hiperatividade social e pessoal: eu não consigo ficar quando não estou feliz. quando eu perco o tesão nas coisas, eu preciso mudar. mas antes disso, me rebelo. crio uma batalha interna que, obviamente, acaba escapando do corpo e rebatendo nos que me cercam. foi no final dos meus 24 anos que eu percebi que o amor da minha vida já não se importava tanto comigo e, com essa informação concreta em minha cabeça, eu revirei o mundo de cabeça para baixo para tentar reconquistá-lo. o resultado foi uma confusão que nem eu ainda entendo. fiz tudo errado, de todas as maneiras possíveis, e tais erros se arrastaram por longos e doloridos anos, onde a tristeza e a incerteza imperavam minha vida. hoje, ao encontrar uma carta guardada em uma caixinha secreta, sem querer, leio as letras tortinhas e sinceras e duas lágrimas caem dos olhos que, semi-cerrados, ainda lembram daquele rosto, que agora virou história. “não presta separar chateados”, sua avó dizia. o destino (talvez Saturno) fez com que fiquemos exatamente como sempre lutamos para não estar.

eu não desconsidero o passado, dado que ele me formou. todas as minhas histórias são muito vivas em minha cabeça e, aí, talvez more um grande pecado meu: insisto em relembrá-las em momentos não muito agradáveis. é que quando eu sinto uma emoção que já senti um dia, acabo ligando os pontos e trazendo tudo à tona. meu jeito, com um grande déficit de atenção, faz com que eu solte as palavras que deveriam ficar ali, guardadas na caixinha. quem vive de memória é museu, dizem, então eu quero ser formado por elas. 

no final dos meus 26, então, já com a vida um pouco mais ajeitada e desbravando novos caminhos, entendi que o trabalho já não me deixava tão feliz. foi preciso aceitar mudar novamente para enfrentar um novo desafio. os astros, talvez, entenderam o recado e colocaram uma oportunidade à minha frente, que foi muito bem aceita. meu coração, hoje, é aberto ao novo – e minha forma de encarar as pessoas, mundo e sociedade, graças à Deus e para a minha sanidade, evoluíram. fui. mas faltou o tesão. percebi na primeira semana, enganei a cabeça e me forcei a ficar. dois meses e poucos dias depois, acabei aceitando uma nova proposta, que me parecia mais “feliz”. fiz em uma semana o que não fiz em dois meses. não tem dinheiro, status ou lugar no planeta que pague simplesmente o fato de você trabalhar e nem sentir o dia passar, porque você está fazendo aquilo certo, aquilo que gosta. claro, causei um rombo financeiro que está me deixando de cabelos brancos por isso. mas hoje sei: uma hora, o dinheiro vem.

às vezes a gente se força para amadurecer, para destruir desafios com mais facilidade e menos dor. criamos barreiras internas para se defender do mundo, deixamos de lado vontades simplesmente para se encaixar melhor no meio. é incrível e clichê, mas a vida tem o seu tempo para cada um. não sou muito de acreditar em destino, mas parece que alguém já escreveu o seu livro e, por mais que a gente tente apagar algumas letrinhas, elas voltam a aparecer na próxima página. 

antes eu era louco por sair de balada; hoje eu já não vejo mais tanta graça (claro, adoro sair e dançar até o mundo acabar. mas vez ou outra, tá?)
antes eu queria muito, muito dinheiro; hoje eu entendo que nunca vou ser milionário, mas, talvez, vou ser sempre feliz fazendo o que faço.
antes eu queria saber amar. hoje eu sei que já aprendi um bocado e, por isso, abaixo a cabeça tantas vezes do meu dia – porque estou compartilhando tal aprendizado com alguém mais cabeça dura que eu. 

nada é certo, e é isso que torna a vida boa. não quero acordar todos os dias com a rotina escrita; quero me desafiar, quero tropeçar no caminho de casa, quero me apaixonar no metrô e ver o cara descer na próxima estação, quero cair da cadeira pra poder levantar, quero errar pra aprender, quero acertar pra crescer. esse desafio, essa descoberta, o engatinhar que a gente dá, mesmo com 27 anos nas costas, é que liga o foguinho da vida dentro da gente. quando tudo fica igual, todos os dias perdem a graça, aí, talvez, já não vale mais tanto a pena. isso não quer dizer que acabou, mas sim que chegou a hora de, de novo, mudar. 


9 de fev de 2015

amor de verdade, vale.

a dor.
a dor é complexa. grande. torturante. muita gente não entende.
deixar a vida ao lado.
os amigos ficaram afastados.
a gente abaixa a cabeça.
ela dói, lateja, grita, esperneia.
é difícil viver um amor.
um amor vigiado.
todos os dias, vem a pergunta: vale a pena?
vale.
amor de verdade, vale.
vale o segundo de felicidade que bate quando acordamos com o corpo lado a lado.
vale a briga, a dor, a loucura. vale a tentativa.
vale na hora de dormir abraçado.
ninguém sabe o que vai ser do amanhã.
a gente só sabe que tudo pode mudar.
ou não.
é difícil, ser um pra ser dois.
é legal o complemento.
o beijo.
sabe? a gente sofre pra caramba.
mas a gente gosta de amar.
demora muito tempo pras coisas passarem.
fica uma jornada triste no caminho.
mas nosso corpo apaga, e guarda só o que vale.
é a perfeição do ser humano.
é o coração gritando.
mas, quando as coisas terminam, o que importa são os passos.
os passos que virão.
o caminho que a gente quer seguir.
o que a gente quer ser.
o que a gente vai, de novo, amar.
ou quem.
antes disso tudo, existe uma trilha pior:
descobrir-se 100% de novo.
entender o seu tempo.
o seu corpo. o seu jeito.
descobrir o amor próprio.
rir até a barriga doer.
rolar no chão com pessoas novas.
abraçar a amiga a ponto de querer chorar.
tirar as fotos do porta-retrato.
ver o quarto esvaziar.
deixar de ver o rosto parado, num momento fotográfico, todos os dias ao acordar.
apagar a música tema.
odiar memórias.
esquecer o cheiro.
riscar o diário.
estragar as surpresas.
acabar.


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trecho abaixo do The Bro Code:

Sabe, de verdade.

A gente não vem ao mundo

com a missão de beijar e transar.

Para alguns até pode ser.

Mas eu prefiro acreditar

que a missão é amar.

30 de jan de 2015

faz de conta


Faz de conta que ela é Carla.
Carla vive uma vida tranquila, mas apaixonada. Tudo ia bem até ela conhecer aquele cara.
Ela sabe que não tem como; paixão tem que ser vivida, ou pelo menos sentida.
Largou tudo. Deixou casa, trabalho e família para trás. Ela, ele e nada mais.
Claro que toda paixão tem suas descrenças. Aventuras intensas.
Clara já não sabia mais o que era. Foi amor, mas talvez num pretérito mais que perfeito. O futuro preocupava. Clara não se sente querida, desejada, necessária. Eram dois (e sempre foram), mas perderam o anseio de ser um.

Do outro lago, finja que ele se chama Caio (rá!).
Conheceu Carla por acaso, o Caio.
A vida continuou, agora com mais dois braços para se pôr.
Braços quentes, apaixonados, fáceis.
Toda noite, Clara o esperava com um sorriso no rosto e outro no corpo. O coração pulsante de paixão.
Caio não se deixou apaixonar, mas preferiu tentar. Se enganar.
Fez Carla o desejar. A comodidade de uma relação diminuia a vontade de seguir sozinho. Abraços, beijo, companhia e desejo.
No final do dia, Carla valia a pena.

Não vão chegar a nenhum lugar. Só vão assistir a vida passar.
Um, se doando para algo que não existe. Outro, fingindo existir.
Amores, antes de intensos, loucos e para sempre, precisam ser honestos. O amor ocupa o nosso corpo inteiro, não fica preso somente no coração. Ele é maior que tudo e menor que nada. É equilíbrio, é vertigem, é morada. Sem amor, não nos sobra nada.

14 de jan de 2015

leveza

"O homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. 

Pelo fato da vida ser, relativamente, tão curta e não comportar “reprises”, para emendarmos nossos erros, somos forçados a agir, na maior parte das vezes, por impulsos, em especial nos atos que tendem a determinar nosso futuro. Somos como atores convocados a representar uma tragédia (ou comédia), sem ter feito um único ensaio, apenas com uma ligeira e apressada leitura do script. Nunca saberemos, de fato, se a intuição que nos determinou seguir certo sentimento foi correta ou não. Não há tempo para essa verificação. Por isso, precisamos cuidar das nossas emoções com carinho muito especial."

Da Insustentável (título) do ser. 

6 de jan de 2015

sobre o futuro

para ler ouvindo:

“You are in the process of setting up a whole new structure to your life, and you are now engaged with creating the foundation. As they say, the deeper the foundation you create, the taller the building can be. All your instincts are right, so go with them, and don't second-guess yourself by asking friends and family for their advice. At times you may wonder if you have bitten off more than you can chew, but again, you are entering a new era with Saturn newly minted in your sign of Sagittarius - an occasional feeling of being overwhelmed often comes with the territory.”

Susan Miller abriu meu janeiro assim, com a mais pura verdade: estou estruturando uma nova vida e, para isso, é preciso fazer a base. O Ano Novo, o 1º de janeiro, é só mais uma data qualquer. Nada muda, você dorme e acorda exatamente igual ao dia anterior, não importa a cor da cueca que escolheu ou se a camiseta era branca. O Ano Novo, no entanto, é uma oportunidade para novos planos, para se inspirar e ir atrás de vontades, para aquele empurrão que talvez faltasse para tocar a vida como a gente gosta. E ela, a vida, prepara surpresas pra gente – o que é, de fato, o que a torna interessante. Decidi que quanto mais limpo, livre e tranquilo eu conseguisse começar o ano, melhor. E essa seria minha única resolução: ser livre. Ser leve.

Mudanças apareceram logo no primeiro dia.
Sempre discuti como o amor rege boa parte da minha vida. Eu sou um louco apaixonado e, quando caio no sentimento, me desdobro para conquistá-lo em minhas mãos, para ter controle, para viver com emoção. Eu sou aquele tipo de cara que fecha uma viagem sem pensar pela adrenalina, que pede em namoro pelo momento, que ama sem medo de se machucar no futuro. Erro bastante. Mas eu gosto dessa espontaneidade que a vida me oferece. Eu ainda não sei nada sobre o amor e ainda não consigo decifrar o motivo de ele me impactar tanto. Seja insegurança, seja loucura, seja só amor mesmo, que reúne todas essas palavras em uma única. Vai entender.

Pedi as contas. Depois de quase cinco anos trabalhando na árvore, percebi tarde que passou a hora de sair. Consegui algo que vai me desafiar, me fazer sentir aquela paixão de fazer coisas novas, descobrir o que não domino, conhecer gente nova (e algumas que já conheço). Mas isso fica para daqui 1 semana, quando encerro esse ciclo da minha vida de vez. Por ora, obrigado, firma.

Chegou a hora de colocar a cabeça no lugar para aceitar a vida como ela deve ser vivida. Ando há algum tempo com uma sensação esquisita de que a brincadeira acabou e agora a coisa ficou séria. Não sei se estou certo ou não, mas estou guiando meus dias por esse sentimento. Parece que chegou a hora de limpar tudo o que não uso mais para poder agregar coisas novas, dar passos mais largos, conhecer mais profundamente.

Resumindo, a palavra do ano é leveza.

11 de dez de 2014

2014.

Que ano, jovens. Que ano. 2014 começou com uma viagem superagradável, rodeado de gente bonita e um flerte sem fim. Um flerte que começou com uma amizade e acabou num namoro, num deslumbre, em dias quentes e gostosos, em colônia para dormir, em abraço. Um flerte que ainda existe, mas prevalece a amizade. A maior e melhor amizade. A amizade do ‘queria te ver’. Amizade.

Ainda no primeiro semestre, fui surpreendido por um convite mais que inesperado, em um domingo de noite, para curtir uma viagem com gente desconhecida para Los Angeles. Eu, que me entendi um belo viajante, fui de braços abertos. Foi uma das viagens mais loucas, gostosas e incríveis da minha vida. Fui rumo à LA sem conhecer ninguém, posei e fiquei num rooftop de um hotel incrível, sai pra curtir Hollywood e, depois, 3 dias em Palm Springs, vislumbrado pelo Coachella – e até que curti conhecer um festival desse tipo. Pessoas loucas, pessoas legais, pessoas bonitas. Não aprontei umazinha na Califórnia, mas conheci a Katy Perry e falei com o Joe Jonas. Além de dançar pra todo mundo em uma pool party e ser chamado de ‘cute brazilian guy’. É o tipo de experiência que vou levar pra vida.

Tal viagem me encorajou a fazer uma outra, também sozinho. Resolvi voltar para NY em agosto, a cidade que eu mais amo nesse planeta, sozinho. Comprei a passagem, escolhi o hotel que quis e fui. E foram um dos dias mais felizes da minha vida. A liberdade, a sensação de independência, o caminhar sem compromisso algum, o pensar de roupas sem imaginar ser julgado, as compras, a dor no pé, a chuva na Times Square e os milhares de hamburgueres maravilhosos. Os cupcakes e o café de manhã. Foi uma puta, deliciosa e libertadora viagem.

Além das viagens, esse ano eu também resolvi acalmar um pouco. Saí menos, gastei mais. Passei noites em claro decidindo quem eu era e para onde queria ir. No trabalho, as coisas ficaram de pernas para o ar e todo mundo bloqueeou qualquer informação que eu pudesse transmitir. Eles são os caçadores, a gente, as raposas. Aprendi a entender isso e abaixar a cabeça e realizar a minha função, mesmo que robótica. Um tiro no pé – mas ninguém quer mais saber.

2014 me apresentou a Maria, um ser de uma doçura tão estonteante que eu não consigo entender como uma alma pode ser tão boa. Também trouxe a Pipoca para ocupar o lugarzinho vazio que a Sandy deixou ao partir em 2013. Eu discuti um pouco de política e até abri uma poupança. Eu me aproximei um pouco mais dos meus amigos e família e decidi que eles são prioridade. 2014, aliás, eu consegui levar a minha família toda para a balada – e eles gostaram tanto que, às 23h de toda bendita festa, estão na porta, sendo os primeiros da fila. A vibe é tão boa, tão feliz, que às vezes eu me desligo do mundo ali mesmo, fico com cara de panaca e desejo que os minutos da festa durem o dobro do que deveriam. Fiz uma festa de aniversário, apesar de não gostar de comemorações, e, claro, fui impactado pelo meu já conhecido inferno astral. Esse ano foi barra.

2014 trouxe de volta a Natasha, que agora senta coladinha a mim. Trouxe de volta ao Brasil e ao trabalho. Eu não consigo explicar o meu amor por essa pessoa loura, que tem um jeito único e especial de ter amigos e viver a sua vida. 2014 tirou a Josi, eterna chefa, da sua mesa. Mas, pra ela, sei que o caminho da felicidade e realização acabou de começar. =)

Me aproximei mais do Alcides, que se tornou minha paixão platônica, briguei com a Michele, que tem um gene forte, mas coração mole, fui até o chão com o Matheus, que eu ainda não consegui decifrar e dei um monte de risadas com o Vini, um cara foda. Tem mais um monte de gente que passou pelo ano e, claro, marcou de alguma forma – mas são esses que eu penso sempre quando quero desabafar ou ser feliz.

Existe um capítulo à parte, ainda em formação, sendo escrito minuciosamente, de um amor antigo, paixão platônica de balada, que cada vez que entra em minha vida me desnorteia. Eu tinha certeza do final, mas alguém fez o favor de borrar as letras. Agora, está sendo reconstituído. E essa história, olha só, me aproximou de gente que nem fazia parte dela: Vini e Pati, Yuri e Bruna e, claro, Caio. Criou-se uma amizade nesse círculo que é gostoso de ver, sentir e poder compartilhar (e meio que saber que sou o responsável por elas). É nítido e até dá orgulho o desenvolvimento, amadurecimento e, principalmente, bom coração dos meus primos. Tem um caminho bonito pela frente cada uma dessas pessoas. Porque elas são boas. Puramente boas.

Em resumo, foi um ano de aprendizado. Talvez de amadurecimento – apesar de não perceber se amadureci, de fato. Ganhei experiência em várias coisas e fui o mais sincero e honesto que pude com todo mundo que cruzou o meu caminho. Decidi, depois de sofrer muito em novembro passado, que eu não ia mais fazer coisas erradas simplesmente porque eu odiava o sentimento de culpa. A culpa me deixa angustiado, triste, depressivo. E quem a causa sou eu. Logo… Depois que adotei esse mantra pra vida, a relação entre as pessoas se tornaram mais fluídas, verdadeiras, gostosas.

2014 eu conheci a Avril Lavigne e virei um meme mundial por isso. Não me importo. Pagaria de novo quantos reais fossem para tirar uma foto com aquela mulher. Curti 3 shows incríveis dela, chorei em todos e fiz uma viagem louca para o Rio de Janeiro, onde saí com desconhecidos para uma balada X e tive uma das noites mais divertidas do ano. Cara, eu sou o tipo de pessoa que raramente sai com desconhecidos ou colegas. Que não faz amizade fácil porque, sim, sou um bocado tímido. Que sofre de vergonha alheia. 2014 foi um passo grande nesse ponto.

Eu me perdi, não nego, por muito tempo. Demorei pra me encontrar de novo. Mas tenho a sensação de que, quando entendi o que queria, me foquei para ser o que eu sempre deveria ter sido. “É só quando a gente se perde que a gente sabe o que a gente é”. Eu sou um cara chato, mimado, que não come comida molhada e não dorme em lençóis floridos. E tá tudo bem. Tô quase nos 30, então posso ter as pessoas que me suportam com as minhas manhas do lado, posso pagar pela comida seca e escolher os hotéis que amo. Aliás, conheci muitos, muitos, muitos hotéis em 2014.

E é isso.
2015 nem começou, mas já existe uma carta na manga. =)

27 de nov de 2014

27, bem-vindo

Eu acho que não tinha percebido que criei esse costume: a cada aniversário, ao que parece, eu escrevo um texto sobre a nova e a velha idade. Reli todos, para perceber a evolução. É. Enfim. 27, bem-vindo. De todas as formas possíveis, bem-vindo. Eu acredito que os meus 26 anos foram uma fase de amadurecimento, de crescimento, de entendimento. Eu me questionei muito esse ano, me perguntei sobre tudo, sobre cada passo que dava na vida. Trabalho, amor, dinheiro, família, futuro. Apesar de nada ainda ter uma definição, me fez entender pequenos detalhes que vão fazer da vida, daqui pra frente, diferente, mais leve, mais gostosa.

Costumo dizer que sou um ser livre. Eu gosto da liberdade, eu gosto do silêncio, eu gosto da solidão. Claro, não sempre. Sou de sair, sou de pular, sou de rir com os amigos e ir atrás deles para onde for, seja pra esquina de cima ou outro país. Mas não há nada mais valioso, pra mim, do que os meus momentos deitado na cama, no silêncio ou só com uma música gostosa ligada, e assistir a vida passar. São minutos únicos, que parecem me colocar no eixo.

Acabei de ler que, aos 27, começa a velhice. Então que ela comece, porque velhice é sinal de experiência. Eu usei os meus 26 anos, basicamente, pra descansar a alma e definir a essência. Eu sei que ainda não estou velho e, Deus queira, ainda tenho muito tempo de vida, mas eu acredito que eu já cheguei naquela idade onde posso definir o que gosto, o que não gosto, o que quero e o que não quero. Antes, eu fazia coisas por vergonha de dizer não. Hoje, eu tenho certeza de que não faço mais algo que não quero. Isso vale para tudo, desde pequenos programas, como ir a um restaurante, até relacionamentos e aplicações financeiras (ainda não as faço).

Aos 26 eu viajei um bocado, também. E, duas vezes, sozinho. Fui para Los Angeles (de classe executiva, o que foi um sonho realizado) a trabalho. Nem eu sabia que era capaz de fazer tudo o que fiz por lá. Fui pra NY, à lazer, sozinho. Totalmente sozinho. Foi uma decisão pessoal: preciso ir, sozinho. Escolhi o hotel que quis, comprei o que queria comprar, guardei o dinheiro que deu e fui, sem medo de ser feliz. E fui feliz. Até ganhei uma tendinite no pé, de tantos KMs andados. Fiz amigos enquanto, na pequena rotina, esperava o café matinal. Fiz amigas enquanto esperava o cupcake da Magnolia, logo depois do café matinal. Fiz amigos no hotel, que se desdobraram inteiros para encontrar um pacote tão esperado e, de madrugada, acionaram o alarme de incêndio sem querer. Voltei mudado, com fôlego, com esperança. Ainda vou morar naquele lugar.

Quando voltei, o caos instalou-se e, em 10 dias, tudo mudou no trabalho. Mas isso não vem ao caso.

Eu não sei como vou estar aos 28. Espero que igual hoje, só que melhor. Com mais conquistas, com mais definições. Espero que feliz. Espero que ouvindo Blank Space. Espero que gostando de Avril Lavigne. Espero que não comendo comidas molhadas. E viajando.

Os meus 21. Os meus 22. Os meus 23. Os meus 25. Os meus 26.

24 de nov de 2014

precisamos falar sobre o amor

Convenhamos, a gente adora falar de amor. Adoramos citá-lo, exemplificá-lo, contarmos nossas histórias, nossas frustrações. Adoramos sofrer pelo amor dos outros, adoramos os filmes de amor e as canções que trazem o sentimento à tona. Sentimos o amor em cada pelo do nosso corpo, em cada olhar, cado passo dado, cada sonho vivido, cada toque compartilhado. Mas, infelizmente, a gente ainda não sabe o que é o amor. Balizamos em excesso o sentimento – tão bonito, único e singular. Cada um acha que am, e tem todo o direito de amar.

Amor é muito mais do que compartilhar a vida, trocar carinhos, fazer planos. Amor engloba pequenices. Amor é dividir a pipoca, dormir de conchinha, acordar cedinho para acompanhar o outro em um momento especial, dar um beijinho leve de tchau. Amor é sofrer cada minuto que o outro não pode estar junto, é compartilhar os papos mais loucos e insanos só para rir mais um pouco, é ficar com o carro parado do lado de casa depois de uma discussão, esperando ele voltar. Amor também é loucura, tristeza e um pouco de dor, recompensados pelos momentos apoteóticos que, depois e antes, são compartilhados. Amor é pegar um coração quebrado e resolver colá-lo. É montar o quebra-cabeças no sábado à noite. É deixar ir, pra poder deixar vir.

Nas vésperas dos meus 27, estou bem longe de saber amar. Sei que “existe uma diferença entre querer estar com alguém e fazer de tudo para estar com alguém. Sei que é, resumidamente, isso: